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Elétricos

Xpeng G9: o SUV elétrico com recarga em 12 minutos, inteligência artificial e 575 cv que pode chegar ao Brasil

Xpeng G9 é SUV elétrico com recarga ultrarrápida em 12 minutos, chassi com inteligência artificial e 575 cv, com chegada prevista ao Brasil em 2026

AutoRodas 26 de outubro de 2026 6 min de leitura

Marca chinesa prepara desembarque no mercado brasileiro com modelo topo de linha que combina bateria LFP de última geração, chassi controlado por IA e desempenho de superesportivo

Com quase cinco metros de comprimento e tecnologia que desafia os padrões do segmento, o Xpeng G9 é a vitrine do que a fabricante chinesa pretende oferecer quando iniciar suas operações no Brasil, previstas para 2026. A empresa já contrata profissionais no país, embora ainda não tenha se apresentado oficialmente nem revelado em quais segmentos pretende atuar.

Muito mais do que uma montadora tradicional

Chamar a Xpeng de simples fabricante de veículos seria reduzi-la. A companhia se enxerga como uma pioneira em tecnologia — e não faltam exemplos para sustentar essa visão. Entre suas criações estão um robô humanoide batizado de Iron, que trabalha na linha de produção, e drones capazes de transportar seres humanos. Mesmo na China, essas ferramentas são consideradas futuristas, mas ilustram a capacidade técnica da empresa.

Dimensões generosas e gama diversificada

O SUV elétrico impressiona pelo porte: são 4,9 m de comprimento, 1,94 m de largura e 1,67 m de altura. A identidade da marca aparece nos detalhes, como o emblema em forma de X que fica em evidência na carroceria.

A linha do G9 é composta por versões com dois níveis de potência — 351 e 575 cv — e dois tamanhos de bateria: 78 e 93 kWh. A configuração de entrada, com 351 cv, pode ser combinada com ambas as baterias. Já a versão de 575 cv está disponível exclusivamente com o pacote de 93 kWh.

As autonomias homologadas pelo ciclo WLTP variam: 502 km com a bateria menor, 585 km com a maior e 540 km para a versão topo de gama.

Recarga em 12 minutos: bateria LFP 5C e arquitetura de 800 volts

Desde a atualização mais recente do modelo, no final de 2025, as baterias passaram a adotar a química LFP (fosfato de ferro-lítio). Com a arquitetura de 800 volts, elas admitem recargas ultrarrápidas com potências de até 445 kW ou 525 kW — embora poucos países já contem com carregadores tão potentes.

Durante o teste, a versão AWD com bateria de 93,1 kWh (92,2 kWh utilizáveis) começou a receber 354 kW logo ao ser conectada a uma estação de carregamento. Com estações de potência semelhante disponíveis, é possível repor a carga de 10 a 80% em apenas 12 minutos.

O segredo dessa velocidade está na bateria LFP 5C, que pode ser carregada a cinco vezes a sua capacidade graças à tensão nominal de 800 volts. Em corrente alternada, a potência máxima é de 11 kW, o que demanda 10 horas e meia para elevar o estado da carga de 5 a 100%.

Chassi com inteligência artificial e foco no conforto

O consumo oficial de energia fica em 20,1 kWh/100 km — média bastante razoável. No teste prático, o resultado foi ainda melhor: 18,7 kWh/100 km, o que proporcionou uma autonomia real efetivamente acima dos 500 km.

Uma das grandes novidades do G9 é o chassi equipado com molas pneumáticas de câmara dupla e amortecedores adaptativos, coordenados por inteligência artificial. O objetivo é garantir uma gestão equilibrada dos movimentos da carroceria.

Em termos práticos, o conforto de rolamento é o ponto forte do Xpeng G9. Entusiastas de direção esportiva, porém, podem sentir falta de uma conexão mais íntima entre carroceria e estrada, além de uma direção com melhor comunicação. Quem ativar o modo Eco esperando um arranque explosivo ficará desiludido com a entrega de força.

Desempenho de superesportivo com tração integral

Ainda assim, com uma potência combinada de 575 cv — 224 cv no motor dianteiro e 351 cv no traseiro — e torque máximo de 70,9 kgfm, o desempenho nunca deixa a desejar para motoristas comuns. A combinação de um motor de indução (ASM) no eixo dianteiro e um motor síncrono de ímã permanente (PSM) na traseira leva o SUV elétrico de 0 a 100 km/h em 4,2 segundos. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 200 km/h — mais do que suficiente.

Interior espaçoso, luxuoso e voltado ao bem-estar

O habitáculo do G9 é um convite à permanência. Os bancos têm estofamento espesso e são extremamente confortáveis, embora não tenham vocação esportiva — em sequências de curvas mais agressivas, o corpo dos ocupantes pode se movimentar mais do que o ideal.

Nos lugares traseiros, há espaço para cruzar as pernas e apreciar a vista pelo enorme teto panorâmico de vidro. O quinto lugar não é muito menos confortável que os demais, beneficiado pelo piso totalmente plano na fila de trás.

O entre-eixos de 3 metros garante espaço para as pernas digno de classe executiva na segunda fileira. Materiais macios ao toque revestem quase todas as superfícies, reforçando a sensação de refinamento.

Porta-malas generoso e compartimento dianteiro

O porta-malas tem capacidade para 660 litros. Com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros, o volume sobe para 1.576 litros. A soleira de carga é um pouco alta, mas há um compartimento de armazenamento dianteiro de 71 litros, útil para compras rápidas ou para guardar os cabos de carregamento.

Tecnologia embarcada: telas, assistentes e sistema de som premium

Três telas dominam a cabine: uma de 10,25 polegadas para o motorista e duas de 15 polegadas — uma central e outra voltada ao passageiro dianteiro. Os menus oferecem ampla variedade de opções. Um recurso prático é que os aplicativos na tela sensível ao toque são configuráveis e podem ser personalizados. Há também dois carregadores por indução.

O sistema de som hi-end é assinado pela marca dinamarquesa Dynaudio. A quase total ausência de botões físicos dá ao habitáculo um visual limpo e minimalista. Ajustes dos bancos dispensam as telas, o que é um ponto positivo de praticidade.

Assistência ao motorista: recursos avançados com ressalvas

Os sistemas de assistência ao motorista por vezes se mostram demasiado intrusivos, como é comum nos carros chineses. Os sons de alerta lembram a trilha sonora do videogame Mario Kart, do Game Boy. O sistema de assistência à manutenção de faixa puxa o volante com alguma agressividade, mas pode ser desativado.

O hardware — incluindo o sensor LiDAR — está preparado para níveis mais avançados de condução autônoma. No entanto, o software correspondente não está disponível fora da China.

Expectativas para o mercado brasileiro

Ainda sem apresentação oficial no Brasil, a Xpeng demonstra com o G9 que tem muito a oferecer. O modelo é apenas uma amostra do que pode chegar por aqui — e há bastante o que esperar dessa empresa que mistura robótica, drones e carros elétricos de alta tecnologia em seu portfólio.