Projeto Atacama: VW prepara super SUV de 7 lugares baseado na Amarok para enfrentar SW4 e H9
Volkswagen desenvolve o Projeto Atacama, super SUV de sete lugares derivado da Amarok, com entre-eixos de 3,30 metros e possível motor híbrido de 470 cv
Com entre-eixos de 3,30 metros e possível conjunto híbrido 800 TSI de mais de 470 cv, novo modelo promete redefinir o segmento na América do Sul
Um veículo de grandes proporções está sendo gestado dentro da Volkswagen para sacudir o mercado de SUVs robustos derivados de picapes no continente. Batizado internamente de Projeto Atacama, o modelo já foi apresentado a concessionários e nascerá da plataforma da próxima geração da Amarok, trazendo três fileiras de bancos, sete lugares e dimensões que superam com folga os principais concorrentes do segmento — a Toyota SW4 e o GWM Haval H9.
Dimensões que mudam o jogo
Chamar o Atacama de “super SUV” não é exagero retórico. O modelo deverá herdar o entre-eixos de aproximadamente 3,30 metros da nova Amarok, uma medida que coloca o veículo em outro patamar quando comparado aos rivais diretos. A Toyota SW4 trabalha com 2,79 metros entre os eixos, enquanto o Haval H9 chega a 2,85 metros. A diferença é de mais de 40 centímetros — vantagem que se traduz diretamente em espaço interno.
Para um veículo de sete lugares, essa folga estrutural é determinante. SUVs derivados de picapes costumam enfrentar dificuldades em equilibrar a robustez do chassi com uma terceira fileira funcional, que em diversos casos acaba apertada e pouco convidativa. Com o entre-eixos generoso, a Volkswagen terá margem considerável para oferecer melhor acomodação aos passageiros da última fileira, facilitar o acesso aos bancos traseiros e garantir porta-malas utilizável, embora as medidas definitivas da carroceria ainda não tenham sido divulgadas.
A história por trás do projeto
A ideia de criar um SUV a partir da Amarok não surge agora pela primeira vez. Na geração anterior da picape, a Volkswagen chegou a construir um protótipo com essa proposta, mas o desenvolvimento foi interrompido antes de alcançar as linhas de produção. O cenário atual, no entanto, oferece condições completamente diferentes.
A nova arquitetura compartilhada com a chinesa SAIC proporciona flexibilidade muito maior. Combinada à possibilidade de eletrificação e às dimensões mais generosas, essa base permite a criação de um produto significativamente mais sofisticado. Se na tentativa anterior faltavam argumentos sólidos para posicionar um SUV da Amarok frente à consolidada SW4, agora o trunfo pode estar justamente no porte superior e, sobretudo, no desempenho.
Arquitetura Star Bridge e a parceria com a SAIC
A base técnica do Projeto Atacama remonta à parceria entre Volkswagen e SAIC. A referência chinesa é a Maxus Interstellar X, picape de cerca de 5,50 metros de comprimento e 3,30 metros de entre-eixos que utiliza a arquitetura conhecida como Star Bridge. Essa plataforma foi concebida desde a origem para suportar diferentes motorizações e aplicações.
Isso, porém, não significa que o futuro SUV será uma versão fechada da Interstellar X com emblema da Volkswagen. O desenvolvimento sul-americano da Amarok já demonstra distanciamento relevante em relação ao produto chinês, especialmente no design e na calibração. O primeiro teaser oficial divulgado pela própria montadora revelou uma dianteira inteiramente redesenhada pelo time da América do Sul, e protótipos com camuflagem cada vez mais reduzida continuam rodando em testes pelo Brasil e pela Argentina.
Flexibilidade que viabiliza o SUV
A versatilidade da arquitetura Star Bridge é o elemento central para compreender por que o Projeto Atacama se tornou viável. A SAIC já emprega a mesma base em uma derivação fechada da Interstellar X, voltada ao transporte de passageiros no mercado chinês — ainda que esse produto tenha conceito diferente do SUV de três fileiras planejado pela Volkswagen.
A plataforma aceita diversos tipos de motorização e configurações de suspensão, além de possibilitar integração estrutural superior à encontrada em picapes tradicionais de carroceria simplesmente apoiada sobre o chassi. Para o Atacama, a Volkswagen desenvolverá um SUV propriamente dito, com carroceria fechada e três fileiras de assentos.
Motorização híbrida de alta performance
Entre as possibilidades mais aguardadas para o Atacama está a utilização do conjunto híbrido 800 TSI, capaz de entregar mais de 470 cv e impressionantes 800 Nm de torque. A combinação de eletrificação com a robustez da plataforma abriria caminho para um modelo que une capacidade fora-de-estrada com desempenho de alto nível — algo que nenhum concorrente direto oferece atualmente no mercado sul-americano.
Estratégia decisiva para a Volkswagen na América do Sul
Mais do que um simples derivado da Amarok, o Projeto Atacama pode se tornar peça ainda mais relevante do que a própria picape na estratégia da Volkswagen para a região. A marca enxerga no segmento de SUVs grandes com sete lugares um território fértil, historicamente dominado pela Toyota SW4 e mais recentemente disputado pelo GWM Haval H9. Com um produto de porte superior, três fileiras espaçosas e possível trem de força híbrido de alta potência, a montadora alemã planeja entrar nessa briga com argumentos inéditos.

