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Elétricos

Renault Twingo E-Tech resgata o passado e aposta em preço baixo para enfrentar chineses

Novo Renault Twingo E-Tech elétrico resgata origens do modelo original com preço abaixo de 20 mil euros para enfrentar rivais chineses

AutoRodas 25 de junho de 2026 Atualizado em 25 de junho de 2026 6 min de leitura

Quarta geração do urbano francês usa plataforma dos Renault 5 e 4, bateria LFP e quer enfrentar rivais chineses de frente

Trinta e quatro anos após o surgimento do Twingo original, a Renault traz de volta o compacto urbano numa roupagem totalmente elétrica, com ambição clara: custar menos de 20.000 euros e disputar espaço com modelos chineses que, até agora, eram os únicos a oferecer carros elétricos abaixo dos 25.000 euros na Europa.

Plataforma compartilhada e bateria mais acessível

O novo Twingo E-Tech nasce sobre a plataforma RGEV, a mesma que serve de base aos recentes Renault 5 e 4 elétricos. A diferença central está na bateria: são 27,5 kWh com química LFP (fosfato de ferro-lítio), de menor densidade energética, porém mais barata — elemento decisivo para viabilizar o preço competitivo do modelo.

Segundo a Renault, essa capacidade é suficiente para uma autonomia de 263 quilômetros no ciclo WLTP. No teste realizado em percurso misto de 80 quilômetros — combinando estradas secundárias sinuosas e trechos urbanos —, o consumo médio ficou em 12,4 kWh/100 km (8 km/kWh), muito próximo dos 12,2 kWh/100 km (8,2 km/kWh) anunciados oficialmente. A diferença é considerada natural, já que o teste envolveu acelerações mais exigentes.

Ao final do percurso, o indicador de carga apontava 59%, com autonomia estimada de 149 km restantes. Isso projeta uma autonomia total real de 249 km, contra os 263 km divulgados.

Dimensões compactas, espaço surpreendente

Com apenas 3,79 m de comprimento, o Twingo se posiciona como um legítimo urbano de quatro lugares. O segredo do espaço interno está no entre-eixos de 2,49 m e na possibilidade de deslizar os dois bancos individuais traseiros em 17 cm sobre trilhos longitudinais — recurso que favorece tanto o espaço para pernas dos passageiros quanto a capacidade do porta-malas.

Esse sistema de bancos deslizantes já existia no Twingo de 1992, que na época trazia um banco traseiro único para duas pessoas. A largura interior é generosa para dois adultos na frente e dois atrás. Passageiros traseiros com até 1,80 m de estatura podem viajar confortavelmente se os bancos estiverem totalmente recuados. Acima dessa altura, porém, a cabeça tende a encostar no teto, devido à posição elevada dos assentos — detalhe que, por outro lado, cria um agradável efeito de anfiteatro para ocupantes mais baixos e crianças.

O porta-malas varia entre 205 e 305 litros (norma VDA), conforme o posicionamento dos bancos traseiros. O ajuste pode ser feito diretamente pelo compartimento de carga, solução que melhora a praticidade, já que realizar a operação pelas portas laterais traseiras seria muito pouco funcional.

Design que olha para o passado

A silhueta de monovolume e os faróis remetem ao estilo do modelo original, lançado em 1992. Naquela época, a Renault surpreendeu ao apresentar um compacto urbano com formas de monovolume e funcionalidade interior marcante, refletindo a era dos monovolumes como Espace e Scenic. Depois de duas gerações fiéis a essa proposta, o Twingo acabou convertido em um veículo completamente diferente, fruto da parceria com a smart, marca do grupo Mercedes-Benz. Agora, na quarta geração, o modelo retoma seus ideais originais.

O próprio nome carrega bom humor: Twingo é a contração de três danças — Twist, Swing e Tango.

Interior funcional com tecnologia de destaque

Por dentro, o acabamento em plástico rígido nas portas e no painel é esperado para o segmento. Ainda assim, a construção transmite solidez. A tampa do porta-luvas tem descida sustentada, há compartimentos com fundo emborrachado entre os bancos dianteiros para pequenos objetos, e os botões de climatização são físicos, com acabamento de aspecto metalizado — embora a fixação desses comandos não seja tão robusta quanto em outros modelos da Renault. Esse detalhe, somado a um ou outro parafuso aparente, pode comprometer levemente a percepção de qualidade, que no geral é bastante razoável para a faixa de preço.

O grande diferencial tecnológico está na instrumentação digital colorida de 7 polegadas e, principalmente, na tela central de 10 polegadas com software Open R-link — já conhecido nos modelos mais recentes da marca francesa. O sistema integra Google, comandos vocais e o assistente Chat GPT Reno, incluído de série nas versões mais equipadas ou disponível como opcional nas básicas. Com isso, o Twingo passa a ser o modelo mais avançado do segmento nesse quesito.

Concorrentes chineses na mira

Entre os rivais diretos figuram o Nio Firefly, o BYD Dolphin Surf (vendido no Brasil como Dolphin Mini), o Leapmotor T03 e o Dacia Spring — este último, um carro ainda mais elementar. Todos são chineses, e até agora eram os únicos a conseguir comercializar elétricos abaixo dos 25.000 euros.

A sensação a bordo do Twingo se diferencia claramente da maioria desses rivais. O Leapmotor T03 e o BYD Dolphin Surf, por exemplo, são altos, mas estreitos. No francês, a largura generosa proporciona experiência mais confortável.

Comportamento dinâmico e motorização

No chassi, o eixo dianteiro é o mesmo MacPherson dos Renault 5 e 4 E-Tech, com bitola ligeiramente reduzida. Já o eixo traseiro troca a suspensão independente daqueles dois modelos por uma barra de torção, solução menos sofisticada e menos eficaz.

O motor elétrico entrega 82 cv e 17,8 kgfm de torque — força instantânea que se mostra mais do que suficiente no ambiente urbano. O sprint de 0 a 50 km/h é cumprido em 5,8 segundos. Já em rodovias, a velocidade máxima limitada a 130 km/h pode gerar situações apertadas, confirmando que o habitat natural do carro é a cidade e estradas secundárias.

O diâmetro de giro de 9,8 m é um trunfo nos roteiros urbanos. A função one pedal drive e os diferentes níveis de desaceleração regenerativa — selecionáveis pelas borboletas atrás do volante, com níveis zero, 1 e 2, gradualmente mais fortes — completam o pacote.

Direção e frenagem

Em estradas sinuosas, a direção colheu pontos positivos: tendencialmente leve, mas bem adaptada aos objetivos do carro e bastante direta, com 2,6 voltas de topo a topo. A coluna permite ajuste em altura e profundidade, algo nem sempre disponível neste segmento. Como ponto a melhorar, o volante poderia ter diâmetro menor, considerando as dimensões externas e internas do veículo. A frenagem também agradou, com o pedal esquerdo respondendo de forma rápida e linear.

Opções de carregamento

O Twingo aceita carga em corrente alternada (AC) a 6,6 kW, completando de 10 a 100% em 4h05min. Com a aquisição do pacote Advanced Charge — custo em torno de 500 euros —, o carregamento sobe para 11 kW em AC (10 a 100% em 2h35min) e 50 kW em corrente contínua (DC), alcançando de 10 a 80% em 30 minutos.

Esse pacote inclui ainda as funções V2L (para alimentar aparelhos elétricos externos) e V2G (para devolver eletricidade à rede). Em mercados como o alemão, onde predominam carregadores trifásicos, o pacote vem de série — com acréscimo de 500 euros (R$ 2.922) no preço do modelo.