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Elétricos

DFM Vigo: SUV elétrico que desafia o T-Cross chega ao Brasil por cerca de R$ 150 mil

DFM Vigo chega ao Brasil como SUV elétrico compacto rival do T-Cross com motor de 163 cv e preço estimado em R$ 150 mil

AutoRodas 17 de agosto de 2026 6 min de leitura

Modelo da Dongfeng combina entre-eixos maior que o de um Corolla sedã, 500 litros de porta-malas e motor de 163 cv em um pacote compacto

Com 57 concessionárias já confirmadas e estreia marcada para o Festival Interlagos, a Dongfeng — que operará sob a marca DFM no Brasil — prepara sua ofensiva comercial no país ainda neste trimestre. A fabricante chinesa também negocia a instalação de uma fábrica local até 2028. Entre os dois primeiros modelos destinados ao mercado brasileiro, o DFM Vigo se posiciona como um SUV compacto elétrico de porte equivalente ao de um Hyundai Creta ou Volkswagen T-Cross, com design que remete à identidade visual atual da Kia.

Plataforma inédita e dimensões generosas

Conhecido na China como Nammi 06, o Vigo é um projeto novo, desenvolvido sobre a plataforma Quantum Architecture S3 da Dongfeng. O modelo foi lançado globalmente em 2025, sempre na configuração puramente elétrica. Suas medidas chamam atenção: são 4,31 metros de comprimento, 1,87 m de largura e 1,65 m de altura.

O entre-eixos de 2,72 m é um dos grandes trunfos do DFM Vigo — são 2 cm a mais do que o de um Toyota Corolla sedã. Essa proeza dimensional em um carro compacto só é viável graças à motorização elétrica, que dispensa um cofre de motor volumoso e permite reduzir o balanço dianteiro.

Porta-malas com dois andares e 500 litros

A equipe da Autoesporte teve acesso a uma unidade estática do Vigo e pôde confirmar que o porta-malas de 500 litros é, de fato, um dos destaques do modelo. O compartimento é dividido em dois níveis: o assoalho principal abriga um espaço fundo, e abaixo dele existe um segundo compartimento que pode receber bagagem extra — ou até um estepe, já que o projeto prevê essa possibilidade.

Ainda não se sabe se a DFM optará por incluir o estepe, o que reduziria o volume útil total, ou se adotará um kit de reparo emergencial, solução comum em outros veículos chineses vendidos no Brasil.

Motor elétrico de 163 cv e bateria LFP

O Vigo utiliza um motor elétrico dianteiro síncrono de ímãs permanentes, capaz de entregar 163 cv de potência e 23,4 kgfm de torque. Segundo os dados oficiais, o SUV completa a aceleração de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos. Alimentando o conjunto, há uma bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) com capacidade de 51,9 kWh, que proporciona autonomia de até 470 km no ciclo europeu WLTP. Na homologação do Inmetro, a expectativa é que esse alcance fique próximo dos 300 km.

Sobre recarga, a DFM ainda não divulgou a potência oficial para o mercado brasileiro. Em outros países, o elétrico aceita carregamento rápido (DC) de até 167 kW, recuperando de 30% a 80% da bateria em apenas 18 minutos. Nas tomadas lentas (AC), a velocidade máxima é de 6,6 kW.

Dianteira com traços de Kia EV3 e um ponto fraco

Na parte frontal, o DFM Vigo exibe faróis de LED com projetores conectados por uma barra em preto brilhante no contorno inferior do capô, formando um desenho em formato de bumerangue que lembra o Kia EV3. Apesar de a motorização ser dianteira, o cofre do motor apresenta um espaço considerável — mas a reportagem identificou um vacilo no projeto: a fabricante não aplicou uma cobertura plástica que possibilitaria um bagageiro dianteiro, como faz o Geely EX2. Todo o conjunto com inversor, cabos de alta tensão (devidamente isolados) e reservatórios de fluidos fica exposto.

Detalhes externos que fogem do padrão

O Vigo surpreende ao dispensar maçanetas escamoteáveis, comuns em outros modelos chineses. Em vez disso, as portas contam com abertura por botão com auxílio elétrico, num sistema semelhante ao da tampa da caçamba de uma Fiat Toro. As rodas são de liga leve com pneus 215/60 R17, de uma marca chinesa chamada Wanli, e os freios são a disco nas quatro rodas.

Na traseira, as lanternas bipartidas também são de LED, em formato de L, integradas por uma faixa em preto brilhante que atravessa toda a tampa do porta-malas — cuja abertura é manual. Um detalhe curioso: o letreiro na parte inferior esquerda ainda exibe o nome Dongfeng em vez da sigla DFM adotada para o mercado brasileiro. Resta saber se isso será corrigido nas unidades comercializadas.

A unidade avaliada pela reportagem também não apresentava teto solar.

Interior refinado e soluções inteligentes

Ao contrário do DFM Box, que possui portas com abertura diferenciada, o Vigo adota portas laterais convencionais com vidros emoldurados. Por dentro, o acabamento se destaca, seguindo o padrão elevado dos carros chineses atuais. Um item surpreendente são os botões internos para abertura das portas, substituindo as tradicionais maçanetas com acionamento mecânico.

Para situações de emergência, no entanto, há maçanetas mecânicas escondidas dentro dos porta-objetos das portas, garantindo segurança mesmo em caso de falha elétrica.

Materiais e revestimentos

O habitáculo conta com uma porção generosa de elementos macios ao toque, console central elevado, bancos revestidos em couro sintético e painel com faixa central imitando metal escovado. As guarnições das portas traseiras mantêm o mesmo padrão de qualidade das dianteiras — algo raro no segmento de compactos.

Multimídia, console e equipamentos

O painel abriga uma central multimídia de 12,8 polegadas, muito semelhante à encontrada em outros modelos chineses comercializados no Brasil, incluindo uma barra fixa na base para acesso rápido a configurações do veículo e ao ar-condicionado. O quadro de instrumentos é digital, com tela de 8,8 polegadas. No teto, o retrovisor eletrocrômico sem moldura lateral completa o conjunto.

Os bancos dianteiros oferecem ajustes elétricos e opção de aquecimento ou ventilação. Entre eles, o console central traz um apoio de braço macio com grande porta-objetos integrado, carregador de celular por indução ventilado de 50 Watts e um bolsão amplo na parte inferior, com dois porta-copos escamoteáveis.

Banco traseiro espaçoso para quatro adultos

O banco traseiro é bipartido e dispõe de apoio de braço escamoteável na posição central. O encosto de cabeça do meio, porém, fica embutido no encosto lombar e não permite ajuste. O espaço interno é favorecido pelo assoalho plano: pernas, ombros e cabeça ficam bem acomodados em todas as posições, permitindo que quatro adultos de estatura alta viajem com conforto.

Completam os recursos da segunda fileira: alças de teto, revisteiros, luzes de LED, duplo difusor de ar traseiro e uma tomada USB do tipo C.

Contexto de chegada ao Brasil

O DFM Vigo será um dos dois primeiros modelos da marca no país, ao lado do Box — um hatch compacto que rivalizará com BYD Dolphin Mini e Geely EX2. A DFM inicia suas operações com uma rede de 57 concessionárias já confirmadas e negocia a aquisição de uma planta industrial para produção local até 2028.