GWM Ora 5 terá produção nacional em nova fábrica no Espírito Santo
GWM oficializa construção de fábrica em Aracruz no Espírito Santo com capacidade de 200 mil veículos por ano e produção confirmada do Ora 5
Unidade em Aracruz terá capacidade para 200 mil veículos por ano e deve começar a operar em 2029
O estado do Espírito Santo se prepara para receber sua primeira fábrica de automóveis. A GWM oficializou nesta terça-feira (30) a construção de um complexo industrial em Aracruz, que terá o Ora 5 — lançamento mais recente da marca no mercado brasileiro — como um dos modelos produzidos nas suas linhas de montagem.
Investimento bilionário e geração de empregos
O empreendimento ocupa uma área útil de aproximadamente 1,7 milhão de metros quadrados e consolida o restante dos R$ 10 bilhões prometidos pela montadora chinesa para o Brasil até 2032. Esse plano de investimentos foi anunciado originalmente em fevereiro de 2026, quando a GWM chegou ao país.
Segundo dados oficiais divulgados pelo governo capixaba, o projeto prevê a geração de até 10 mil empregos diretos e indiretos. Somente durante a fase de obras, entre 1,5 mil e 3,5 mil postos de trabalho devem ser criados.
Capacidade quatro vezes maior que Iracemápolis
Com capacidade para até 200 mil veículos por ano, a nova unidade supera em quatro vezes a fábrica inaugurada em 2025 em Iracemápolis (SP) — a primeira da GWM no Brasil. Lá, são montados a família híbrida Haval H6 e os modelos a diesel Haval H9 e Poer P30.
A planta paulista opera no formato “peça-a-peça”, em que os componentes são importados individualmente e o veículo é inteiramente montado em território nacional, sem kits pré-organizados como nos regimes CKD ou SKD. A meta da fabricante para 2026 é atingir 35% de localização, chegando a 60% em três anos.
Plataforma flexível para diferentes motorizações
A fábrica de Aracruz será projetada para produzir veículos híbridos, elétricos e a combustão em uma mesma plataforma industrial, acompanhando a estratégia global da marca. Essa versatilidade faz sentido especialmente para o Ora 5, que na China já conta com versões híbridas e movidas a combustão, além da elétrica vendida no Brasil.
A expectativa é que a GWM reserve para o futuro complexo capixaba seus projetos de maior volume com produção nacional, incluindo um novo SUV médio — que pode ser o Haval H4, já testado por Autoesporte.
Exportação para a América Latina
Depois de suprir a demanda do mercado brasileiro, a unidade de Aracruz também deverá abastecer países como Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai. A logística será favorecida pelo porto de Aracruz, atualmente em construção e situado a menos de 2 km da futura fábrica.
Cerimônia com autoridades e previsão para 2029
O anúncio foi feito durante uma cerimônia que reuniu executivos da empresa chinesa e autoridades do Governo do Espírito Santo. A previsão da própria marca é que a inauguração aconteça em 2029. Meses antes, a GWM havia confirmado — sem muita convicção — a intenção de erguer uma segunda unidade no país.
Como é o GWM Ora 5?
Irmão maior do Ora 03, o Ora 5 pode ser classificado como um SUV médio, comparável ao Toyota Corolla Cross. Suas dimensões são: 4,47 metros de comprimento, 1,83 m de largura, 1,64 m de altura e 2,72 m de distância entre os eixos. Em comparação com concorrentes na mesma faixa de preço, o modelo entrega quase o mesmo espaço interno do Leapmotor B10, com 1 cm a menos de entre-eixos.
Motor e autonomia
O propulsor elétrico do Ora 5 entrega 204 cv de potência e 26,5 kgfm de torque. Segundo a GWM, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos. A bateria de íons de lítio do tipo lítio-ferro-fosfato (LFP) tem capacidade de 58,3 kWh e oferece autonomia de 349 km conforme medição do Inmetro. No ciclo europeu WLTP, esse número sobe para 435 km, e a GWM afirma que esse dado é mais realista, especialmente em ciclo urbano.
Primeira fábrica de carros do Espírito Santo
Com esse movimento, o Espírito Santo ganha sua primeira fábrica de automóveis. Vale lembrar que a Lecar prometeu uma unidade em Sooretama, a 90 km de Aracruz. No entanto, a cerca de um ano da promessa de inauguração, o local sequer teve as licenças concedidas pelas autoridades.




