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BYD fez duas tentativas de comprar participação na Renault para acelerar sua expansão na Europa

Jornal Les Échos revelou que a BYD fez duas tentativas de adquirir participação acionária na Renault visando acessar fábricas europeias da montadora francesa

AutoRodas 10 de julho de 2026 Atualizado em 10 de julho de 2026 3 min de leitura

Jornal financeiro francês Les Échos revela que montadora chinesa buscava controle sobre operações europeias da fabricante francesa

A montadora chinesa BYD não desistiu fácil. Em duas investidas distintas ao longo dos últimos dois anos, a empresa tentou adquirir uma fatia acionária da Renault. O objetivo central era ganhar acesso direto ao parque industrial da marca francesa no continente europeu, segundo revelou o jornal financeiro Les Échos, citando fontes ligadas às negociações.

Proposta incluía troca de tecnologia por fábricas

A segunda tentativa, ocorrida no segundo semestre de 2025, era mais ambiciosa. Nela, a BYD propunha um acordo no qual a Renault teria acesso às tecnologias chinesas para veículos elétricos, híbridos plug-in e baterias. Em contrapartida, a fabricante chinesa passaria a utilizar a estrutura industrial da marca francesa na Europa.

Uma fonte ouvida pelo Les Échos, no entanto, deixou claro que a intenção ia muito além de uma simples parceria tecnológica.

“Havia o desejo de assumir o controle”, afirmou uma fonte ao jornal francês.

Primeira abordagem foi rejeitada há dois anos

A investida inicial aconteceu aproximadamente dois anos antes. Na época, uma série de reuniões entre as duas montadoras culminou na proposta da BYD de entrar no capital da Renault. A oferta, contudo, foi recusada pela empresa francesa.

Esse histórico de negativas reflete a postura da Renault de preservar sua independência no mercado europeu, considerado estratégico para a companhia. Embora a montadora francesa recorra tradicionalmente a alianças para compartilhar custos de desenvolvimento, ceder o controle de suas operações na Europa se mostrou um limite intransponível.

Geely tem parcerias com a Renault, mas sem participação no capital da matriz

É importante destacar que a Renault não é avessa a cooperar com grupos chineses — desde que as condições sejam diferentes. Nos últimos anos, a fabricante francesa aprofundou laços com a Geely, que em 2022 adquiriu 34% da Renault Korea Motors. Em 2025, as duas empresas anunciaram uma parceria envolvendo a Renault do Brasil.

Além dessas iniciativas, Renault, Geely e Aramco são sócias da Horse Powertrain, companhia voltada ao desenvolvimento de motores a combustão e sistemas híbridos.

A diferença fundamental

Segundo o Les Échos, o que distingue essas cooperações da proposta da BYD é justamente a natureza do acordo. As parcerias com a Geely não envolvem a entrada do grupo chinês no capital da Renault nem qualquer tipo de acesso ao controle de suas operações europeias. Foi exatamente essa pretensão de controle que levou a Renault a rejeitar as investidas da BYD nas duas ocasiões.

BYD fez duas tentativas de comprar participação na Renault para acessar fábricas na Europa