Stellantis adotará sistema híbrido chinês REEV em modelos flex nacionais; Peugeot será marca de nicho
Stellantis vai integrar sistema híbrido REEV da Leapmotor a motores flex nacionais e reposicionar a Peugeot como marca de nicho acima da Fiat
Tecnologia da Leapmotor será integrada a motores flex da Fiat e Jeep, enquanto grupo redefine papel das marcas francesas no país
Uma mudança significativa na estratégia de eletrificação da Stellantis no Brasil começa a ganhar contornos mais claros. O presidente da companhia no país, Herlander Zola, revelou a jornalistas especializados nesta semana que o sistema híbrido REEV, desenvolvido pela chinesa Leapmotor, será expandido para outros veículos das marcas do grupo fabricados nacionalmente.
Sistema REEV aliado a motores flex brasileiros
Embora Zola não tenha especificado quais modelos receberão a tecnologia nem quando isso acontecerá, ele deixou claro que a demanda dos consumidores brasileiros por esse tipo de solução é alta, conforme pesquisas internas da Stellantis.
“O ponto que é crucial para nós é que essa tecnologia e a capacidade de adaptação dessa tecnologia em outros produtos das nossas marcas é um caminho sobre o qual a gente quer avançar rapidamente”, afirmou Zola.
O diferencial da proposta está na combinação do sistema REEV com os motores flex já disponíveis na linha brasileira do grupo. Isso inclui os propulsores Firefly e GSE Turbo, nas cilindradas 1.0 e 1.3, além do recente 2.0 Hurricane flex.
Como funciona a tecnologia REEV
Veículos equipados com o sistema REEV são classificados pela legislação brasileira como híbridos plug-in, mas na prática operam de maneira distinta. A tração é exclusivamente elétrica, enquanto o motor a combustão atua apenas como gerador para recarregar as baterias — funcionando como um extensor de autonomia.
Atualmente, o SUV C10 da Leapmotor já utiliza essa configuração. O modelo B10, que será apresentado com a mesma tecnologia durante o Festival Interlagos, em São Paulo, no mês de agosto, seguirá o mesmo conceito.
Bio-Hybrid e REEV: estratégias complementares
Questionado se a adoção do sistema REEV entraria em conflito com a família Bio-Hybrid de modelos híbridos, Zola descartou qualquer sobreposição. A linha Bio-Hybrid, segundo o executivo, mantém o planejamento anunciado em 2023.
Os primeiros resultados dessa estratégia já apareceram com os híbridos leves (MHEV) da Fiat — os modelos Pulse e Fastback, lançados em 2024. Novos veículos com maior grau de eletrificação, como híbridos plenos (HEV) e híbridos plug-in (PHEV), continuam previstos no cronograma do grupo.
Produção local de veículos Leapmotor
A Stellantis também considera fabricar carros da Leapmotor em solo brasileiro por meio dos sistemas SKD (Semi-Knocked Down) e CKD (Completely Knocked Down), estratégia já adotada por outras montadoras chinesas recém-chegadas ao país. Em abril, foi anunciado que os modelos B10 e C10 da Leapmotor serão produzidos na fábrica de Goiana (PE).
No formato SKD, o veículo chega com a carroceria montada e pintada, praticamente pronto. Já no CKD, as peças e conjuntos vêm completamente desmontados para montagem local.
Zola explicou que a escolha do modelo de produção depende da rentabilidade de cada alternativa, sendo o volume de unidades produzidas um dos fatores determinantes nessa decisão.
Fábrica no Uruguai como alternativa
Outro trunfo à disposição do grupo é a Nordex, fábrica de automóveis White-label localizada no Uruguai. A instalação já produz veículos para outras marcas, e a Stellantis detém 51% de seu capital — o que abre mais uma possibilidade para a montagem local de modelos da Leapmotor.
Dongfeng nos planos para Peugeot e Citroën
A Leapmotor não é a única parceira chinesa nos planos da Stellantis para o Brasil. A Dongfeng, empresa com quem Peugeot e Citroën mantêm parceria há cerca de 30 anos — anterior à própria criação da Stellantis —, também entra na equação.
Na China, existe uma companhia chamada DPCA (Dongfeng Peugeot-Citroën Automotive). Diferentemente da Leapmotor, porém, a Dongfeng é uma empresa independente que realiza associações pontuais com a Stellantis. Ainda assim, a expectativa é que ela participe dos futuros lançamentos de Peugeot e Citroën no Brasil, tal como já ocorre nas linhas europeias dessas marcas.
Peugeot reposicionada como marca de nicho
Zola também abordou o futuro das marcas francesas no mercado brasileiro. Ele explicou que, desde a formação da Stellantis em 2021, o grupo deu continuidade aos projetos já aprovados ou em andamento. Agora, chegou o momento de redefinir o posicionamento dessas marcas.
“A Peugeot será uma marca de nicho posicionada acima da Fiat”, afirmou o executivo. Em relação à Citroën, Zola foi menos enfático, limitando-se a lembrar que, mundialmente, a marca opera nos segmentos de entrada.
Modelos Dongfeng produzidos no Brasil
A parceria com a Dongfeng pode ir além da influência sobre Peugeot e Citroën. Em outra ocasião recente, Zola revelou que a engenharia local da Stellantis já trabalha na adaptação de modelos globais de parceiros para a região. Esses projetos incluiriam carros compactos, SUVs e picapes.
RAM e o segmento de picapes
O executivo ressaltou a importância do segmento de picapes para o grupo, destacando que essa categoria representa cerca de 25% do mercado brasileiro. A marca RAM deve receber atenção redobrada, especialmente entre as picapes médias, onde a Dakota pode chegar com diferentes versões e motorizações em relação às oferecidas atualmente.

