Vendas do carro elétrico mais barato do Brasil são suspensas; entenda o motivo
E-Motors suspende vendas do JMEV Emova Easy e Urban no Brasil após disparada do frete marítimo e retorno do imposto de importação de 35%
JMEV Emova Easy e Emova Urban deixam de ser comercializados após explosão no custo do frete marítimo e volta da alíquota de 35% sobre importações
Quem esperava adquirir o carro elétrico mais barato do Brasil por R$ 69.990 terá de aguardar por tempo indeterminado. A importadora E-Motors Brasil decidiu paralisar a comercialização dos modelos JMEV Emova Easy e JMEV Emova Urban, devolvendo integralmente o sinal pago por clientes que já haviam reservado unidades. A informação foi reportada pelo Jornal do Carro.
Frete marítimo dispara e inviabiliza operação
O principal fator por trás da suspensão é a disparada do frete marítimo da China ao Brasil. No início do ano, trazer um contêiner de 40 pés custava cerca de US$ 1.800 (aproximadamente R$ 9.900). Nas cotações mais recentes, esse valor saltou para US$ 10.200 — algo em torno de R$ 56.000, montante equivalente ao preço de um Renault Kwid seminovo.
A esse cenário se somou o retorno integral da alíquota de 35% do imposto de importação para veículos eletrificados, vigente desde 1º de julho. A combinação dos dois fatores tornou impossível manter a tabela de preços anunciada ao consumidor.
Estratégia: congelar sem repassar aumento
A posição da E-Motors é manter a operação congelada até que o valor do frete recue a patamares viáveis. A empresa afirma que o objetivo é não encarecer os veículos para o consumidor final, preservando a competitividade no segmento de entrada. Não existe, porém, previsão para retomada das importações nem para o faturamento de unidades já encomendadas à fábrica chinesa da Jiangling Motors.
Disputa de nomes com a Kia
Antes de enfrentar o problema logístico, os modelos já haviam passado por outro obstáculo. Lançados inicialmente como EV2 e EV3, os compactos tiveram de ser rebatizados em abril para Emova Easy e Emova Urban. A mudança ocorreu após a Kia contestar o uso das siglas, já registradas pela fabricante sul-coreana no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
Emova Easy: o menor elétrico do país
Com apenas 3,50 m de comprimento, o JMEV Emova Easy é voltado para o uso urbano e tem porte inferior ao de um Fiat Mobi (7 cm a menos) e de um Renault Kwid (23 cm a menos). Apesar das dimensões enxutas, o entre-eixos de 2,30 m — medida idêntica à do subcompacto da Fiat — garante bom aproveitamento interno. Homologado para quatro ocupantes, o modelo utiliza motor elétrico dianteiro de 40 cv e 8,6 kgfm, alimentado por bateria de 17 kWh com autonomia declarada de até 200 km.
Câmbio manual simulado para autoescolas
Um diferencial curioso do Emova Easy é a configuração com câmbio manual simulado, voltada a frotistas e ao mercado de autoescolas. O sistema reproduz a experiência de dirigir um veículo a combustão, incluindo pedal de embreagem, funcionando como ferramenta de transição didática para novos motoristas.
Versões e equipamentos
A versão Standard, tabelada em R$ 69.990, oferece equipamentos básicos: rádio, rodas aro 14 e sensor de estacionamento traseiro. Já a Comfort, por R$ 75.990, adiciona central multimídia e câmera de ré.
Emova Urban: mais potência e autonomia
Posicionado um degrau acima, o JMEV Emova Urban mede 3,72 m de comprimento e tem entre-eixos de 2,39 m, dimensões próximas às de um Renault Kwid. Vendido em versão única Comfort por R$ 99.990, também é homologado para quatro ocupantes.
O conjunto mecânico entrega 68 cv — 28 cv a mais que o Easy — e 12,7 kgfm de torque (vantagem de 4,1 kgfm), proporcionando maior desenvoltura no trânsito. A bateria de 30,24 kWh amplia o alcance para 330 km declarados. A lista de equipamentos inclui chave presencial, ar-condicionado digital, central multimídia com tela de sete polegadas e câmera de ré, com opção de câmbio automático convencional ou o sistema de simulação manual.
Planos de expansão ficam comprometidos
A suspensão das vendas frustra diretamente os planos de crescimento da E-Motors Brasil. Até o momento da paralisação, a empresa operava com uma única concessionária, instalada em Pedro Leopoldo (MG). A projeção era chegar a 30 pontos de venda em 12 meses e comercializar 1.000 unidades dos dois modelos até o final de 2026 — meta agora sem prazo definido para ser retomada.


