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Elétricos

BAIC aposta em carros com extensor de alcance (EREV) como futuro da eletrificação no Brasil

BAIC enxerga nos veículos EREV com extensor de alcance uma grande oportunidade para o mercado brasileiro nos próximos anos da eletrificação

AutoRodas 2 de julho de 2026 4 min de leitura

Executivo que liderará operação brasileira da montadora chinesa destaca potencial dos veículos EREV no mercado nacional

Enquanto o debate automotivo no Brasil gira em torno da disputa entre elétricos puros (BEV) e híbridos plug-in (PHEV), uma terceira via tecnológica começa a ganhar corpo nos bastidores da indústria: os veículos com extensor de alcance, identificados pela sigla EREV (Extended Range Electric Vehicle).

O que disse Oswaldo Ramos durante o e-Days 2026

Quem colocou o tema em evidência foi Oswaldo Ramos, futuro COO da BAIC no Brasil. Em sua participação no e-Days 2026, evento realizado na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, o executivo apontou essa arquitetura como uma das grandes tendências para os próximos anos da eletrificação no país.

“A elite chinesa compra carro com extensor de autonomia”, afirmou.

Ramos também foi enfático ao projetar o crescimento dessa tecnologia: “Essa é uma tecnologia que vai crescer muito”, disse.

Para o executivo, a trajetória dos EREV na China indica que o formato tem potencial para conquistar espaço em mercados como o brasileiro. O raciocínio é simples: no Brasil, a infraestrutura de recarga ainda avança de maneira desigual, concentrada nos grandes centros e escassa em regiões mais afastadas — cenário que favorece soluções que reduzam a dependência de tomadas.

Como funciona um veículo EREV e por que ele se diferencia

A confusão entre as diferentes tecnologias de eletrificação é comum, mas as diferenças são significativas na prática.

BEV e PHEV: as tecnologias mais conhecidas

Nos veículos BEV, toda a energia de propulsão vem da bateria, que precisa ser recarregada em pontos externos. Nos PHEV, por sua vez, tanto o motor elétrico quanto o motor a combustão podem acionar diretamente as rodas do carro.

O diferencial do EREV

Nos EREV, a lógica muda completamente. As rodas são movidas prioritariamente — ou até exclusivamente, dependendo do projeto — por motores elétricos. O motor a combustão não serve como fonte principal de tração. Sua função é atuar como gerador, produzindo energia elétrica para recarregar a bateria quando necessário.

Na prática, o motorista desfruta da experiência de condução de um carro elétrico, com suavidade e silêncio, mas sem a ansiedade de ficar sem carga. Essa combinação ataca diretamente uma das maiores barreiras à adoção de BEVs em mercados emergentes: a chamada ansiedade de autonomia.

O apelo dos EREV para o consumidor brasileiro

No dia a dia urbano, um EREV pode rodar dezenas ou até centenas de quilômetros em modo puramente elétrico. Quando o motorista precisa percorrer distâncias maiores, o gerador a combustão entra em operação para ampliar a autonomia total do veículo. Em alguns modelos disponíveis no mercado global, essa autonomia combinada já ultrapassa os 1.000 km.

Essa versatilidade pode ser especialmente atraente para o consumidor brasileiro, que lida com um país de dimensões continentais e infraestrutura de recarga ainda em expansão.

Tendência consolidada na China com marcas de alto valor

O conceito já se estabeleceu entre fabricantes chineses, sobretudo em segmentos premium e de maior valor agregado. Marcas como Li Auto, Leapmotor, Aito e outras investem pesado nesse tipo de solução, o que reforça o argumento de que a tecnologia amadureceu.

No Brasil, os EREV ainda dão os primeiros passos, mas a chegada crescente de novas montadoras chinesas ao país pode acelerar essa adoção.

Estratégia multitecnologia da BAIC no Brasil

A BAIC dá indícios claros de que não pretende apostar em uma única frente tecnológica ao desembarcar no mercado nacional. O recente flagra do Arcfox T1 em testes no Brasil já sinaliza uma investida no segmento de elétricos compactos. Porém, o discurso de Ramos revela que a estratégia local vai além dos veículos puramente elétricos.

Se os últimos anos foram marcados pela ascensão dos BEVs e, mais recentemente, dos híbridos plug-in, os EREV podem representar o próximo capítulo da eletrificação — principalmente em mercados onde infraestrutura, custo e versatilidade pesam tanto quanto eficiência energética.

BAIC aposta em carros com extensor de alcance (EREV) como futuro da eletrificação no Brasil