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Elétricos

Baterias de sódio: Chery inicia produção de baterias de sódio para baratear carros elétricos

Chery dá início à produção de baterias de sódio em nova fábrica na China, visando reduzir o custo de carros elétricos populares

AutoRodas 22 de junho de 2026 Atualizado em 22 de junho de 2026 3 min de leitura

Nova fábrica na China já está em operação e marca avanço industrial de tecnologia que pode revolucionar veículos elétricos de entrada

Uma fábrica dedicada à produção de baterias de sódio entrou em operação no dia 13 de junho na cidade de Anqing, na China. O complexo, que recebeu investimento de 3,5 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 2,7 bilhões em conversão direta), é operado pela Chaowei Group, parceira da Chery na cadeia de baterias. Com capacidade inicial de 2 GWh por ano, a planta ainda é modesta se comparada às grandes gigafábricas de lítio, mas representa um marco concreto para a industrialização dessa tecnologia.

Por que o sódio atrai a indústria automotiva

O grande trunfo das baterias de sódio está nas matérias-primas. Ao contrário do lítio, o sódio é um elemento abundante na natureza e potencialmente mais barato de se extrair. Para carros elétricos de entrada — segmento em que o preço final é decisivo na hora da compra — essa característica pode representar uma queda significativa no custo de produção.

Há ainda uma vantagem técnica relevante: células de sódio apresentam menor perda de eficiência em climas frios quando comparadas às baterias convencionais de íons de lítio. Esse desempenho superior em baixas temperaturas amplia o potencial de aplicação da tecnologia em diferentes regiões do mundo.

Desafios técnicos e o papel do hard carbon

Apesar das promessas, a tecnologia não está livre de obstáculos. Os íons de sódio são cerca de 30% maiores que os de lítio, o que inviabiliza o uso dos tradicionais anodos de grafite. Para contornar essa limitação, fabricantes têm investido em materiais alternativos. O mais promissor é o chamado hard carbon (carbono duro), considerado essencial tanto para melhorar o desempenho das células quanto para viabilizar a redução de custos em larga escala.

Estimativas da indústria chinesa apontam que o custo desse material deve cair de forma relevante nos próximos anos, impulsionado pelo aumento da produção e pelo maior aproveitamento de insumos locais. Essa queda é vista como fundamental para que o preço das baterias de sódio se aproxime do praticado pelas atuais baterias LFP (lítio-ferro-fosfato), hoje amplamente utilizadas em EVs de entrada.

Onde as baterias de sódio podem brilhar

Modelos com grande autonomia e alta densidade energética ainda devem continuar dependendo de outras químicas no curto prazo. As baterias de sódio, por sua vez, encontram seu nicho em veículos urbanos, compactos e voltados ao menor custo. É justamente nesse segmento que a tecnologia tem potencial para se consolidar como alternativa viável.

Corrida chinesa pelo sódio vai além da Chery

A Chery não está sozinha nessa aposta. Gigantes do setor, como CATL e Changan, já anunciaram plataformas dedicadas à tecnologia de sódio. Esse movimento conjunto reforça a percepção de que o sódio pode se tornar um pilar importante no segmento de carros elétricos de entrada, consolidando a China como protagonista também nessa frente da eletrificação.

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