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Bentley Supersports: o modelo mais leve e agressivo da marca homologado para as ruas

Bentley Supersports surge como o modelo mais leve e agressivo da marca em 85 anos, com 666 cv e tração exclusivamente traseira

AutoRodas 1 de setembro de 2026 6 min de leitura

Com 666 cv e tração traseira exclusiva, o GT mais radical da Bentley em 85 anos nasce sob o comando de um ex-Porsche

O motor V8 4.0 biturbo que equipa o Bentley Supersports passou por modificações profundas. Virabrequim reforçado, cabeçotes aprimorados e turbos operando com maior pressão resultam na maior potência específica da história da marca: 166,5 cv/l, totalizando 666 cv e 81,6 kgfm de torque. O propulsor respira por um sistema de escapamento de titânio desenvolvido em parceria com a especialista Akrapovič. Segundo Mathias Raabe, diretor técnico da marca, o som é bem mais expressivo que o de qualquer outro Bentley e é “tudo natural”.

DNA de competição vindo da Porsche

Frank-Steffen Walliser, recrutado da Porsche em 2024 para assumir o cargo de CEO da Bentley, imprimiu sua filosofia esportiva neste que é o primeiro projeto completo desenvolvido sob seu comando. Os princípios que guiaram a criação do Supersports são clássicos do automobilismo: mais potência, menos peso, melhor capacidade de colocar a força no asfalto e aerodinâmica refinada para colar o carro ao chão.

Dieta radical: o Bentley mais leve em 85 anos

Com quase meia tonelada a menos que o Continental GT, o Supersports é o primeiro modelo da linha a ficar abaixo dos 2.000 kg — e o Bentley mais leve produzido nas últimas oito décadas e meia.

Boa parte dessa redução veio do conjunto mecânico. O sistema híbrido plug-in, que demandaria uma pesada bateria, foi descartado. A tração é exclusivamente traseira — uma estreia entre os Continental GT homologados para rodar nas ruas. Com isso, componentes como o eixo de transmissão do sistema de tração integral foram eliminados.

O teto, que nos Continental GT convencionais é de alumínio, deu lugar a uma peça de fibra de carbono, contribuindo também para rebaixar o centro de gravidade. No interior, os dois bancos traseiros, suas colunas e os chicotes do sistema de áudio foram removidos. Materiais de isolamento acústico saíram de todo o habitáculo. Alguns sistemas de assistência ao motorista também foram deixados de fora, já que este é um GT muito mais voltado às pistas.

Aerodinâmica funcional, sem concessões à estética

Praticamente todos os novos elementos externos da carroceria são feitos de fibra de carbono. Cada um tem função prática — reduzir peso e aprimorar o fluxo de ar. Nenhum está ali apenas por estética.

Em conjunto, esses apêndices geram mais de 300 kg de carga aerodinâmica em relação a um Continental GT Speed a 250 km/h. Essa força extra também otimiza a distribuição de peso entre os eixos, que parte de 54% na dianteira e 46% na traseira com o carro parado. Conforme a velocidade sobe, a traseira “ganha peso”.

O para-choque dianteiro inferior é inédito e incorpora o maior splitter frontal já instalado em um Bentley de rua. Dois novos canais de refrigeração de cada lado reduzem a temperatura dos freios e do motor. A grade de malha de alumínio, cortada a laser, traz desenho exclusivo.

Novos perfis atrás das rodas dianteiras e saias laterais diminuem a sustentação em acelerações fortes, enquanto melhoram o fluxo de ar pelas laterais. Na traseira, um difusor redesenhado trabalha em conjunto com um aerofólio fixo instalado no topo da tampa do porta-malas.

Interior focado em performance

O habitáculo recebeu revestimentos de fibra de carbono e uma combinação de couro natural com o sintético Dinamica. No lugar da segunda fileira de bancos, uma estrutura monocoque de fibra de carbono revestida em couro ocupa o espaço.

Transmissão e tração traseira com diferencial eletrônico

O câmbio é o automatizado de dupla embreagem e oito marchas da ZF, já conhecido na linha Bentley, porém equipado com embreagens reforçadas e nova estratégia de trocas. As mudanças são mais rápidas, com atenção especial às reduções durante frenagens, o que melhora a estabilidade do Supersports.

A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 3,7 segundos. A velocidade máxima alcança 310 km/h. A potência chega exclusivamente às rodas traseiras por meio de um diferencial eletrônico de deslizamento limitado, o eLSD. A bitola traseira é 16 mm maior que a do Continental GT.

O eLSD atua em conjunto com o sistema de vetorização de torque por frenagem para otimizar a entrada em curvas e a tração. A direção nas rodas traseiras foi mantida para garantir máxima agilidade e estabilidade. Os ajustes da direção, suspensão, gerenciamento de tração e controle eletrônico de estabilidade são totalmente novos.

Controle de estabilidade com múltiplos níveis

As configurações do controle de estabilidade oferecem ao motorista diferentes graus de intervenção. Há desde atuação mínima até o Modo Dinâmico, que permite determinado nível de derrapagem e sobresterço dentro dos limites definidos pelo sistema, além da possibilidade de desligamento total.

Três modos de chassi e função Lift

O Supersports estreia três configurações de chassi. Touring equivale ao modo Sport do Continental GT Speed, mas combina esse ajuste com maior altura livre do solo — 104 mm —, amortecimento mais macio e som de escapamento discreto.

O modo Bentley eleva o nível esportivo, com alterações na estratégia do câmbio, na resposta do acelerador e no chassi. As válvulas do escapamento se abrem, e o launch control fica disponível. Já o modo Sport, que rebaixa o carro em 1 cm, extrai o máximo das respostas do chassi e do conjunto mecânico. Para situações cotidianas — como entrar e sair de garagens —, a função Lift eleva a dianteira em 5,5 cm.

Suspensão de alto desempenho e controle de rolagem

Na dianteira, a suspensão usa braços duplos de alumínio. Na traseira, um eixo multibraço. Molas pneumáticas e novos amortecedores de câmara dupla, controlados individualmente nas fases de compressão e extensão, completam o conjunto.

O Bentley Dynamic Ride, sistema de controle eletrônico da estabilidade da carroceria, é capaz de aplicar até 132,6 kgfm de torque de resistência à rolagem em cada eixo em apenas 0,3 segundo.

O maior sistema de freios já visto em um carro de produção

A frenagem utiliza o maior conjunto de freios já instalado em um automóvel de produção. Na dianteira, discos de carbono-silício-carboneto de 440 mm com pinças de dez pistões. Na traseira, discos de 410 mm com pinças de quatro pistões. As pinças são pretas de série, com opção de pintura vermelha.

As rodas são de liga leve de alumínio forjado e usinado, com 22 polegadas, desenvolvidas em parceria com a especialista Manthey Racing. Duas opções de pneus estão disponíveis: Pirelli P Zero de série e o novo Trofeo RS de alta performance como opcional.

Com os Trofeo RS, as alterações no chassi e a redução de peso permitem ao Supersports fazer curvas aproximadamente 30% mais rápido que um Continental GT Speed, com força lateral máxima de até 1,3 g.

O retorno da Bentley aos carros extremos

Antes de entrar na pista de Laguna Seca, o atual CEO da Bentley confirmou a importância do momento: “Este carro é mais do que apenas o Bentley mais focado no motorista de todos os tempos. É o retorno da nossa marca à produção de automóveis mais extremos e, pessoalmente, é o primeiro projeto completo desde que entrei na Bentley”.

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