Nova fábrica da Kia promete acabar com um dos maiores desafios da Hyundai no Brasil
Grupo Hyundai-Kia negocia fábrica própria no interior de São Paulo a partir de 2028, o que pode destravar expansão produtiva da Hyundai no Brasil
Plano do grupo coreano prevê unidade fabril a partir de 2028 e pode destravar expansão da Hyundai no país
O grupo Hyundai-Kia conduz negociações em estágio avançado para instalar uma fábrica própria da Kia no interior de São Paulo, com previsão de início das operações em 2028. A iniciativa, caso se confirme, não apenas marcará o ingresso oficial da marca coreana no Brasil — até hoje representada pelo Grupo Gandini como importador oficial há 34 anos — como também poderá resolver o principal entrave ao crescimento da coirmã Hyundai no mercado brasileiro: a falta de capacidade produtiva.
Negociações em duas cidades paulistas
Executivos do alto escalão da Kia vêm se reunindo com o prefeito de Piracicaba (SP) para definir terreno, condições e contrapartidas para a instalação do complexo fabril. A cidade já abriga a planta da Hyundai, o que tornaria natural a sinergia entre as duas operações.
Há, contudo, uma alternativa. O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (sem partido), revelou em uma live que a cidade — onde a Toyota já produz — também está na disputa. Segundo o chefe do executivo municipal, a fábrica da Kia em Sorocaba poderia gerar 5 mil novos empregos.
Projeto conduzido pela matriz coreana
A reportagem da Autoesporte apurou que todo o projeto vem sendo liderado diretamente pela matriz da Kia, sem nenhuma ligação, até o momento, com a Hyundai Motor Brasil. Ainda não se sabe se o grupo optará por unificar a operação das duas marcas — nos moldes da Stellantis ou da recém-fundada Renault Geely do Brasil — ou se cada marca operará de forma independente, como ocorre com as marcas do Grupo Volkswagen ou com as chinesas Caoa Chery, Omoda Jaecoo e Jetour, do grupo Chery.
A notícia foi inicialmente revelada pelo jornalista João Anacleto no final da última semana e posteriormente confirmada pela Autoesporte.
O limite da Hyundai em Piracicaba
A planta da Hyundai em Piracicaba já opera no limite de sua capacidade, estimada em 215 mil veículos por ano. Esse teto produtivo se tornou um problema ainda mais evidente após a confirmação de que a marca firmou um plano de desenvolvimento conjunto com a General Motors para quatro novos modelos voltados ao mercado brasileiro.
A lista inclui um compacto de entrada, um SUV compacto e duas picapes — uma intermediária e uma média. Todos serão lançados tanto com emblema da Chevrolet quanto da Hyundai. Em entrevistas recentes, o presidente da Hyundai na América do Sul, Airton Cousseau, e o vice-presidente de Comunicações e Políticas Públicas da GM, Fabio Rua, deixaram claro que a parceria se restringe ao desenvolvimento e não envolverá produção conjunta.
Novos modelos e a equação da capacidade
A declaração surpreendeu parte do mercado. Os carros de passeio virão como novas gerações do Creta e do i20, substituindo modelos já em linha — o que não exigiria ampliação da capacidade. Porém, adicionar duas picapes ao portfólio levanta uma questão inevitável: como produzir esses veículos sem espaço disponível na fábrica atual?
A peça que faltava no quebra-cabeça
É exatamente nesse ponto que a nova fábrica da Kia ganha importância estratégica. Caso o projeto se concretize, o grupo Hyundai-Kia terá à disposição um complexo muito maior ou duas fábricas na mesma região, ambas aptas a produzir veículos sobre a mesma plataforma, a K3. Isso abre grandes possibilidades de compartilhamento da produção — carros de passeio poderiam ser fabricados em uma unidade e utilitários, na outra.
O Kia K4, por exemplo, já utiliza a mesma plataforma que dará origem à próxima geração do Hyundai Creta, evidenciando o potencial de integração fabril.
Assim, se o projeto da Kia sair do papel em 2028, a marca não apenas fará seu tão aguardado ingresso oficial no Brasil, como também representará o alívio do maior gargalo para o crescimento da operação da Hyundai no país.



