BYD realiza 350 recargas ultrarrápidas em 9 dias para testar degradação de bateria do Yangwang U7; veja o resultado
BYD submeteu o Yangwang U7 a 350 recargas ultrarrápidas em nove dias e a bateria manteve 98,7% da capacidade original após 30 mil quilômetros
A busca por tempos de recarga cada vez menores nos veículos elétricos levanta uma questão crucial: submeter baterias a carregamentos de altíssima potência repetidamente pode comprometer sua vida útil? A BYD resolveu colocar essa dúvida à prova de maneira extrema.
30 mil quilômetros em apenas nove dias
A fabricante chinesa conduziu um experimento intenso na cidade de Nanning, na China, utilizando um sedã Yangwang U7 que, segundo a marca, foi selecionado aleatoriamente em uma concessionária, sem qualquer preparação especial.
Durante nove dias consecutivos, o veículo percorreu 30 mil quilômetros em uma pista de testes, alcançando velocidades de até 240 km/h. Para manter o ritmo, foram necessárias 350 sessões de recarga ultrarrápida, com picos de potência de até 640 kW.
A tecnologia Flash Charging de nova geração da BYD permite levar modelos compatíveis de 10% a 97% de carga em aproximadamente nove minutos.
Condições adversas e resultado surpreendente
As circunstâncias do teste foram particularmente desafiadoras para o conjunto de baterias. A temperatura média ambiente durante o período girou em torno de 36 °C, somada ao estresse térmico gerado pelas altas velocidades e pelas recargas consecutivas em potências elevadas.
Mesmo assim, ao final do experimento, a bateria do Yangwang U7 apresentou 98,7% de sua capacidade original, representando uma degradação de apenas 1,3%.
Por que esse resultado é relevante?
- Recargas rápidas geram mais calor e exigem desempenho máximo do sistema de gerenciamento térmico das células;
- O veículo enfrentou centenas de ciclos consecutivos sem perda expressiva de capacidade;
- Baterias de íons de lítio costumam apresentar degradação inicial mais acentuada, o que torna o resultado de 1,3% ainda mais significativo após uso tão severo.
Recarga rápida é inofensiva para a bateria, então?
Não é tão simples assim. O teste demonstra que a bateria e seu sistema de gerenciamento térmico foram capazes de suportar uma sequência extrema de carregamentos de alta potência. No entanto, o experimento não reproduz todos os fatores que influenciam a degradação ao longo da vida útil de um veículo.
O envelhecimento natural pelo tempo também é um componente importante. Uma bateria utilizada por apenas nove dias, ainda que intensamente, não está sujeita aos mesmos efeitos de anos de uso, com variações sazonais de temperatura, diferentes padrões de condução e longos períodos estacionada.
Ainda assim, os números apresentados pela BYD representam um indicador positivo sobre a evolução da tecnologia de baterias e dos sistemas de recarga ultrarrápida.

