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Lançamento do Hyundai i20 decreta o fim do HB20S e rebaixa o HB20 a carro de entrada

Chegada do Hyundai i20 ao Brasil decreta fim do sedã HB20S e rebaixa o HB20 a carro de entrada da marca sul-coreana

AutoRodas 15 de junho de 2026 4 min de leitura

Chegada do novo hatch aventureiro reorganiza toda a linha da Hyundai no Brasil e antecipa uma família de produtos baseada em nova plataforma

O presidente da Hyundai Motor Brasil, Airton Cousseau, confirmou à QUATRO RODAS uma decisão que vai alterar profundamente o portfólio da marca no país: o sedã HB20S vai sair de linha. A produção do modelo compacto ainda não foi encerrada, mas o encerramento acontecerá nos próximos meses.

HB20S sai de cena mesmo com vendas em alta

Curiosamente, o fim do Hyundai HB20S não se deve a uma queda na procura por sedãs compactos. Pelo contrário: o modelo vive um bom momento comercial. Foram 5.200 unidades emplacadas somente em maio, e o acumulado dos primeiros meses do ano alcançou 17.349 unidades — pouco mais da metade do volume registrado pelo HB20 hatch. Em 2025, essa proporção era de apenas um terço.

A verdadeira razão para a descontinuação do sedã está na necessidade de liberar capacidade produtiva na fábrica de Piracicaba (SP). A unidade precisa abrir espaço para novos SUVs com maior margem de lucro, que serão derivados da mesma plataforma do Hyundai i20 2027.

O efeito dominó provocado pelo i20

A estreia do Hyundai i20 no mercado brasileiro funciona como gatilho de uma reconfiguração em cadeia. O novo hatch aventureiro é o primeiro representante de uma nova família de produtos e chega com preços muito próximos aos do HB20, criando uma sobreposição incômoda entre os dois modelos.

A diferença de preços entre versões equivalentes varia de R$ 2.500 a R$ 4.700. Na configuração Comfort 1.0 MT, por exemplo, o i20 custa R$ 99.990 — apenas R$ 3.850 a mais que o HB20 Comfort 1.0 MT, vendido a R$ 96.140. Já na versão Limited 1.0 MT, o i20 é oferecido por R$ 104.990, enquanto o HB20 equivalente sai por R$ 100.290, uma diferença de R$ 4.700.

HB20 será rebaixado na hierarquia da marca

Diante dessa proximidade de valores, a Hyundai decidiu que o HB20 passará por um rearranjo em sua oferta de versões. A expectativa é que o modelo perca as configurações mais caras, especialmente as equipadas com motor 1.0 turbo e câmbio automático.

Com 14 anos na mesma geração, o HB20 assumiria definitivamente o papel de veículo de entrada da marca, direcionado a frotistas e consumidores mais sensíveis a preço. Nessa posição, reforçaria a concorrência direta com Volkswagen Polo Track e Fiat Argo — o suficiente para garantir sua permanência em linha por mais alguns anos.

Nova plataforma sustenta estratégia de longo prazo

O Hyundai i20 é mais do que um lançamento isolado: ele é o alicerce de uma arquitetura que vai definir o ritmo da marca no Brasil nesta e na próxima década. Seus motores já atendem às normas de emissões brasileiras que entram em vigor em 2029, e uma versão híbrida leve está em desenvolvimento.

Bayon ocupará o degrau intermediário

A produção nacional do i20 pavimenta a chegada da nova geração do Hyundai Bayon. Trata-se de um utilitário compacto com proporções ligeiramente mais esticadas e robustas que o i20, construído sobre a mesma base.

A nacionalização do Bayon preencherá a faixa mais disputada dos SUVs compactos, com o objetivo de enfrentar modelos como Volkswagen T-Cross, Chevrolet Tracker, Honda WR-V e HR-V, Toyota Yaris Cross e Nissan Kicks.

Creta será empurrado para cima

A lógica de criar um “degrau de acesso” com o i20 e um “degrau intermediário” com o Bayon tem um propósito claro: reposicionar o Creta. A próxima geração do utilitário mais vendido da marca ganhará porte maior e acabamento superior para se firmar como um SUV médio.

Atualmente, o Hyundai Creta já apresenta algumas medidas internas superiores às de Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, que são modelos médios. Contudo, o Creta ainda é pequeno e não tem a sofisticação necessária para justificar os preços de suas versões mais caras, que ultrapassam R$ 200.000. Além disso, carece de motorização híbrida — opção disponível apenas no Kona, vendido a R$ 214.990.

A manobra mais ousada desde o HB20

Essa movimentação pode representar a estratégia mais ambiciosa da Hyundai desde o lançamento do HB20, há 14 anos. A fabricante sul-coreana busca abandonar a dependência histórica de apenas um hatch e um SUV compacto com grande volume de vendas. O objetivo é pulverizar seus números em quatro modelos distintos — HB20, i20, Bayon e Creta —, cercando o consumidor nos segmentos mais representativos do mercado brasileiro.

Lançamento do Hyundai i20 decreta o fim do HB20S e rebaixa o HB20 a carro de entrada