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Elétricos

Brasil supera marca de 25 mil pontos de recarga rápida para carros elétricos 

Brasil alcança 25.455 pontos de recarga para carros elétricos até maio de 2026, com crescimento acelerado impulsionado por nova legislação e expansão regional

AutoRodas 22 de junho de 2026 Atualizado em 22 de junho de 2026 4 min de leitura

Infraestrutura de recarga avançou em três meses quase o equivalente ao crescimento anual anterior, com destaque para a região Norte e para a interiorização da rede

A rede de carregadores rápidos em corrente contínua (DC) foi a que mais se expandiu no período: um salto de 32,8%, passando de 6.479 para 8.606 unidades. Esse tipo de equipamento responde agora por 34% do total de pontos de recarga públicos e semipúblicos mapeados no país. Os outros 66% — 16.836 unidades — são de recarga lenta em corrente alternada (AC).

O balanço geral, consolidado pela ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico) em parceria com a plataforma Tupi Mobilidade Elétrica, contabilizou 25.455 pontos instalados até maio de 2026. O número representa um avanço de 20,9% sobre o levantamento anterior, de fevereiro, quando existiam 21.060 conectores. Em apenas um trimestre, a rede cresceu em ritmo quase equivalente ao que antes se observava ao longo de doze meses.

Recarga lenta ganha fôlego com nova legislação em São Paulo

Embora os carregadores rápidos tenham registrado a maior alta percentual, o comportamento dos pontos de recarga lenta também chamou a atenção dos analistas. Nos doze meses que antecederam o mapeamento de fevereiro, os carregadores AC tinham avançado apenas 17,6%. No trimestre encerrado em maio, o crescimento foi de 15,5% — praticamente replicando em três meses o que antes demandava um ano inteiro.

Esse salto coincide com a sanção da Lei 18.403/2026, em São Paulo, que assegura a moradores de condomínios o direito de instalar carregadores em suas vagas privativas. A medida derrubou uma das barreiras históricas mais relevantes para a recarga doméstica e semipública no Brasil.

“Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram, e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso”, avalia Davi Bertoncello, diretor de Comunicação da ABVE e diretor executivo da Tupi.

Norte lidera a expansão e interior entra no mapa

Todas as regiões registraram crescimento, mas em velocidades distintas. A região Norte foi a que mais avançou: alta de 31,1% no total de pontos e impressionantes 51% de expansão nos carregadores DC — o maior índice regional do país.

Logo atrás vieram Centro-Oeste (+23,7%) e Sul (+23,4%), ambas com forte avanço nos carregadores rápidos (36,3% e 35,8%, respectivamente). Já o Sudeste, detentor da maior base instalada do Brasil, cresceu 18,1% — ritmo mais contido, porém ainda com o maior volume absoluto de novos pontos.

Um dado revelador: quatro das cinco regiões — Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul — registraram expansão acima de 33% na recarga rápida. Isso sinaliza uma transformação no perfil da infraestrutura nacional. Áreas mais distantes dos grandes centros já nascem com foco em recarga rápida, impulsionadas por corredores logísticos e rodoviários.

Interiorização da mobilidade elétrica

A presença geográfica da rede também se ampliou. O número de municípios atendidos saltou de 1.649 em fevereiro para 1.832 em maio, um avanço de 11,1%. O Centro-Oeste liderou essa interiorização, com crescimento de 21,7% nas cidades cobertas, seguido pelo Nordeste (10,2%). A mobilidade elétrica começa a alcançar cidades menos populadas, polos turísticos e rotas de transporte, deixando de se concentrar exclusivamente nas capitais.

Nova geração de carregadores ultrarrápidos impulsiona o avanço

Na avaliação de Davi Bertoncello, os dados mais recentes sinalizam uma mudança de patamar na infraestrutura elétrica brasileira — não apenas em quantidade, mas também em qualidade tecnológica. “Dois movimentos definem este trimestre. Os carregadores lentos (AC), que vinham em baixa, reagiram, e a regulamentação de São Paulo, garantindo recarga em condomínios, tem papel direto nisso. E o crescimento dos carregadores rápidos (DC) começa a ser puxado por uma nova geração de carregadores ultrarrápidos, com potências que hoje chegam a 480 kW e muitas vezes com quatro a dez posições de recarga.”

Para o executivo, o país deixou para trás a fase experimental. “O Brasil saiu da fase de teste e entrou na fase de escala. Estamos construindo a infraestrutura energética que vai sustentar a eletrificação do país.”