Frenagem automática será obrigatória em todos os carros no Brasil a partir de 2029
Contran determina frenagem automática obrigatória em todos os carros vendidos no Brasil a partir de 2029, enquanto sensor nacional é desenvolvido em Pernambuco
Resolução do Contran exige sistema de segurança em todos os modelos vendidos no país; pesquisadores já trabalham em sensor nacional para baratear a tecnologia
Um investimento de R$ 44 milhões está sendo aplicado no desenvolvimento de um radar automotivo 100% brasileiro, capaz de viabilizar a frenagem automática com menor custo de produção. O projeto acontece no Senai Park de Suape, no litoral de Pernambuco, e reúne pesquisadores de universidades, institutos de pesquisa e empresas do setor automotivo, como Volkswagen e Stellantis.
A iniciativa ganha ainda mais relevância diante da nova exigência estabelecida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran): a partir de 1º de janeiro de 2029, todos os carros fabricados no Brasil deverão contar com sistemas de frenagem automática. Modelos que não oferecerem a tecnologia nessa data terão que ser modificados ou simplesmente sairão de linha.
O que muda na prática para o mercado automotivo
Desde o início de 2026, novos projetos de veículos já precisam incluir a frenagem automática. A diferença é que, a partir de 2029, a obrigatoriedade se estende a todos os modelos comercializados no país — inclusive aqueles baseados em plataformas mais antigas.
O sistema autônomo de frenagem de emergência (AEBS) funciona detectando automaticamente uma possível colisão à frente do veículo e acionando os freios para reduzir a gravidade do impacto ou até evitá-lo completamente. Na prática, o carro freia sozinho quando o motorista não reage, e o sistema deve operar pelo menos na faixa entre 10 km/h e 60 km/h.
Regra ainda mais rígida a partir de 2031
Em 2031, as exigências serão ampliadas. Os veículos precisarão ser capazes de detectar e reagir a um veículo completamente parado na pista. Para comprovar essa capacidade, passarão por testes com obstáculos fixos.
A intenção do Contran, em conjunto com o Ministério dos Transportes, é transformar a frenagem automática em item básico de segurança — nos mesmos moldes do que já acontece com o controle de estabilidade e os airbags, que também se tornaram obrigatórios ao longo dos anos.
Exceções previstas na resolução
A minuta da regulamentação prevê exceções. Veículos militares, especiais, artesanais, fabricantes de pequena série, réplicas, buggies, alguns caminhões e ônibus com características específicas e modelos destinados exclusivamente à exportação ficam fora da exigência.
Muitas marcas já oferecem o recurso
A adaptação do mercado pode ser facilitada pelo fato de que diversos carros vendidos no Brasil já contam com frenagem automática. Marcas como BYD, GWM, Toyota, Volkswagen, Honda e Hyundai já equipam parte de seus modelos com essa tecnologia.
Sensor nacional para reduzir custos e dependência externa
Atualmente, a maior parte dos radares utilizados nos sistemas de frenagem precisa ser importada de fornecedores estrangeiros. É justamente para reduzir essa dependência — e, consequentemente, o custo final ao consumidor — que o Brasil aposta no desenvolvimento de um sensor próprio.
O radar automotivo nacional em desenvolvimento é capaz de medir a distância até objetos, a direção do movimento e a velocidade relativa, combinando sensores, câmeras e inteligência artificial.
Impacto nos carros populares
Se o projeto do sensor nacional for bem-sucedido, existe a possibilidade de até mesmo carros de entrada receberem o sistema de segurança com impacto reduzido no preço, tornando a tecnologia acessível a uma parcela muito maior de motoristas brasileiros.


