Novos híbridos da Volkswagen vão rodar como elétricos nas cidades; entenda a tecnologia
Futuros híbridos da Volkswagen no Brasil funcionarão como carros elétricos até 55 km/h com motor 1.5 TSI Evo2 e bateria refrigerada
Novo sistema HEV da marca opera 100% com eletricidade em velocidades de até 55 km/h, cobrindo a maior parte dos deslocamentos na cidade
Detalhes técnicos recém-divulgados na Europa revelam que o sistema híbrido pleno (HEV) que a Volkswagen trará ao Brasil terá um comportamento essencialmente elétrico nas situações de uso mais frequentes do dia a dia. O conjunto permite rodar totalmente com eletricidade em velocidades de até 55 km/h, faixa que abrange a maior parte dos perímetros urbanos brasileiros.
Motor 1.5 TSI Evo2 e a troca estratégica de tecnologia
O coração dos futuros híbridos nacionais será uma evolução do atual 1.4 TSI: o motor 1.5 TSI Evo2 Flex, de quatro cilindros e ciclo Miller, cuja abertura de válvulas é combinada ao turbocompressor para obter uma queima de combustível mais eficiente. Inicialmente, o propulsor virá importado do México, antes de ser fabricado em São Carlos (SP).
Informações divulgadas na apresentação oficial do motor na Europa indicavam que a Volkswagen havia desenvolvido um sistema inovador de desativação de cilindros, capaz de fazer a unidade de quatro cilindros operar com apenas dois em determinadas condições. Porém, nas versões HEV, esse recurso não estará presente.
Dois motores elétricos no lugar da desativação de cilindros
O que pode parecer um retrocesso é, na realidade, fruto da sofisticação do conjunto elétrico. No lugar do sistema de desativação, a montadora instalou dois motores elétricos — um gerador e outro de tração — alojados no cárter. Acima deles, uma nova unidade de controle incorpora uma embreagem multidisco de acionamento eletrônico, responsável por acoplar e desacoplar o motor a combustão conforme a demanda.
Sob o banco traseiro, foi posicionada uma bateria de 1,6 kWh com refrigeração líquida. É esse arranjo que possibilita a condução 100% elétrica até 55 km/h, desde que a demanda de potência fique abaixo de 20 cv. Caso a bateria se descarregue ou o motorista necessite de mais força, o motor 1.5 entra em ação exclusivamente como gerador, recarregando a bateria que alimenta o motor elétrico de tração.
Dessa forma, mesmo com o motor a combustão ligado, o sistema permanece essencialmente elétrico até essa velocidade. Por isso, a Volkswagen não viu propósito em manter a desativação de cilindros nos modelos eletrificados — recurso que continua presente nos carros sem eletrificação, como o T-Roc convencional.
Sistema HEV com características de plug-in
Outro ponto revelado é que o sistema híbrido pleno desenvolvido pela marca possui características de projeto que se assemelham aos conjuntos plug-in (PHEV), num conceito à lá Toyota. Esse sistema, ainda não lançado na Europa, equipará as versões mais caras do T-Roc a partir do segundo semestre de 2026.
A Volkswagen oferecerá o novo conjunto híbrido no T-Roc em duas configurações: uma de 136 cv e 28,9 kgfm e outra de 170 cv e 31,5 kgfm. A versão mais potente será a primeira a chegar às concessionárias. Apesar de ter sido concebido para as novas gerações da marca, o sistema pode ser adotado também em atualizações de meia-vida (facelifts), dependendo do modelo.
Projeto Saga e novo Taos: os SUVs do plano de R$ 20 bilhões
A Volkswagen investiu R$ 20 bilhões em suas fábricas da América do Sul para produzir modelos inéditos e desenvolver novas tecnologias. Dentro desse plano, dois SUVs híbridos estão em desenvolvimento para o mercado brasileiro.
Projeto Saga (VW213)
O primeiro é o chamado Projeto Saga, identificado pelo código VW213, que dará origem à versão brasileira do T-Roc europeu. Esse SUV compacto terá um pacote de equipamentos mais generoso e receberá a plataforma MQB Evo junto à motorização 1.5 TSI Evo2 nas versões MHEV e HEV.
Nova geração do Taos (VW226)
O segundo modelo é o VW226, que chegará como a próxima geração do Taos, substituindo a atual, produzida no México. Curiosamente, esse projeto nasceu internamente como a nova geração do T-Cross — era tratado pela engenharia sob o código “T-Cross NF”. No entanto, diante dos bons resultados comerciais do T-Cross atual, a Volkswagen decidiu mantê-lo em linha. O modelo que seria seu sucessor foi então “promovido” para dar origem ao novo Taos.
Cinco SUVs nacionais até o fim da década
Com essa estratégia, a Volkswagen pretende oferecer um catálogo de cinco SUVs produzidos no Brasil até o fim desta década. Os atuais Tera, Nivus e T-Cross permanecerão em linha, recebendo atualizações visuais ao longo do período. A eles se somarão o Projeto Saga (VW213) e o novo Taos (VW226), completando a gama.
A revista Autoesporte dedicou toda uma edição, em outubro de 2025, aos planos futuros da montadora, revelando informações sobre os futuros motores híbridos para o mercado brasileiro. Os detalhes técnicos recém-divulgados na Europa aprofundam o entendimento de como o sistema será, na prática, um carro elétrico nas condições urbanas.
