Nissan Kicks Advance se destaca como a melhor versão do SUV, apesar do preço elevado
Avaliação do Nissan Kicks Advance 220T revela que a versão intermediária oferece o melhor equilíbrio entre equipamentos, conforto e preço no novo SUV
Avaliação completa mostra que a versão intermediária oferece o melhor equilíbrio entre equipamentos, conforto e custo-benefício no novo Kicks
A segunda geração do Nissan Kicks representa um salto considerável em todos os aspectos. O SUV cresceu, ganhou visual renovado, recebeu novo motor e transmissão inédita. O preço, porém, acompanhou essa evolução — e pode chegar a R$ 199 mil na configuração topo de linha Platinum. Diante desse cenário, a versão Advance 220T se destaca como a escolha mais equilibrada para quem deseja o modelo japonês.
Visual que rompe com o passado
Quem encontrar o novo Kicks na rua dificilmente vai associá-lo ao modelo anterior. A mudança de design é radical e incorpora a nova identidade visual da Nissan, com barras horizontais no conjunto óptico — elementos também presentes na Frontier híbrida projetada na China — e linhas de inspiração futurista.
Na traseira, as lanternas fogem do padrão do segmento. Enquanto a maioria dos concorrentes aposta na já batida barra de LEDs interligando as luzes, o Kicks segue caminho próprio com um formato incomum que quebra a monotonia.
O antigo Kicks, vale lembrar, também tinha seu charme. Tanto que serviu de base para o Kait, essencialmente uma variação profundamente reestilizada do modelo que se chamava Kicks Play. Ainda assim, o novo patamar de design é inegável.
Na Advance, as rodas são de 17 polegadas — bonitas, mas sem o impacto visual das rodas aro 19 disponíveis a partir da versão Exclusive.
Cabine que impressiona ao abrir a porta
A primeira impressão ao entrar no Kicks Advance é positiva. O acabamento evoluiu significativamente em relação ao antigo modelo, que já tinha um padrão satisfatório. Superfícies emborrachadas e montagem bem executada disfarçam os plásticos de qualidade razoável. Detalhes em tecido cinza remetem a veículos de categoria superior, agregando requinte ao ambiente.
O quadro de instrumentos é digital, com tela de 7 polegadas. O mostrador configurável permite exibir diversas informações, incluindo conta-giros, embora o velocímetro digital em branco tenha visual mais espartano.
Já a central multimídia conta com tela de 12,3 polegadas — a mesma presente nas versões mais caras. Trata-se de uma rara exceção entre as marcas japonesas, com interface atraente e recursos variados.
Uma solução de design que chama atenção é o comando do câmbio automatizado de dupla embreagem por meio de teclas no console central. O resultado é um visual minimalista, com bastante espaço livre no console. Ali, apenas um pequeno seletor de modos de condução divide o ambiente — e a sensação é de que poderia haver mais elementos naquele espaço.
Conforto dos bancos e espaço interno
Os bancos dianteiros seguem o conceito que a Nissan batizou de Zero Gravity. São extremamente aconchegantes, mantendo o conforto mesmo após horas de viagem. No banco traseiro, há bom espaço para pernas e cabeça.
O porta-malas de 470 litros figura entre os maiores do segmento de SUVs compactos, superando os já generosos 432 litros do antigo Kicks.
Equipamentos e tecnologia de segurança
O pacote de série da Advance inclui chave presencial, destravamento das portas sem chave, carregador de celular por indução, câmera com visão em 360 graus, faróis full LED e lanternas de LED.
Em termos de assistências à condução, o nível surpreende para uma versão intermediária. O SUV traz alerta de colisão frontal, frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, assistente de permanência em faixa com alerta de saída, farol alto automático, sensor de fadiga e piloto automático adaptativo.
Nem tudo, contudo, é novidade. Os comandos do ar-condicionado analógico são um dos poucos elementos herdados do modelo anterior — um lembrete de que esta não é a configuração mais completa da gama.
Motor turbo: competente, sem pressa
Sob o capô, trabalha o motor 1.0 turbo de três cilindros, projetado pela Horse e fabricado pela Nissan em Resende (RJ). O propulsor entrega 125 cv e 22,4 kgfm de torque, associado a um câmbio automatizado de dupla embreagem com seis marchas.
O conjunto mecânico é o mesmo do Renault Kardian — ambos compartilham a plataforma modular —, mas a calibração é exclusiva do Kicks. Essa diferença se percebe na condução: o motor impulsiona o SUV com desenvoltura em retomadas e ultrapassagens, sem solavancos, ainda que não seja um modelo voltado para quem busca desempenho esportivo. E isso nunca foi a proposta do Kicks.
A substituição do antigo câmbio CVT pela caixa de dupla embreagem — bem escalonada, diga-se — trouxe um ganho significativo no isolamento acústico. As acelerações são muito mais silenciosas, algo impossível no modelo anterior.
Consumo de combustível
As médias registradas ficaram em 8,3 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada com etanol. Abastecido com gasolina, os números sobem para 11,7 km/l e 14,3 km/l. Não se trata de um supereconômico, mas o consumo é razoável. O tanque de 48 litros representa um avanço sobre os 41 litros do antigo Kicks, que era frequentador assíduo dos postos de combustível.
O novo Kicks tem quatro versões — e preços crescentes
A gama do Nissan Kicks é composta por quatro versões: Sense, Advance, Exclusive e Platinum. Dependendo da escolha, os valores podem alcançar R$ 199 mil. A Advance, por R$ 179.990, posiciona-se como a segunda opção da escada.
Veredicto: vale a pena?
Sim. O preço de R$ 179.990 assusta, especialmente num mercado repleto de modelos chineses maiores, mais equipados e até híbridos. Mas quem leva o novo Kicks para casa não vai se decepcionar. O SUV é bonito, espaçoso e seguro. O motor 1.0 turbo cumpre bem seu papel, e o conjunto de equipamentos da Advance justifica a escolha como a melhor versão do modelo.




