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Elétricos

Mercedes-AMG GT SUV: o primeiro utilitário elétrico criado do zero pela AMG tem 1.185 cv e simula ronco de V8

Mercedes-AMG GT SUV é o primeiro utilitário elétrico da AMG com três motores, 1.185 cv, recarga ultrarrápida de 710 kW e simulação de V8

AutoRodas 19 de outubro de 2026 5 min de leitura

Com três motores, bateria de 800 volts e recarga ultrarrápida de 710 kW, novo SUV esportivo promete até 700 km de autonomia e acelera de 0 a 100 km/h em 2,7 segundos

Em quase seis décadas de existência, a AMG nunca havia projetado um SUV inteiramente sob sua própria engenharia. Esse capítulo muda agora com a chegada do Mercedes-AMG GT SUV, segundo modelo construído sobre a plataforma elétrica AMG.EA e primeiro utilitário esportivo nascido do zero pela divisão de performance da Mercedes-Benz.

As encomendas já estão abertas na Europa. A versão de entrada GT 53 SUV tem pré-venda iniciada em 20 de outubro, com preço a partir de 113.050 euros (R$ 695.258 ao câmbio atual). As variantes mais potentes — GT 55 e GT 63 — só chegam ao mercado no segundo trimestre de 2027. A produção acontece na fábrica de Sindelfingen, na Alemanha.

Plataforma exclusiva e aerodinâmica de referência

Ao contrário dos utilitários anteriores da marca, que partiam de projetos convencionais da Mercedes-Benz e recebiam preparação esportiva, o novo SUV compartilha base técnica com o recente AMG GT 4-Door Coupé elétrico. A carroceria mede 5,08 m de comprimento, 2,00 m de largura e 1,66 m de altura, com entre-eixos de 3,04 m.

A silhueta rebaixada garante coeficiente aerodinâmico de 0,27. Aletas frontais móveis e um aerofólio ativo — que se ajusta automaticamente acima de 150 km/h — contribuem para esse resultado.

Três motores de fluxo axial e até 1.185 cv

O topo de linha GT 63 SUV reúne três motores elétricos de fluxo axial que entregam 1.185 cv e 204,1 kgfm de torque. Dois desses propulsores ficam alojados em conjunto no eixo traseiro, equipados com engrenagens planetárias e inversores de carbeto de silício arrefecidos a água. O terceiro motor, na dianteira, funciona sob demanda e conta com uma unidade de desacoplamento rápido, reduzindo o arrasto mecânico em velocidades de cruzeiro para priorizar eficiência.

A versão intermediária GT 55 SUV adota o mesmo arranjo de três motores, com 827 cv e 189,8 kgfm. Já o modelo de acesso GT 53 SUV utiliza dois propulsores síncronos convencionais — somando 552 cv e 81,6 kgfm — e câmbio traseiro de duas marchas.

Desempenho em números

Pesando até 2.695 kg, o GT 63 SUV promete acelerar de zero a 100 km/h em 2,7 s e alcançar 200 km/h em 7,2 s. A velocidade máxima chega a 270 km/h com o pacote opcional Driver’s Package. O GT 55 SUV cumpre o zero a 100 km/h em 3,1 s, enquanto o GT 53 SUV realiza a mesma prova em 4,2 s, com máxima de 250 km/h.

Bateria de 800 volts com tecnologia da Fórmula 1

A autonomia pode chegar a 700 km no ciclo europeu WLTP, graças à bateria de 800 volts disponível em duas capacidades úteis: 106 kWh (18 módulos) ou 128 kWh (22 módulos). A recarga ultrarrápida alcança potência máxima de 710 kW, adicionando 454 km de alcance em apenas 10 minutos — o suficiente para cobrir a distância entre Rio de Janeiro e São Paulo.

A engenharia recorreu a conceitos da Fórmula 1 para manter o rendimento térmico sob uso severo em pista. As células cilíndricas — com 10,5 cm de altura e 2,6 cm de diâmetro — utilizam química NCMA com ânodo de silício. Um óleo não condutor circula individualmente ao redor de cada célula, controlando a temperatura de forma homogênea. O resultado é que as versões GT 55 e GT 63 conseguem sustentar uma potência contínua de 731 cv sem superaquecimento.

Tempos de recarga por potência

Com o pack de 128 kWh, a carga sobe de 10% a 80% em 12 minutos na potência máxima de 710 kW. A bateria de 106 kWh aceita até 600 kW e completa o mesmo intervalo em 11 minutos. Em carregadores mais comuns de 400 kW, a parada leva entre 14 e 16 minutos. O sistema comuta automaticamente para redes de 400V e suporta cinco padrões globais de plugues, incluindo CCS2 e NACS.

Suspensão ativa e controle dinâmico avançado

A gestão dinâmica do Mercedes-AMG GT SUV emprega suspensão pneumática ativa, esterçamento do eixo traseiro em até seis graus e estabilização hidráulica de rolagem. O conjunto, batizado de AMG Active Ride Control+, substitui barras estabilizadoras mecânicas por elementos hidráulicos interconectados e molas a ar de três estágios com reservatório de pressão.

Segundo a fabricante, o sistema neutraliza a inclinação da carroceria em curvas e o mergulho nas frenagens quase em tempo real. Na dianteira, braços de alumínio forjado compõem a geometria. Freios carbono-cerâmicos vêm de série no GT 63 e são opcionais no GT 55.

Sistema que simula o ronco de V8 e trocas de marcha

Para conquistar entusiastas dos motores a combustão, o modo de condução AMGFORCE Sport+ reproduz gravações captadas com 16 microfones em esportivos como o AMG GT R. O software simula os trancos de uma caixa automatizada por meio de aletas no volante e aciona atuadores físicos nos assentos, gerando vibrações sincronizadas.

Nas versões 55 e 63, três seletores giratórios físicos no console central permitem ajustar em tempo real a resposta do acelerador, a vetorização de torque e os nove níveis do controle de tração.

Interior tecnológico com inteligência artificial tripla

O habitáculo oferece posição de dirigir rebaixada e painel digital de 10,2 polegadas integrado a uma central multimídia de 14 polegadas. Uma tela adicional de 14 polegadas serve o passageiro dianteiro. O teto panorâmico conta com controle eletrônico de opacidade.

O sistema operacional MB.OS integra simultaneamente três agentes de inteligência artificial: Google Gemini, ChatGPT e Microsoft Bing. Para uso em autódromos, um gerenciador preditivo calcula a topografia de circuitos como Nürburgring, poupando energia nas descidas e liberando força total em retas e subidas.

Espaço de carga

O porta-malas traseiro comporta 607 litros, expansíveis a 1.740 litros com os bancos rebatidos. Na dianteira, há um compartimento adicional de 78 litros — ou 111 litros pelo padrão de medição líquida.

Mercedes-AMG GT SUV: o primeiro utilitário elétrico criado do zero pela AMG tem 1.185 cv e simula ronco de V8
(Divulgação/Mercedes-Benz)
Mercedes-AMG GT SUV: o primeiro utilitário elétrico criado do zero pela AMG tem 1.185 cv e simula ronco de V8
– (Divulgação/Mercedes-Benz)