BYD amplia a produção de baterias para manter os preços dos elétricos competitivos no Brasil
BYD reconhece gargalo na produção de baterias LFP e acelera expansão com a Blade Battery 2.0 para manter competitividade de elétricos no Brasil
Gargalo na produção de células LFP limita entregas da montadora chinesa, que aposta na Blade Battery 2.0 para ganhar escala
O principal obstáculo para a BYD vender mais carros no mundo não é a falta de compradores — é a capacidade de produzir baterias em ritmo suficiente. Executivos da fabricante chinesa reconhecem que a demanda por veículos supera a oferta de células, e a empresa corre para ampliar suas linhas de montagem de packs e baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP).
Presidente da BYD admite gargalo inédito
Wang Chuanfu, presidente da BYD, descreveu a situação como incomum para a indústria automotiva. Segundo ele, a empresa poderia entregar mais veículos caso conseguisse fabricar mais baterias. O volume de entregas está diretamente condicionado à capacidade industrial da divisão de células e packs — e não ao número de pedidos recebidos.
Os números de instalação de baterias ilustram a velocidade dessa expansão. Em fevereiro, a BYD instalou 3,56 GWh. Já em maio de 2026, o volume saltou para 11,87 GWh, o que representou 16,6% de todo o mercado chinês — um crescimento expressivo em poucos meses.
Compensação para clientes que enfrentam atrasos
Ciente dos reflexos do gargalo produtivo sobre o consumidor final, a companhia anunciou uma política de compensação. Se um veículo já encomendado não for entregue dentro de 30 dias, o comprador passa a receber um crédito equivalente a um dia de recarga rápida gratuita para cada dia adicional de espera.
Aposta nas baterias LFP e a família Blade
A expansão produtiva está centrada nas baterias LFP da família Blade, tecnologia que se tornou um dos pilares da estratégia de eletrificação da BYD. Diferentemente das células ricas em níquel, as LFP dispensam metais como cobalto e níquel. Isso reduz custos e melhora a estabilidade térmica, embora tradicionalmente ofereçam menor densidade energética.
Essa combinação de custo acessível e segurança foi decisiva para popularizar modelos mais baratos da marca. O BYD Dolphin e o BYD Dolphin Mini, por exemplo, ganharam tração em diversos mercados, incluindo o Brasil.
Blade Battery 2.0: mais autonomia e recarga ultrarrápida
A nova geração da bateria Blade — a Blade Battery 2.0 — ataca justamente a limitação histórica das células LFP: a densidade energética. A segunda versão promete avanços em autonomia, velocidade de recarga e durabilidade, sem abrir mão da arquitetura estrutural em formato “blade”, na qual as células são integradas diretamente ao pack.
Segundo a BYD, a nova bateria é compatível com carregamento ultrarrápido de até 1.500 kW em infraestrutura adequada, além de apresentar menor degradação em comparação com a geração anterior.
Impactos diretos no mercado brasileiro
Para o Brasil, o movimento da BYD carrega consequências relevantes. A bateria responde hoje por algo entre 30% e 40% do custo total de um veículo elétrico. Ganhos de escala na produção de células podem, portanto, permitir que a fabricante preserve sua competitividade mesmo diante do aumento gradual do imposto de importação sobre veículos eletrificados.
Ao reforçar sua integração vertical — controlando desde a fabricação de baterias até a montagem dos veículos — a BYD se posiciona para sustentar preços atrativos em um cenário de crescimento acelerado da demanda por carros elétricos no país.

