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Imposto sobre carros híbridos e elétricos importados vai subir; veja as novas alíquotas 

Alíquota de importação de carros elétricos e híbridos chega a 35% em julho de 2026, encerrando escalonamento do programa Mover e unificando a tributação

AutoRodas 18 de junho de 2026 Atualizado em 18 de junho de 2026 5 min de leitura

Último reajuste do programa Mover encerra escalonamento e iguala tributação a 35% para todos os veículos eletrificados que entram no país

A partir de julho de 2026, qualquer veículo eletrificado que desembarcar no Brasil pagará imposto de importação de 35% — o teto permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para automóveis de passageiros. O quarto e último aumento previsto no cronograma do programa Mover (Mobilidade Verde e Sustentabilidade), criado pelo governo federal em 2024, entrará em vigor com alíquota unificada, sem distinção entre carros elétricos, híbridos ou híbridos plug-in.

Do período de isenção ao escalonamento tributário

O Brasil manteve isenção total sobre a importação de veículos eletrificados desde 2016. A retomada da cobrança veio em janeiro de 2024, com taxas iniciais modestas: 12% para híbridos e híbridos plug-in, e 10% para elétricos. O modelo de elevação progressiva, em formato de “escada”, buscava dar previsibilidade às empresas do setor, com aumentos semestrais que variavam conforme o tipo de motorização.

Evolução das alíquotas por tipo de veículo

  • Híbridos: 12% (jan/2024) → 25% (jul/2024) → 30% (jul/2025) → 35% (jul/2026)
  • Híbridos plug-in: 12% (jan/2024) → 20% (jul/2024) → 28% (jul/2025) → 35% (jul/2026)
  • Elétricos: 10% (jan/2024) → 18% (jul/2024) → 25% (jul/2025) → 35% (jul/2026)

Disputa entre montadoras tradicionais e importadoras nos bastidores

O desfecho dessa tributação é resultado de uma prolongada e acirrada queda de braço em Brasília. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), representante das montadoras tradicionais com operação no país, pressionou fortemente o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A entidade chegou a solicitar a antecipação da alíquota plena, argumentando que a entrada massiva de eletrificados importados — sobretudo da China — gerava concorrência desleal, com preços altamente agressivos que desequilibravam o mercado local.

Na outra ponta, a Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) saiu em defesa do calendário gradual. A entidade alertou que acelerar os reajustes poderia frear o processo de descarbonização da frota brasileira, além de penalizar diretamente o consumidor final.

Vendas de eletrificados seguem em forte expansão

Mesmo diante do cenário de alta tributária, o mercado de carros elétricos e híbridos segue em trajetória ascendente. Em maio de 2026, o segmento registrou 44.981 emplacamentos, um salto de 16,8% em relação a abril, quando 35.516 unidades foram vendidas. Frente a maio do ano anterior, o avanço é de impressionantes 170,3%, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).

Preços vão subir para o consumidor?

A grande dúvida recai sobre o reflexo no bolso de quem compra. Na prática, o aumento do imposto não significa automaticamente veículos mais caros nas concessionárias. Cada marca decide se absorve o reajuste — total ou parcialmente — conforme sua estratégia comercial e suas margens.

Fabricantes com grande volume de vendas e margens mais confortáveis tendem a amortecer o impacto inicial para preservar competitividade. Uma tática já utilizada foi a antecipação de estoques: a BYD, por exemplo, trouxe mais de 7 mil veículos de uma só vez no ano passado, em um único navio, garantindo fôlego comercial antes da virada tributária e do início de sua produção nacional.

Nacionalização como objetivo estratégico do governo

Forçar a nacionalização da tecnologia é uma das metas centrais da barreira tarifária imposta pelo governo federal. A ideia é atrair investimentos bilionários para fabricação local de motores e baterias. BYD e GWM saíram na frente: já operam linhas de montagem em Camaçari (BA) e Iracemápolis (SP), respectivamente. A GWM, inclusive, já apresentou o projeto de um novo complexo fabril em Aracruz (ES), com capacidade para até 200 mil veículos por ano.

Modelo CKD e SKD: vantagens e mudanças na tributação

As operações iniciais dessas fábricas utilizam arranjos CKD (veículos totalmente desmontados) e SKD (parcialmente desmontados). Nesse formato, os componentes chegam da China em kits para montagem final no Brasil. O modelo traz ganhos logísticos expressivos — como a economia de espaço no transporte — e a tributação sobre esses kits é bem menor do que a do veículo pronto, girando entre 16% e 18%.

Originalmente, a taxa sobre kits CKD e SKD também subiria para 35%, mas apenas em 2028. Uma decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), porém, antecipou esse prazo em cerca de 18 meses, fixando janeiro de 2027 como a nova data para que os kits atinjam o teto máximo. Somado a isso, a cota temporária com imposto zero para CKD e SKD — um pacote de transição de US$ 463 milhões voltado às novas montadoras e estabelecido pelo governo federal — expirou em janeiro de 2026 e não foi renovada.

Novas marcas chinesas avançam com produção nacional

Outras fabricantes chinesas já confirmaram planos de fabricação em solo brasileiro. A Omoda Jaecoo vai produzir veículos na fábrica da JLR, instalada em Itatiaia (RJ). A Geely, que estreou no Brasil por meio de uma parceria importante com a Renault, vai fabricar o hatch elétrico EX2 e o SUV híbrido plug-in EX5 na planta da marca francesa em São José dos Pinhais. Além dessas, outras marcas também estão com planos de fabricação no país.

Imposto de carros híbridos e elétricos importados atinge alíquota máxima em julho de 2026
Carros elétricos e híbridos terão imposto unificado de importação — Foto: Divulgação/Codesa