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Gasolina E32: O que o novo percentual de etanol na gasolina significa para o seu carro? 

CNPE aprova aumento do etanol na gasolina para 32%, gerando debates sobre impactos em carros flex e veículos antigos movidos só a gasolina

AutoRodas 14 de julho de 2026 5 min de leitura

Decisão do CNPE eleva teor de etanol na gasolina e gera preocupações sobre impacto em carros antigos e autonomia dos veículos flex

A proporção de etanol na gasolina vendida no Brasil vai subir de 30% para 32%. O Conselho Nacional de Pesquisa Energética (CNPE) confirmou a medida em reunião realizada na terça-feira (14), dando mais um passo rumo à chamada gasolina E35, meta prevista para 2029.

Cenário geopolítico acelerou a decisão

Um dos fatores centrais que pesaram na aprovação foi o contexto internacional. A tensão entre Estados Unidos e Irã, sem perspectiva de cessar, ameaça elevar o preço do barril de petróleo e, por consequência, encarecer a gasolina. Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia, argumentou que o aumento do teor de etanol na mistura reduz a dependência brasileira da importação de combustível fóssil.

Silveira já havia adiantado o assunto no começo de junho, quando revelou que os estudos anteriores serviriam de base para o lançamento da gasolina E32. Segundo o ministro, com a nova proporção, o Brasil se tornará autossuficiente na produção de gasolina e deixará de importar cerca de 500 milhões de litros do combustível por mês.

Base técnica e a Lei Combustível do Futuro

O governo justifica a decisão com base nos testes realizados quando a mistura subiu para 30%, há menos de um ano. Os ensaios foram conduzidos com margem de 2 pontos percentuais, atingindo justamente os 32%. Todo o projeto faz parte das diretrizes da Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024.

Na ocasião dos testes, o representante do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio, detalhou como os estudos foram conduzidos, em participação no programa CBN Autoesporte.

Em março, o governo já havia anunciado a intenção de chegar a 35% de etanol na gasolina até 2029, com investimento de R$ 30 milhões. A aprovação dos 32% representa o primeiro passo concreto para atingir quase metade dessa meta.

Histórico da mistura de etanol no Brasil

Durante muitos anos, o Brasil manteve 22% de teor de etanol na gasolina comum. Em 2015, esse percentual foi elevado para 27,5%, permanecendo assim por uma década. Em agosto de 2025, a mistura saltou para 30%. Agora, poucos meses depois, chega aos 32%, com a meta governamental de alcançar 35% nos próximos anos.

Entre 1993 e 2001, o país utilizava 22% do combustível derivado da cana-de-açúcar na gasolina. Essa proporção foi interrompida por algum tempo e retomada definitivamente em 2009.

Impacto nos carros flex: mais consumo e menos autonomia

Proprietários de veículos com motor flex devem sentir os efeitos diretamente no bolso. Segundo Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), o consumo de combustível tende a subir.

“Para o flex, o consumo de combustível vai aumentar, considerando que o poder calorífico do etanol é menor”, afirmou Gonçalves, em entrevista concedida à Autoesporte quando o governo aumentou para 30% o teor de etanol na mistura da gasolina.

Na prática, quem tem um carro flex e enche o tanque com gasolina poderá perceber uma redução na autonomia total — ainda que pequena.

Riscos maiores para veículos antigos movidos só a gasolina

A situação é mais delicada para carros movidos exclusivamente a gasolina, sobretudo os modelos mais antigos. Gonçalves alertou para problemas potenciais: “Alguns carros antigos não estão preparados para este teor de etanol. Podem acontecer ataques a materiais e corrosões de borrachas e elastômeros”.

O especialista também destacou falhas eletrônicas como possibilidade real. “Além disso, há suspeitas de que certos carros podem falhar por intervenção dos próprios sensores, que não reconhecem o combustível”, completou.

Modelos mais velhos projetados apenas para gasolina tiveram seus motores calibrados para volumes muito menores de etanol na mistura — até dez pontos percentuais abaixo do que será exigido agora. Por isso, podem apresentar corrosão precoce de borrachas e elastômeros. A recomendação para esses veículos é abastecer com gasolinas especiais, que possuem menor teor de etanol.

Ainda não há informação oficial sobre quando a nova gasolina E32 estará disponível nos postos de combustível.

Anfavea apoia biocombustíveis, mas contesta a decisão

A Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que representa as montadoras instaladas no Brasil, declarou apoio ao avanço dos biocombustíveis. Contudo, posicionou-se contra o aumento compulsório para 32% sem estudos técnicos específicos e conclusivos. Confira a íntegra do posicionamento:

“A Anfavea reafirma o apoio aos biocombustíveis como uma importante vantagem competitiva do Brasil para a descarbonização da mobilidade. No entanto, é contrária à elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) sem estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade com a frota brasileira.

A entidade ressalta que os testes que embasaram a adoção da mistura de 30% de etanol na gasolina (E30) não validam tecnicamente a elevação da mistura obrigatória para 32% (E32). Isso porque esses ensaios avaliaram o desempenho e a dirigibilidade dos veículos considerando a margem de tolerância da especificação do combustível, mas não incluíram testes de durabilidade, emissões, autonomia nem a validação do funcionamento da frota com E32 como mistura obrigatória. Por isso, os resultados não representam base técnica para justificar a elevação do teor de etanol para 32%.

Os testes com combustível contendo até 32% de etanol foram realizados apenas para contemplar a margem de tolerância prevista na especificação do E30 e não para comprovar a segurança e a compatibilidade de uma mistura obrigatória de E32. Além disso, a especificação do E32 admite combustíveis com teor de etanol de até 34%, condição que também não foi objeto de validação técnica específica.

A Anfavea defende que a adoção do E32 ocorra somente após a conclusão de novos estudos específicos, capazes de comprovar que a mistura é compatível com a frota em circulação e garante a segurança técnica e a proteção do consumidor brasileiro”.