BYD Song Pro 2027: como o SUV híbrido flex ficou melhor mesmo com menos potência
BYD Song Pro 2027 estreia sistema híbrido plug-in flex com maior eficiência, suspensão recalibrada no Brasil e autonomia elétrica ampliada, mesmo com menos potência
Novo visual e motor flex chamam atenção, mas melhorias mecânicas fazem híbrido plug-in gastar menos e a nova suspensão deixou o melhor de dirigir
A BYD apresentou o Song Pro 2027, que traz como principal novidade a adoção do sistema híbrido plug-in flex (DM-i 5.0), além de visual renovado, suspensão recalibrada no Brasil e melhorias significativas no consumo e na autonomia elétrica. Paradoxalmente, o SUV médio perdeu potência e ficou mais lento na aceleração, mas a experiência de condução e a eficiência energética melhoraram de forma considerável.
Preços e versões
- BYD Song Pro Flex GL: R$ 176.990
- BYD Song Pro Flex GS: R$ 199.990
Análise técnica
Visual atualizado e mais sofisticado
A dianteira do Song Pro 2027 recebeu para-choque inédito, novos contornos nos faróis em LED e uma grade frontal com aletas ativas, que se abrem apenas quando há necessidade de refrigeração do conjunto mecânico. O resultado é um visual menos carregado, com identidade que remete ao BYD Atto 8. Na lateral, as rodas de liga leve de 18 polegadas ganharam novo desenho e a coluna C passou a utilizar aplique preto, enquanto a traseira exibe o logotipo “flex”.
Trem de força híbrido plug-in flex: DM-i 5.0
O motor 1.5 aspirado agora funciona com etanol em qualquer proporção, mantendo os 98 cv, mas com torque elevado de 12,4 para 12,8 kgfm. A eficiência térmica cresceu de 43,04% para 46,06%, graças a um sistema de injeção Bosch calibrado na Alemanha para otimizar a queima de etanol.
A mudança mais expressiva está no motor elétrico: o antigo, de 197 cv, foi substituído por uma unidade de 163 cv com os mesmos 30,6 kgfm. Essa alteração reduziu a potência combinada — a versão GL entrega agora 218 cv (antes 223 cv) e a GS, 219 cv (antes 235 cv). A BYD também passou a divulgar apenas o torque do motor elétrico (30,6 kgfm), em vez dos 43 kgfm combinados anteriores.
Consumo e autonomia elétrica: os grandes ganhos
A reprogramação do sistema híbrido trouxe melhoras expressivas no consumo com gasolina:
- GL (cidade/estrada com gasolina): 16,0 km/l e 13,9 km/l (antes 14,8 e 13,2 km/l)
- GS (cidade/estrada com gasolina): 15,9 km/l e 13,5 km/l (antes 15,2 e 13,2 km/l)
Com etanol, o rendimento é naturalmente inferior — cerca de 27,5% menor — com a GL registrando 12,1 km/l na cidade e 10,7 km/l na estrada, e a GS marcando 11,7 km/l e 10,5 km/l, respectivamente.
A autonomia elétrica também evoluiu. A versão GL, com bateria ampliada para 13,1 kWh, alcança 57 km (ganho de 8 km), enquanto a GS, com 18,3 kWh, chega a 72 km (ganho de 10 km), ambas pelo ciclo do Inmetro.
Desempenho: a contrapartida
O preço pago pela maior eficiência está no desempenho: o 0 a 100 km/h agora demanda 8,6 s (GL) e 8,8 s (GS), ante os 7,9 s do modelo anterior — uma diferença significativa que vai além do que a discreta redução de potência sugeriria, evidenciando o quanto a nova programação do sistema híbrido priorizou economia. Por outro lado, a velocidade máxima subiu de 170 para 180 km/h.
Suspensão recalibrada para o Brasil
A BYD realizou um novo acerto de suspensão desenvolvido no Brasil, atendendo a reclamações de consumidores sobre o comportamento em pavimentos irregulares. As molas ganharam mais rigidez para conter a inclinação da carroceria, enquanto os amortecedores passaram a absorver impactos secos com mais rapidez, melhorando o conforto em lombadas e valetas sem comprometer a estabilidade em curvas.
Interior e equipamentos
O habitáculo recebeu bancos dianteiros mais confortáveis, com melhor apoio lateral e espuma mais macia, além de encosto de cabeça ajustável e ajuste elétrico para o banco do carona. Entre os novos equipamentos, destacam-se:
- Retrovisor interno eletrocrômico
- Teto solar panorâmico com abertura (série na GS)
- 8 alto-falantes com adição de tweeters traseiros
- Central multimídia de 12,8 polegadas com serviços nativos do Google
- Seletor de marchas na coluna de direção
O quadro de instrumentos digital de 8,8 polegadas foi integrado a uma peça plástica que percorre toda a extensão do painel, gerando um efeito visual moderno, mas com problemas de reflexo que dificultam a leitura das informações.
As dimensões permanecem inalteradas: 4,74 m de comprimento, 1,86 m de largura e 2,71 m de entre-eixos. O porta-malas mantém os 530 litros, porém segue sem estepe, contando apenas com kit de reparo.
Ponto negativo: recarga lenta
A potência de recarga segue limitada a 6,6 kW em corrente alternada, sem opção de recarga rápida em corrente contínua — um recurso já presente no Song Plus, que custa R$ 249.990.
Opinião do Especialista
O BYD Song Pro 2027 representa uma evolução inteligente, ainda que aparentemente contraintuitiva. Reduzir potência para ganhar eficiência pode parecer um retrocesso, mas na prática a engenharia chinesa demonstrou maturidade ao compreender que, no uso cotidiano de um SUV médio familiar, consumo e autonomia elétrica pesam mais na decisão de compra do que uma diferença de menos de um segundo na aceleração.
Competitividade: Com preços entre R$ 176.990 e R$ 199.990, o Song Pro flex se posiciona diretamente contra o recém-lançado GWM Haval H6 PHEV35 flex. A batalha entre BYD e GWM pela liderança no segmento de SUVs híbridos plug-in flex promete ser um dos grandes embates do mercado brasileiro em 2027. O Song Pro leva vantagem na autonomia elétrica e no preço de entrada, mas a ausência de recarga rápida é uma lacuna que a concorrência pode explorar.
Suspensão tropicalizada: A recalibragem da suspensão no Brasil é um acerto estratégico que mostra que a BYD está ouvindo o mercado local. Montadoras chinesas que investem em adequação ao pavimento brasileiro tendem a ganhar credibilidade rapidamente entre consumidores que já sofreram com suspensões duras e mal adaptadas.
Pontos fortes: Consumo competitivo com gasolina, autonomia elétrica ampliada, suspensão bem calibrada para o Brasil, sistema flex com injeção otimizada pela Bosch, preço agressivo para o segmento e pacote de equipamentos generoso.
Pontos fracos: Recarga limitada a 6,6 kW sem opção DC, ausência de estepe, reflexos no painel de instrumentos e desempenho inferior ao antecessor — o que pode afastar compradores que valorizam esportividade.
Projeção de mercado: A estratégia da BYD com o Song Pro 2027 parece ser ampliar o volume de vendas apostando na eficiência e no apelo do sistema flex, que elimina a ansiedade de autonomia e conecta o modelo à realidade dos postos de combustível brasileiros. É provável que o modelo mantenha ou amplie sua participação no segmento, especialmente se a marca intensificar a comunicação sobre o custo operacional reduzido. A tendência é que, nos próximos anos, o diferencial competitivo dos híbridos plug-in no Brasil passe cada vez mais pelo consumo com etanol e pela autonomia elétrica, e menos pela potência pura — e o Song Pro 2027 já se posiciona nessa direção.





