GM amplia investimento para R$ 10,5 bilhões e produzirá carros híbridos em São Paulo até 2028
General Motors confirma aporte extra de R$ 3,5 bilhões para fabricar carros híbridos em São Paulo, elevando investimento total a R$ 10,5 bilhões até 2028
Aporte extra de R$ 3,5 bilhões confirma a aposta da Chevrolet na eletrificação com foco em modelos híbridos leves fabricados no estado paulista
O plano industrial da General Motors no Brasil ganhou um reforço significativo. A montadora anunciou nesta quarta-feira, durante evento em Brasília (DF), a injeção de mais R$ 3,5 bilhões em sua estratégia nacional. O novo aporte eleva o investimento total da companhia no país para R$ 10,5 bilhões, dentro do ciclo que começou em 2024 e se estende até 2028.
Tracker e Montana podem ser os primeiros híbridos
A maior parte dos novos recursos será direcionada ao estado de São Paulo, onde a Chevrolet opera complexos industriais em São Caetano do Sul, São José dos Campos e Mogi das Cruzes (autopeças), além de manter um importante centro de desenvolvimento em Indaiatuba. Essa concentração de capital em território paulista abre caminho para a eletrificação dos dois principais modelos fabricados na região: o Chevrolet Tracker, um dos SUVs mais vendidos do país, e a picape Montana, que compartilha a mesma plataforma, embora tenha desempenho comercial mais modesto.
A empresa está desenvolvendo um sistema híbrido leve de 48V compatível com seus motores de três cilindros — tanto o 1.0 quanto o 1.2. Ainda não foram revelados oficialmente quais modelos inaugurarão a tecnologia híbrida flex, mas a movimentação industrial aponta fortemente para esses dois veículos.
Resposta ao avanço da concorrência
O comunicado oficial da montadora confirma que os recursos serão aplicados na renovação do portfólio da Chevrolet. A decisão representa uma tentativa de pavimentar a participação da marca na transição energética brasileira, em um momento em que montadoras rivais avançam rapidamente no segmento de eletrificados.
O montante original de R$ 7 bilhões, divulgado no início de 2024, mostrou-se insuficiente para bancar a produção de veículos eletrificados em solo nacional. O capital adicional recém-confirmado surge justamente para cobrir essa lacuna.
O que já foi feito com os R$ 7 bilhões iniciais
Desde o anúncio do primeiro pacote de investimento, a GM promoveu a reestilização dos Chevrolet Onix e Tracker, lançou a nova geração do Sonic e passou a importar os elétricos Spark EUV e Captiva EV. Ambos os modelos elétricos derivam de projetos da chinesa Wuling e contam agora com montagem terceirizada no Ceará.
Atraso global nos híbridos
A entrada tardia da GM nos carros híbridos não é exclusividade do mercado brasileiro — trata-se de uma questão global. Anos atrás, a companhia concentrou todos os esforços no desenvolvimento de veículos 100% elétricos, abandonando os modelos híbridos que possuía em seu catálogo.
Agora, a estratégia se desdobra em frentes distintas: enquanto o Brasil receberá híbridos leves (MHEV), os Estados Unidos terão híbridos plug-in (PHEV). Na América do Norte, os primeiros modelos com essa tecnologia devem estrear até 2027. A última experiência da marca com a configuração híbrida foi o Chevrolet Volt, descontinuado há sete anos. Desde então, nenhum outro veículo com essa proposta mecânica foi oferecido pela companhia em seu mercado de origem.
