Maior recall da história da China atinge 4,3 milhões de veículos por causa de maçanetas
China convoca 4,3 milhões de veículos no maior recall de sua história por falhas de segurança nas maçanetas, com impacto global e no Brasil
Nova norma de segurança obriga fabricantes a redesenhar maçanetas e pode impactar exportações para o Brasil
Cerca de 4,3 milhões de veículos estão sendo convocados no que já é considerado o maior recall da história da China. O motivo não está em falhas mecânicas complexas ou problemas eletrônicos: são as maçanetas dos carros. O design moderno e integrado à carroceria dificulta a identificação por socorristas e ocupantes durante emergências, colocando vidas em risco.
O que motivou a nova regulamentação chinesa
A corrida por inovação em design, tecnologia e desempenho tem levado fabricantes a adotar maçanetas cada vez mais discretas, muitas vezes digitais e praticamente invisíveis na superfície do veículo. Segundo o portal Car News China, essa tendência criou um problema grave de segurança: em situações de acidente, abrir as portas tornou-se uma tarefa confusa e demorada tanto para equipes de resgate quanto para os próprios passageiros.
Diante desse cenário, o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China publicou a norma chamada “Requisitos Técnicos para Segurança de Maçanetas de Portas Automotivas”. O documento estabelece exigências claras para todas as portas dos veículos.
Principais exigências da norma
- Todas as portas devem contar com maçaneta externa dotada de função de abertura mecânica;
- Na parte interna, as maçanetas precisam ser facilmente identificáveis, claramente visíveis e posicionadas a no máximo 30 cm das bordas da porta;
- Uma alternativa adicional sugerida é a instalação de uma ferramenta capaz de baixar os vidros automaticamente após uma colisão, facilitando fugas e resgates.
Prazos e marcas afetadas
As novas regras entrarão em vigor no dia 1º de janeiro de 2027 para veículos zero-quilômetro. Já os modelos em circulação terão até 2029 para se adequar à norma. Entre as fabricantes impactadas pelo recall está a renomada Tesla, além de marcas já presentes no mercado brasileiro, como Geely, Chery, Leapmotor, Zeekr e Xiaomi. Nomes que se preparam para desembarcar no Brasil, como BAIC e DongFeng, também constam na lista.
Impacto potencial no Brasil e no mundo
Embora as regras valham, por enquanto, apenas para o mercado chinês, a decisão pode ganhar proporções globais. O Brasil, um dos maiores importadores de veículos chineses no planeta, será diretamente afetado. Com a mudança no mercado local chinês, os modelos exportados a partir do próximo ano já chegarão com as maçanetas redesenhadas.
Domínio chinês no mercado brasileiro
Nenhum indicador do mercado automotivo brasileiro atual é tão expressivo quanto a escalada das marcas chinesas. No acumulado até julho, veículos chineses — entre carros de passeio e comerciais leves — somaram 284.878 unidades emplacadas. O crescimento em relação ao mesmo período de 2025 foi de impressionantes 146,67%.
Elétricos chineses dominam o ranking geral
O segmento de elétricos reforça essa tendência. Em julho, foram 25.764 unidades emplacadas em todo o território nacional. Pela primeira vez na história, três modelos elétricos — todos chineses — figuraram entre os 10 mais vendidos no ranking geral do mês.
A BYD garantiu duas posições na lista. O Dolphin Mini registrou 7.265 vendas e ficou em 6º lugar, enquanto o Dolphin alcançou 6.492 unidades e ocupou a 8ª colocação. A Geely celebrou o resultado do EX2, que emplacou 5.898 unidades e terminou em 9º no ranking geral.
A presença chinesa tende a se intensificar ainda mais: até 2028, ao menos oito novas marcas do país asiático devem estrear no mercado brasileiro.

