Novo Hyundai Tucson híbrido tem visual robusto e dá pistas sobre o futuro do Creta
Quinta geração do Hyundai Tucson traz design angular, motorização híbrida plug-in de 292 cv e sistema multimídia com inteligência artificial que antecipa o futuro Creta
Quinta geração do Tucson chega com a maior renovação em 22 anos de história
A Hyundai revelou oficialmente todos os detalhes da quinta geração do Tucson, que representa a transformação mais radical já aplicada ao SUV médio em mais de duas décadas. O modelo, identificado internamente como NX5, aposta em um design arrojado batizado de “Arte do Aço”, com linhas angulares e vincos pronunciados que conferem um visual robusto e futurista ao veículo.
O lançamento está confirmado para mercados da América do Norte, Europa e Ásia, enquanto a chegada ao Brasil ainda permanece em fase de estudos pela montadora sul-coreana.
Duas versões de tamanho para diferentes mercados
Seguindo estratégia semelhante à adotada pela Volkswagen com o Tiguan, o novo Tucson será comercializado em duas configurações de carroceria:
- Versão longa (EUA e Coreia do Sul): 4,70 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,68 m de altura e 2,78 m de entre-eixos, com altura livre do solo de 18 cm
- Versão compacta (Europa): 4,56 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,67 m de altura e 2,72 m de entre-eixos, com altura livre do solo entre 15,9 cm e 16,9 cm
Design angular e identidade visual marcante
A linguagem visual do novo Tucson é compartilhada com o Elantra de última geração. Na dianteira, uma faixa contínua de LED se estende por quase toda a largura do veículo, funcionando como luz diurna, enquanto os faróis principais ficam posicionados mais abaixo, integrados ao para-choque.
As laterais exibem caixas de roda bem marcadas, vincos salientes e opções de rodas que variam de 17 a 20 polegadas. Na traseira, lanternas verticais e angulares são conectadas por uma fina faixa horizontal abaixo do logotipo da marca.
Essa mesma filosofia de design será aplicada à próxima geração do Creta, prevista para 2027, que terá seu projeto unificado ao do Kona.
Interior tecnológico com sistema Pleos Connect e inteligência artificial
O habitáculo do novo Tucson abandona o layout de telas integradas em favor de instrumentação e multimídia separadas. O quadro de instrumentos digital de 9,9 polegadas foi posicionado acima do volante para melhorar a ergonomia, enquanto a central multimídia ocupa o centro do painel com telas de 12,9 ou 17 polegadas.
O grande destaque tecnológico é o novo sistema Pleos Connect, desenvolvido em código aberto e equipado com:
- Assistente de voz com inteligência artificial chamado GLeo
- Atualizações remotas (OTA) para sistema e assistente virtual
- Possibilidade de instalação de aplicativos de terceiros sem interferência da Hyundai
Entre os equipamentos, destaca-se o Memory Reverse Assist, sistema que memoriza a trajetória percorrida e controla automaticamente o veículo ao dar ré em espaços apertados — recurso presente em modelos de alto luxo como o BMW Série 7.
Motorização: do 1.6 turbo ao híbrido plug-in com quase 300 cv
A gama mecânica do novo Tucson é diversificada e inclui opções combustão pura e eletrificadas:
Versões a combustão
- Motor 1.6 turbo de quatro cilindros a gasolina (o mesmo utilizado no Creta brasileiro)
- Motor 2.0 aspirado de quatro cilindros a gasolina
- Potências entre 150 cv e 193 cv
- Câmbios: manual de 6 marchas, automatizado DCT de 7 marchas ou automático de 6 ou 8 marchas
Versão híbrida plena (HEV)
- Motor 1.6 TGDI combinado com motor elétrico
- Potência total de 235 cv (EUA) ou 245 cv (Europa/Coreia)
- Torque de 38,7 kgfm
- Bateria de 1,49 kWh sem necessidade de recarga externa
- Câmbio automático de 6 marchas
Versão híbrida plug-in (PHEV)
- Potência combinada de 292 cv
- Bateria de 17,1 kWh com recarga externa
- Autonomia elétrica de 81 km
- Aceleração de 0 a 100 km/h em 7,9 segundos
- Câmbio automático de 6 marchas
Opinião do Especialista
O novo Hyundai Tucson representa um salto geracional significativo que consolida a estratégia da montadora sul-coreana de se posicionar como referência em design e tecnologia no segmento de SUVs médios. A adoção da filosofia “Arte do Aço” resulta em um produto visualmente impactante, capaz de se diferenciar imediatamente de concorrentes diretos como Toyota RAV4, Volkswagen Tiguan e Nissan Qashqai.
Do ponto de vista mecânico, a oferta de motorização híbrida plug-in com 292 cv e 81 km de autonomia elétrica coloca o Tucson em posição competitiva diante do RAV4 Prime e do Tiguan eHybrid, oferecendo números de potência e autonomia bastante alinhados com o que há de melhor no segmento. A manutenção do motor 1.6 TGDI como base para todas as versões eletrificadas também demonstra maturidade da plataforma e redução de custos de produção.
O sistema multimídia Pleos Connect, baseado em código aberto, é uma decisão estratégica ousada. Ao permitir que desenvolvedores externos criem aplicativos sem depender da Hyundai, a marca sinaliza um modelo de ecossistema digital semelhante ao dos smartphones — algo que pode atrair um público mais jovem e conectado. Entretanto, o sucesso dessa abordagem dependerá da adesão dos desenvolvedores e da segurança cibernética do sistema.
A informação de que a linguagem visual do Tucson será transferida para o futuro Creta 2027 é particularmente relevante para o mercado brasileiro. Considerando que o Creta é o carro-chefe da Hyundai no Brasil, essa renovação estética poderá fortalecer ainda mais a posição da marca por aqui, especialmente em um momento em que concorrentes chineses avançam agressivamente no segmento de SUVs compactos.
Quanto à possibilidade de o próprio Tucson ser vendido no Brasil, é uma questão que depende fundamentalmente da estratégia de precificação. Com a versão híbrida plug-in ultrapassando os 292 cv, o modelo teria potencial para competir com SUVs premium, mas o histórico da Hyundai sugere cautela na importação de modelos de alto valor agregado. É mais provável que a marca priorize a chegada do novo Creta e avalie o Tucson como complemento de portfólio em um segundo momento.
Em resumo, a quinta geração do Tucson é um produto maduro, tecnologicamente avançado e visualmente diferenciado, que tem tudo para manter a relevância do modelo nos mercados globais. A grande questão para o consumidor brasileiro será se — e quando — essa evolução chegará ao nosso mercado.




