11 de setembro de 2026 23°C São Paulo, SP
Assine
Elétricos

Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos ‘envenenados’ elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12

Lamborghini Revuelto SV combina motor V12 com três propulsores elétricos para entregar 1.065 cv e produção limitada a 1.963 unidades

AutoRodas 16 de agosto de 2026 5 min de leitura

Versão Super Veloce do superesportivo híbrido aposta em aerodinâmica extrema, redução de peso e controle de tração refinado para dominar as pistas

A produção será restrita a 1.963 unidades — número que homenageia o ano de fundação da Lamborghini. A tiragem calculada mira diretamente colecionadores fiéis à marca e, na prática, garante liquidez quase imediata para a empresa, antes mesmo de as entregas começarem.

A apresentação oficial aconteceu em Monterey, na Califórnia, durante a Monterrey Car Week. O Revuelto Super Veloce — ou simplesmente SV — chega como a variante mais radical do superesportivo híbrido, unindo o lendário motor V12 a três propulsores elétricos para atingir 1.065 cv de potência combinada. Em vez de buscar apenas números brutos de cavalaria, a equipe de engenharia priorizou aprimoramento aerodinâmico e alívio de peso.

O projeto surge como resposta direta ao desafio de preservar a relevância dos grandes motores a combustão em tempos de eletrificação acelerada. A plataforma híbrida foi explorada para compensar a massa extra das baterias com patamares de downforce muito superiores aos da versão convencional, transformando o carro em uma máquina consideravelmente mais afiada para track days.

Aerodinâmica repensada e suspensão de DNA competitivo

Todo o pacote aerodinâmico foi redesenhado tendo como premissa neutralizar o peso adicional do sistema elétrico. Na parte dianteira, um novo divisor e o assoalho modificado canalizam o ar em direção aos radiadores laterais, proporcionando melhoria de 12% no resfriamento dos freios. Já na traseira, uma asa dupla fixa inspirada em carros de competição e um extrator reformulado ampliam a força descendente total em 80% frente à configuração civil — e superam em 10% os índices do antigo Aventador SVJ.

A geometria da suspensão também precisou ser revisada para acompanhar esse salto de eficiência aerodinâmica. O modelo adota amortecedores passivos com ajuste manual, herança direta dos carros da categoria GT3. O resultado é um ganho de 17% em agilidade e 10% a mais de aderência lateral em relação ao Revuelto padrão. O piloto pode calibrar a carga conforme o traçado — seja em asfalto liso, ondulado ou molhado.

Trem de força: V12 e elétricos em sinergia

O coração da máquina continua sendo o V12 6.5 naturalmente aspirado, instalado em posição central-traseira, responsável por 825 cv a 9.250 rpm — cifra idêntica à do modelo convencional. Ele opera em conjunto com três motores elétricos: dois de fluxo axial no eixo dianteiro e um de fluxo radial conectado ao câmbio de dupla embreagem de oito marchas. São justamente os propulsores elétricos os responsáveis pelo incremento de potência que diferencia o SV.

Combinados, os quatro motores entregam 1.065 cv — 50 cv a mais que o antecessor — e torque máximo de 145,4 kgfm. A relação peso/potência resultante é de 1,66 kg/cv.

De acordo com os dados de fábrica, o carro acelera de zero a 100 km/h em 2,4 s, alcança 200 km/h partindo de zero em 6,7 s e ultrapassa os 345 km/h de velocidade máxima. Uma nova bateria de íons de lítio de 7,3 kWh alimenta o sistema elétrico e promete consistência de desempenho até quatro vezes maior em uso contínuo nas pistas.

Frenagem e controle eletrônico de tração

Todo esse poder é gerenciado por uma central inercial de seis eixos, integrada a um sistema de freios com discos de carbono-cerâmica de maior diâmetro. Segundo a fabricante, o conjunto encurta a distância de frenagem em até 10%: bastam 110 metros para frear de 200 km/h a zero.

No volante, o destaque eletrônico é o novo seletor do modo Pilota, posicionado do lado direito da direção. Ele fragmenta o controle de tração em cinco estágios distintos, permitindo ao motorista dosar a intervenção eletrônica conforme o desgaste dos pneus ou as variações de condição da pista.

Cabine leve e orientada ao desempenho

A cabine utiliza fibra de carbono exposta de maneira extensiva — são até 25 componentes internos e externos fabricados com o material, incluindo os painéis das portas. Bancos esportivos com estrutura de carbono vêm de série, e há a opção de assentos tipo concha em peça única, projetados para oferecer suporte extra nas curvas. Apesar de manter o conceito de cockpit do Revuelto original, o interior incorpora seletores inspirados no automobilismo diretamente no volante.

Essa obsessão com a redução de massa se estende até o calçado do carro. Os pneus de ultra-alta performance foram desenvolvidos sob medida pela Bridgestone, com compostos de medidas mistas montados em rodas de liga leve forjadas com travamento central de porca única — aro 20 na dianteira e 21 na traseira. O cliente pode escolher entre opções voltadas para rua e semi-slicks dedicados ao uso em autódromos.

Preço e posicionamento no mercado

A Lamborghini não revelou preços durante o evento de apresentação. Contudo, é certo que o valor ficará com folga acima do Revuelto convencional, colocando o SV em patamar de rivalidade restrita contra projetos especiais da Ferrari e da McLaren.

Mais do que um exercício de potência, o modelo reforça o papel da eletrificação não como solução ecológica, mas como ferramenta mandatória para a sobrevivência dos carros de alto desempenho.

Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos 'envenenados' elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12
Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos 'envenenados' elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12
Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos 'envenenados' elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12
Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos 'envenenados' elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12
Lamborghini Revuelto SV: motores elétricos 'envenenados' elevam potência a 1.065 cv ao lado do V12