Novo AMG GT elétrico da Mercedes-Benz entrega 1.153 cv e carrega de 10% a 80% em 11 minutos
Mercedes-Benz revela AMG GT elétrico de quatro portas com 1.153 cv, motor de fluxo axial e recarga ultrarrápida de 600 kW em 11 minutos
Sedã de quatro portas inaugura motores de fluxo axial, bateria com ânodo de silício e potência de recarga de até 600 kW
A divisão esportiva da Mercedes-Benz acaba de tirar o véu do que promete ser a vitrine tecnológica da próxima geração elétrica da marca alemã. O AMG GT elétrico de quatro portas reúne um conjunto de inovações que vão desde o tipo de motor até a química da bateria — e os números entregues são superlativos.
Três motores e até 1.153 cv na versão topo de linha
No coração do novo sedã estão motores de fluxo axial, tecnologia desenvolvida pela britânica YASA, adquirida pela Mercedes-Benz em 2021. Diferentemente dos motores cilíndricos convencionais usados na maioria dos veículos elétricos, essas unidades têm formato semelhante a discos. O resultado é um conjunto mais compacto, mais leve e com maior densidade de potência. De acordo com a fabricante, cada motor é 67% mais leve e 67% mais curto do que um motor elétrico tradicional.
A configuração GT 63, topo de linha, distribui três motores — dois no eixo traseiro e um no dianteiro — para alcançar 1.153 cv e 200,7 kgfm de torque. A variante GT 55, por sua vez, oferece 805 cv. Em ambas, a aceleração de 0 a 100 km/h acontece na casa dos 2,3 segundos.
Ânodo de silício: a aposta na próxima geração de baterias
O pacote de energia do AMG GT elétrico tem capacidade de 106 kWh e recorre a células cilíndricas dotadas de sistema de resfriamento avançado. O grande diferencial está no ânodo enriquecido com silício, uma evolução em relação ao grafite predominante nas baterias de íons de lítio atuais.
Ao adicionar silício, a densidade energética da célula aumenta. Na prática, isso permite ampliar a autonomia sem tornar a bateria significativamente maior ou mais pesada. A Mercedes-Benz estima que o sedã consiga rodar cerca de 700 km no ciclo europeu WLTP.
Recarga ultrarrápida de 600 kW — longe da realidade brasileira
A potência máxima de carregamento em corrente contínua atinge 600 kW, patamar ainda raro mesmo nos mercados mais avançados em infraestrutura para veículos elétricos. Segundo a marca, o intervalo de 10% a 80% de carga é coberto em aproximadamente 11 minutos.
O número é impressionante, porém está distante do que a infraestrutura brasileira oferece hoje. Os carregadores ultrarrápidos disponíveis no país operam normalmente entre 60 kW e 180 kW, o que significa que o potencial pleno dessa tecnologia ainda não pode ser explorado localmente.
Nova fase na estratégia de eletrificação da Mercedes
O lançamento do AMG GT elétrico representa uma mudança de rumo para a fabricante alemã. Após a recepção morna dos primeiros modelos da linha EQ — criticados pelo design controverso e pelo desempenho comercial abaixo do esperado —, a Mercedes-Benz tenta reposicionar sua oferta elétrica com veículos de visual mais convencional e repletos de soluções de engenharia avançadas.
