Toyota reabre fábrica em Porto Feliz um ano após destruição causada por vendaval
Toyota inaugura nova fundição em Porto Feliz um ano após vendaval destruir fábrica de motores e retoma atividades no complexo original
Companhia retoma atividades no espaço original após microexplosão atmosférica destruir telhado e paralisar produção de motores
Exatamente um ano depois de uma microexplosão atmosférica devastar a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), a montadora japonesa celebra um marco significativo na reconstrução: a inauguração de uma nova fundição no complexo industrial. A estrutura agora conta com reforços metálicos 45% mais resistentes em comparação ao projeto original.
A catástrofe que paralisou tudo em três minutos
O desastre aconteceu em 22 de setembro de 2025, quando o vendaval arrancou o telhado da unidade fabril. Instantes antes da tempestade, uma queda de energia acionou automaticamente o protocolo de segurança, evacuando os funcionários da área principal. Apenas três minutos depois, a cobertura inteira desabou.
Gilberto Paulino, diretor industrial da Toyota, recorda o momento com clareza: “Quando consegui falar com alguém, a pessoa estava apavorada e eu escutava gritos no fundo. Então ela falou: ‘destruiu Porto Feliz'”. A evacuação ágil impediu que houvesse acidentes graves entre os trabalhadores.
“O telhado não existia mais. Chuva, sol e os equipamentos de altíssima precisão ali. Precisávamos tomar ações rápidas”, afirma o executivo. Com a linha de montagem completamente exposta às intempéries, a fabricante deu início imediato a uma operação de emergência para proteger o maquinário e manter os projetos em curso.
Sala de guerra e a corrida contra o tempo
A direção da empresa montou uma “Obeya” — sala de guerra na filosofia corporativa japonesa, voltada para decisões rápidas — com o objetivo de retomar a produção no menor prazo possível. O temor era de que os atrasos comprometessem o lançamento do Yaris Cross.
A diretriz da matriz brasileira foi categórica: toda a equipe deveria permanecer unida em um único local durante a reconstrução, evitando a fragmentação da operação. A prioridade imediata era retirar mais de 800 máquinas do local destruído.
O galpão provisório e os desafios elétricos
Como solução temporária, a Toyota escolheu o condomínio empresarial DVR, localizado a 11 quilômetros da fábrica de veículos de Sorocaba (SP). O espaço oferecia galpões recém-inaugurados com piso de alta resistência, refeitório e pátio adequados à operação.
No entanto, o maior obstáculo era a capacidade elétrica do local, dimensionada apenas para iluminação básica. Uma subestação de energia que normalmente levaria dez meses para ser construída ficou pronta em apenas três, graças ao apoio da concessionária local. Para não atrasar a reinstalação das máquinas, os primeiros testes do maquinário foram realizados com geradores portáteis.
A transferência do parque industrial envolveu a remoção de 622 máquinas, transportadas num ritmo de dez unidades por dia. “O que demora quatro meses para fazer um layout desse, nós fizemos em quatro dias”, destaca Paulino. Em 26 de janeiro de 2026 — quatro meses após o desastre — a produção foi oficialmente retomada no galpão provisório.
Perdas na fundição e alternativas internacionais
O apagão provocado pelo vendaval causou perdas irreparáveis em equipamentos da área de fundição. “Quando acabou a energia, faltou gás para a linha de alta pressão. O alumínio solidificou, mas depois conseguimos reaquecer e recuperar. Já o da baixa pressão, responsável pelo cabeçote, nós perdemos”, detalha o diretor.
Diante da impossibilidade de fundir peças nacionalmente, a Toyota adotou uma estratégia global: enviou moldes exclusivos para o Japão e para a Indonésia, garantindo o fornecimento contínuo das peças de alumínio necessárias à produção.
Foco no motor 1.5 do Yaris Cross
No complexo provisório, a operação concentrou-se na usinagem e montagem do motor 1.5 do Yaris Cross. Trata-se de uma versão exclusiva para o mercado brasileiro, equipada com tecnologia híbrida flex e injeção direta. A unidade entrega atualmente 400 propulsores por dia.
Já a linha do motor 2.0 flex, utilizado nos modelos Corolla e Corolla Cross, teve seus equipamentos apenas armazenados no galpão provisório. A matriz japonesa absorveu a demanda desse propulsor. Como o motor fabricado no Japão não possui tecnologia flex, Porto Feliz exporta peças de fornecedores nacionais e importa o motor pronto.
Retorno gradual e futuro da produção
Com a nova fundição inaugurada e reforçada estruturalmente, a previsão da companhia é devolver toda a produção do motor 2.0 à fábrica de origem até 2028.
Para o motor 1.5, contudo, ainda não existe data definida para o retorno ao prédio original. Gilberto Paulino explica que a transferência exigirá uma paralisação da produção de veículos em Sorocaba durante o período de movimentação e reinstalação das máquinas. Segundo o diretor, um estudo está em andamento para definir a melhor estratégia — possivelmente com a criação de um estoque que permita uma transferência gradual, minimizando o impacto na linha de montagem.
