Produção de veículos cresce e Brasil tem o melhor 1º semestre em sete anos
Fábricas brasileiras produziram 1,37 milhão de veículos no primeiro semestre de 2026, melhor resultado desde 2019, com alta de 8,8% segundo a Anfavea.
Fábricas nacionais entregaram 1,37 milhão de unidades entre janeiro e junho de 2026, mas presidente da Anfavea lamenta não ter acompanhado ritmo do mercado
Com 1.372.392 unidades montadas nos seis primeiros meses de 2026, a indústria automotiva do Brasil atingiu um patamar que não era visto desde 2019. Os números foram apresentados nesta terça-feira (07) pela Associação das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e revelam um crescimento de 8,8% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando 1.261.640 veículos saíram das linhas de montagem.
Anfavea revisa projeções para cima
O desempenho surpreendeu a própria entidade. No começo do ano, a projeção de crescimento era de 2,7%. Diante dos resultados concretos, a estimativa saltou para 5,8%. A Anfavea agora trabalha com a expectativa de que cerca de 2,8 milhões de unidades sejam produzidas ao longo de todo o ano.
Para as vendas, o cenário é ainda mais otimista: a associação projeta pouco mais de 3 milhões de veículos comercializados até dezembro. Se confirmado, esse será o melhor resultado do mercado nacional desde 2014, quando 3,3 milhões de unidades encontraram compradores.
Automóveis e comerciais leves puxam o resultado
A maior fatia da produção ficou com automóveis e comerciais leves, que somaram 1.299.353 unidades — avanço de 10,2% sobre o primeiro semestre do ano anterior. Separadamente, foram 1.050.437 automóveis (contra 937.875 em 2025) e 248.916 comerciais leves (ante 241.652).
Caminhões não acompanham o embalo
Na categoria de caminhões, o panorama é diferente. Apesar do incentivo trazido pelo Move Brasil, novo programa do governo federal, o segmento somou 56.798 unidades fabricadas — número inferior ao registrado no mesmo período de 2025. Caminhões pesados, por exemplo, recuaram de 33.758 para 25.578 unidades. Os leves também caíram, de 8.733 para 6.966. Já os médios apresentaram alta, passando de 3.440 para 4.063.
Ônibus em cenários mistos
A produção de ônibus totalizou 16.241 unidades no semestre. O segmento urbano avançou de 12.736 para 13.836 unidades, enquanto os rodoviários recuaram de 3.006 para 2.405.
Junho registra alta anual, mas recua frente a maio
Isoladamente, junho de 2026 teve 246,0 mil veículos produzidos. O volume representa uma queda de 3% na comparação com maio, quando 253,5 mil unidades foram fabricadas. Porém, frente a junho de 2025, quando a produção ficou em 209,9 mil, o salto foi de 17,2%.
Presidente da Anfavea destaca descompasso com o mercado
Mesmo comemorando os números, Igor Calvet, presidente da Anfavea, apontou um descompasso preocupante entre a produção local e o avanço das vendas. “Temos que comemorar o aumento da produção. Uma pena que crescemos 8,8%, enquanto o mercado cresceu 18%. Não conseguimos capturar boa parte do avanço do mercado com a produção local”, disse.
Importações disparam e China lidera
A explicação para esse descompasso passa em grande parte pelo avanço das importações. Mais de 281 mil veículos desembarcaram no Brasil no primeiro semestre, um crescimento de 22,8% sobre o resultado de 2025. Dado relevante: metade dos carros importados vendidos no país é fabricada na China, segundo a Anfavea.
Exportações em queda de 21,2%
Na outra ponta, as exportações brasileiras recuaram 21,2% no período. A Anfavea atribui parte significativa dessa retração à queda de 10% no mercado argentino. Além da crise econômica interna, os consumidores argentinos reduziram a preferência por modelos produzidos no Brasil: a participação brasileira no mercado vizinho caiu de 56% para 52%.
Argentina, México, Colômbia, Uruguai e Chile continuam sendo os principais destinos dos carros brasileiros. Contudo, com exceção da Colômbia, todos os mercados sul-americanos apresentaram queda nas importações de veículos nacionais.
