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Mercado

Fenabrave admite que carros novos mais baratos estão derrubando os preços dos usados; entenda 

Presidente da Fenabrave admite que carros novos mais baratos pressionam preços dos usados, especialmente no segmento premium, em meio ao avanço chinês.

AutoRodas 19 de agosto de 2026 3 min de leitura

Presidente da entidade aponta que modelos premium são os mais impactados pela queda de preços no mercado automotivo brasileiro

O segmento de veículos usados enfrenta uma pressão inédita. Com os carros novos cada vez mais baratos nas concessionárias — puxados por bônus agressivos, campanhas mensais dos fabricantes e a concorrência crescente de marcas chinesas —, os seminovos precisaram recuar na tabela para não perder competitividade. A constatação foi feita publicamente por Arcelio Júnior, presidente da Fenabrave, durante o congresso nacional da entidade.

O cenário descrito no congresso da Fenabrave

O evento, que reuniu concessionários e fornecedores de todo o Brasil, aconteceu no Expo Imigrantes, na zona sul de São Paulo. Na ocasião, Arcelio Júnior detalhou como o realinhamento de preços praticado por montadoras e importadores está atingindo em cheio o mercado de usados, sobretudo no segmento premium.

“E quanto maior o valor do automóvel, maior pode ser o impacto em reais”, argumentou o executivo.

Projeção de crescimento e dados do setor

Com base nos números de julho, o setor projeta crescimento de 8% em 2026, com expectativa de ultrapassar 2,9 milhões de novas unidades emplacadas — considerando automóveis, ônibus e caminhões. A Fenabrave representa atualmente 8.533 concessionárias espalhadas por 951 municípios, gerando mais de 383 mil empregos diretos. Esses dados são atualizados mensalmente pela entidade.

Preços artificiais ficaram no passado

Durante anos, automóveis mais caros viveram uma realidade de valores sustentados artificialmente. A escassez de estoques para entrega, a falta de insumos de fabricação, a inflação e a baixa oferta mantiveram os preços em patamares elevados — uma condição que agora se desfaz.

O carro novo zero-quilômetro passou a receber descontos maiores nas lojas, enfrentando concorrência acirrada entre marcas nacionais e estrangeiras. Basta observar os movimentos de Fiat, Chevrolet, Volks, Renault e Toyota, que chega a oferecer até R$ 60 mil de redução no SUV SW4, por exemplo.

O efeito dominó sobre os seminovos

Para quem vende ou compra um usado, tornou-se indispensável acompanhar essa onda de reduções, sob o risco de ver o veículo encalhar — seja na mão do proprietário que deseja negociar, seja nos estoques das revendas.

Já não faz sentido dizer “eu quero ou pago 100% da Fipe”, porque isso pode ser uma pegadinha, um jogo de números. As campanhas mensais dos fabricantes geram bônus que empurram os preços dos zero-quilômetro para baixo, e modelos intermediários novos podem ficar próximos dos seminovos equipados. A correção mais rápida da Fipe amplifica o impacto, atingindo especialmente os modelos de luxo.

Transformação no varejo e avanço chinês

Em entrevista à CNN, Arcelio Júnior também chamou atenção para outra mudança significativa no varejo automotivo do país: a presença cada vez maior das marcas chinesas dentro das próprias estruturas dos grupos de concessionárias.

Atualmente, essas marcas respondem por cerca de 16% dos revendedores autorizados no Brasil, somando aproximadamente 1.380 unidades. Em alguns estados, chegam a representar mais de 40% do faturamento dos grupos.

O comprador brasileiro redescobre a desvalorização

O dado revelado pela Fenabrave ajuda a dimensionar a velocidade com que o negócio automotivo se transforma. O consumidor brasileiro começa a perceber que a desvalorização do veículo voltou a fazer parte da equação — especialmente no segmento dos automóveis mais caros, onde o mercado já não obedece à lógica que prevaleceu nos últimos anos.