Xpeng G9: o SUV elétrico com recarga em 12 minutos, inteligência artificial e 575 cv que pode chegar ao Brasil
Xpeng G9 é SUV elétrico com recarga ultrarrápida em 12 minutos, chassi com inteligência artificial e 575 cv, com chegada prevista ao Brasil em 2026
Marca chinesa prepara desembarque no mercado brasileiro com modelo topo de linha que combina bateria LFP de última geração, chassi controlado por IA e desempenho de superesportivo
Com quase cinco metros de comprimento e tecnologia que desafia os padrões do segmento, o Xpeng G9 é a vitrine do que a fabricante chinesa pretende oferecer quando iniciar suas operações no Brasil, previstas para 2026. A empresa já contrata profissionais no país, embora ainda não tenha se apresentado oficialmente nem revelado em quais segmentos pretende atuar.
Muito mais do que uma montadora tradicional
Chamar a Xpeng de simples fabricante de veículos seria reduzi-la. A companhia se enxerga como uma pioneira em tecnologia — e não faltam exemplos para sustentar essa visão. Entre suas criações estão um robô humanoide batizado de Iron, que trabalha na linha de produção, e drones capazes de transportar seres humanos. Mesmo na China, essas ferramentas são consideradas futuristas, mas ilustram a capacidade técnica da empresa.
Dimensões generosas e gama diversificada
O SUV elétrico impressiona pelo porte: são 4,9 m de comprimento, 1,94 m de largura e 1,67 m de altura. A identidade da marca aparece nos detalhes, como o emblema em forma de X que fica em evidência na carroceria.
A linha do G9 é composta por versões com dois níveis de potência — 351 e 575 cv — e dois tamanhos de bateria: 78 e 93 kWh. A configuração de entrada, com 351 cv, pode ser combinada com ambas as baterias. Já a versão de 575 cv está disponível exclusivamente com o pacote de 93 kWh.
As autonomias homologadas pelo ciclo WLTP variam: 502 km com a bateria menor, 585 km com a maior e 540 km para a versão topo de gama.
Recarga em 12 minutos: bateria LFP 5C e arquitetura de 800 volts
Desde a atualização mais recente do modelo, no final de 2025, as baterias passaram a adotar a química LFP (fosfato de ferro-lítio). Com a arquitetura de 800 volts, elas admitem recargas ultrarrápidas com potências de até 445 kW ou 525 kW — embora poucos países já contem com carregadores tão potentes.
Durante o teste, a versão AWD com bateria de 93,1 kWh (92,2 kWh utilizáveis) começou a receber 354 kW logo ao ser conectada a uma estação de carregamento. Com estações de potência semelhante disponíveis, é possível repor a carga de 10 a 80% em apenas 12 minutos.
O segredo dessa velocidade está na bateria LFP 5C, que pode ser carregada a cinco vezes a sua capacidade graças à tensão nominal de 800 volts. Em corrente alternada, a potência máxima é de 11 kW, o que demanda 10 horas e meia para elevar o estado da carga de 5 a 100%.
Chassi com inteligência artificial e foco no conforto
O consumo oficial de energia fica em 20,1 kWh/100 km — média bastante razoável. No teste prático, o resultado foi ainda melhor: 18,7 kWh/100 km, o que proporcionou uma autonomia real efetivamente acima dos 500 km.
Uma das grandes novidades do G9 é o chassi equipado com molas pneumáticas de câmara dupla e amortecedores adaptativos, coordenados por inteligência artificial. O objetivo é garantir uma gestão equilibrada dos movimentos da carroceria.
Em termos práticos, o conforto de rolamento é o ponto forte do Xpeng G9. Entusiastas de direção esportiva, porém, podem sentir falta de uma conexão mais íntima entre carroceria e estrada, além de uma direção com melhor comunicação. Quem ativar o modo Eco esperando um arranque explosivo ficará desiludido com a entrega de força.
Desempenho de superesportivo com tração integral
Ainda assim, com uma potência combinada de 575 cv — 224 cv no motor dianteiro e 351 cv no traseiro — e torque máximo de 70,9 kgfm, o desempenho nunca deixa a desejar para motoristas comuns. A combinação de um motor de indução (ASM) no eixo dianteiro e um motor síncrono de ímã permanente (PSM) na traseira leva o SUV elétrico de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 200 km/h — mais do que suficiente.
Interior espaçoso, luxuoso e voltado ao bem-estar
O habitáculo do G9 é um convite à permanência. Os bancos têm estofamento espesso e são extremamente confortáveis, embora não tenham vocação esportiva — em sequências de curvas mais agressivas, o corpo dos ocupantes pode se movimentar mais do que o ideal.
Nos lugares traseiros, há espaço para cruzar as pernas e apreciar a vista pelo enorme teto panorâmico de vidro. O quinto lugar não é muito menos confortável que os demais, beneficiado pelo piso totalmente plano na fila de trás.
O entre-eixos de 3 metros garante espaço para as pernas digno de classe executiva na segunda fileira. Materiais macios ao toque revestem quase todas as superfícies, reforçando a sensação de refinamento.
Porta-malas generoso e compartimento dianteiro
O porta-malas tem capacidade para 660 litros. Com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros, o volume sobe para 1.576 litros. A soleira de carga é um pouco alta, mas há um compartimento de armazenamento dianteiro de 71 litros, útil para compras rápidas ou para guardar os cabos de carregamento.
Tecnologia embarcada: telas, assistentes e sistema de som premium
Três telas dominam a cabine: uma de 10,25 polegadas para o motorista e duas de 15 polegadas — uma central e outra voltada ao passageiro dianteiro. Os menus oferecem ampla variedade de opções. Um recurso prático é que os aplicativos na tela sensível ao toque são configuráveis e podem ser personalizados. Há também dois carregadores por indução.
O sistema de som hi-end é assinado pela marca dinamarquesa Dynaudio. A quase total ausência de botões físicos dá ao habitáculo um visual limpo e minimalista. Ajustes dos bancos dispensam as telas, o que é um ponto positivo de praticidade.
Assistência ao motorista: recursos avançados com ressalvas
Os sistemas de assistência ao motorista por vezes se mostram demasiado intrusivos, como é comum nos carros chineses. Os sons de alerta lembram a trilha sonora do videogame Mario Kart, do Game Boy. O sistema de assistência à manutenção de faixa puxa o volante com alguma agressividade, mas pode ser desativado.
O hardware — incluindo o sensor LiDAR — está preparado para níveis mais avançados de condução autônoma. No entanto, o software correspondente não está disponível fora da China.
Expectativas para o mercado brasileiro
Ainda sem apresentação oficial no Brasil, a Xpeng demonstra com o G9 que tem muito a oferecer. O modelo é apenas uma amostra do que pode chegar por aqui — e há bastante o que esperar dessa empresa que mistura robótica, drones e carros elétricos de alta tecnologia em seu portfólio.
