Robotaxi da Chery com autonomia nível 4 será vendido pela Omoda em mercados globais
Chery revela Robotaxi autônomo nível 4 projetado do zero para operar sem motorista e anuncia comercialização global pela marca Omoda e Jaecoo
Veículo foi projetado do zero para operar sem motorista e já conta com parceria nos Emirados Árabes para expansão internacional
Um veículo desenvolvido desde a prancheta para rodar sem condutor humano foi revelado pela Chery Auto durante o International User Summit 2026, realizado em Wuhu, na China. O Robotaxi, que opera com condução autônoma nível 4 (L4), representa a entrada da montadora chinesa no segmento de transporte autônomo comercial — e já nasce com ambições internacionais.
A distribuição global do modelo ficará a cargo da marca Omoda & Jaecoo, braço do Grupo Chery que já possui operações em diversos países, incluindo o Brasil. No entanto, não há previsão de chegada do carro ao mercado brasileiro. A legislação nacional ainda carece de atualizações para permitir a operação desse tipo de serviço no país.
Protótipo baseado no Exeed EX7
O modelo exibido no evento — que contou com cobertura da CNN Brasil — é um Exeed EX7, SUV de grande porte equipado com motorização elétrica de 480 cv e autonomia de 600 km no ciclo chinês. Apesar de ter sido usado como base para apresentação, o Robotaxi definitivo não será uma simples adaptação de um carro convencional com sensores acoplados.
Segundo a Chery, o projeto foi concebido desde o início para atender demandas de uma operação comercial sem motorista: transporte de passageiros, gerenciamento de frota e procedimentos de manutenção. Especificações técnicas como dimensões, capacidade de bateria, autonomia e desempenho do conjunto motriz ainda não foram reveladas pela fabricante.
Parceria estratégica com os Emirados Árabes
Para acelerar a implantação internacional, a Chery firmou uma parceria estratégica com a K2, empresa dos Emirados Árabes Unidos. O acordo visa viabilizar a expansão do serviço de Robotaxi para mercados fora da China, embora a montadora ainda não tenha detalhado em quais países o veículo já está autorizado a operar.
Como será a experiência de viagem sem motorista
O funcionamento do serviço começa pelo aplicativo. O passageiro solicita a corrida, e um sistema conectado à nuvem identifica o endereço de embarque, enviando o Robotaxi até o local. Antes mesmo da chegada, o usuário poderá ajustar a temperatura da cabine de forma remota.
Ao chegar ao ponto de embarque, o veículo aciona as luzes de emergência para sinalizar que está pronto. Portas e porta-malas podem ser desbloqueados diretamente pelo aplicativo. Todo o percurso ocorre sem motorista a bordo e sem necessidade de intervenção manual, de acordo com a descrição divulgada pelas marcas.
Operação além do transporte de passageiros
O veículo não foi projetado apenas para levar pessoas de um ponto a outro. Entre suas funções autônomas estão:
- Deslocamento entre pontos de atendimento sem intervenção humana
- Reposicionamento automático da frota
- Recarga de energia
- Limpeza e inspeções
A intenção é reduzir ao máximo a necessidade de trabalho manual na preparação dos automóveis e aumentar a disponibilidade dos carros para novas corridas. Esses recursos são fundamentais para a viabilidade econômica de um serviço de Robotaxi, que depende de logística, manutenção, recarga e gestão de veículos em larga escala. Ainda assim, a fabricante não apresentou dados sobre custos por quilômetro, produtividade ou capacidade de atendimento.
Cinco princípios de desenvolvimento e segurança em seis camadas
A Omoda & Jaecoo afirma ter adotado cinco princípios norteadores para o projeto: arquitetura própria, integração à fábrica, experiência específica para passageiros, operação autônoma e adaptação a diferentes mercados. A premissa central é incorporar os sistemas de condução sem motorista desde a concepção do veículo, e não instalá-los posteriormente em um modelo convencional de produção.
No quesito segurança, a estrutura anunciada abrange seis áreas distintas: proteção dos ocupantes, percepção do ambiente, treinamento e tomada de decisão dos algoritmos, redundância dos sistemas de execução, monitoramento comportamental pela nuvem e gerenciamento da frota.
Percepção avançada e redundância de sistemas
A empresa descreve um sistema de percepção que combina recursos táteis, visuais, acústicos e baseados em ondas. O objetivo é ampliar a capacidade do veículo de identificar obstáculos e interpretar o ambiente ao redor. Já a redundância nos componentes de execução foi projetada para impedir que uma falha isolada comprometa o funcionamento do carro.
Desafio da adaptação a legislações de diferentes países
Regras de trânsito, condições climáticas e disponibilidade de redes de comunicação variam enormemente entre regiões. A fabricante garante que seus sistemas de condução inteligente passaram por certificações em estruturas regulatórias internacionais, incluindo normas da UN/ECE, e que a validação considera condições de mais de 130 países e regiões. Ainda assim, não foram especificados os mercados onde o Robotaxi já conta com autorização para operar.
Estratégia tecnológica mais ampla da Chery
O projeto do Robotaxi se insere em uma estratégia maior do Grupo Chery. Na Conferência Global de Inovação, também em Wuhu, a montadora apresentou aplicações em inteligência artificial, robótica e energia. Entre os destaques estão os robôs da AiMOGA, que utilizam tecnologias originalmente desenvolvidas para veículos e já foram comercializados em mais de 60 países e regiões, segundo a companhia.
A Chery também exibiu soluções de recarga rápida e integração entre veículos elétricos e redes de energia, incluindo tecnologia V2G — que permite devolver eletricidade armazenada nas baterias dos carros à rede elétrica. O plano da empresa é instalar 20 mil estações compatíveis com esse sistema até 2029.
