28 de julho de 2026 23°C São Paulo, SP
Assine
Elétricos

Carros elétricos com mais de 3 anos desvalorizam mais de 46%, aponta estudo 

Levantamento da IBV Auto mostra que carros elétricos seminovos perderam até 50% do valor enquanto hatches populares se valorizaram no primeiro semestre de 2026

AutoRodas 7 de julho de 2026 Atualizado em 7 de julho de 2026 4 min de leitura

Enquanto hatches populares se valorizam em todo o país, veículos eletrificados seminovos sofrem depreciação acelerada no primeiro semestre de 2026

Proprietários de carros elétricos no Brasil enfrentam um cenário preocupante no mercado de seminovos. Modelos 100% elétricos fabricados em 2023 já acumulam uma perda de 46,1% do valor original até junho de 2026, segundo o mais recente levantamento da IBV Auto. Para os modelos de 2022, a situação é ainda pior: a desvalorização média chega a 50,5%, o que significa que metade do preço do veículo simplesmente evaporou em cerca de quatro anos.

A queda dos híbridos e os fatores por trás do derretimento

Os veículos híbridos também registram perdas, embora em ritmo bem menos agressivo. Para os modelos fabricados em 2023, a desvalorização média é de 26,1%. Já os híbridos de 2022 apresentam uma queda de 19,3%.

O estudo atribui esse declínio acelerado dos elétricos usados a uma combinação de fatores: a redução nos preços dos veículos zero-quilômetro, o aumento da concorrência no segmento e as estratégias agressivas de precificação adotadas pelas montadoras para ampliar participação de mercado e desovar estoques.

Mercado de usados tradicionais segue em alta

Na contramão da depreciação dos eletrificados, o mercado de carros usados tradicionais vive uma trajetória de forte valorização. O índice IBV Auto acumulou alta de 3,49% entre janeiro e junho de 2026, superando com folga o avanço de 1,98% registrado no mesmo período do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a inflação do carro usado já atinge 6,87%.

Apenas em junho, o indicador subiu 0,57%, acelerando frente ao resultado de maio, que havia sido de 0,43%. Segundo o economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, os preços demonstram resiliência, mas já começam a dar sinais de acomodação em relação aos picos do primeiro trimestre, quando a média mensal de alta era de 0,72%.

Hatches populares lideram a valorização

Os hatches populares de grande volume foram os principais responsáveis por sustentar a força do índice nacional em junho. Renault Kwid, Volkswagen Fox e Chevrolet Onix figuram entre os modelos que mais empurraram as médias para cima.

Em sentido contrário, alguns SUVs e modelos de maior valor agregado passaram a ser penalizados pelo consumidor de usados. Nomes consolidados como Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e Hyundai HB20 exerceram pressão negativa sobre o indicador, registrando queda de preço no período.

Minas Gerais puxa o Sudeste e lidera valorização nacional

A alta dos usados em junho se espalhou por todas as regiões do país, mas o Sudeste saiu na frente com avanço mensal de 0,83%. O grande destaque ficou por conta de Minas Gerais, que registrou uma valorização expressiva de 1,64% no mês e lidera isoladamente o ranking nacional no acumulado de 12 meses, com alta de 8,48%.

O Rio de Janeiro aparece na sequência, com 7,20% de valorização acumulada em 12 meses, enquanto São Paulo teve comportamento mais moderado, com alta de 5,27% no mesmo intervalo.

O fenômeno mineiro

O aquecimento em Minas Gerais revela o forte apetite local por carros de frota e grande circulação. Modelos de altíssimo volume de comercialização no mercado secundário, como Chevrolet Onix e Volkswagen Gol, registraram em solo mineiro mais que o dobro da valorização observada na média nacional durante o primeiro semestre, puxando toda a inflação do Sudeste para cima.

Mercado cada vez mais fragmentado

Para o vice-presidente de varejo do banco BV, Jamil Ganan, os números revelam um cenário de intensa fragmentação. “A valorização dos usados continua presente, mas depende cada vez mais das características de cada modelo e das dinâmicas regionais. O comportamento do mercado tem sido menos uniforme e mais sensível às preferências dos consumidores”, conclui.

O primeiro semestre de 2026 consolida, assim, um mercado de usados com duas velocidades distintas: hatches tradicionais em franca valorização e veículos eletrificados em queda livre, refletindo a transformação acelerada da indústria automotiva brasileira.