Lotus: marca da primeira vitória de Ayrton Senna na F1, desembarca oficialmente no Brasil; conheça os carros
Lotus chega oficialmente ao Brasil com quatro modelos, incluindo elétricos e esportivos a combustão, e planeja expandir rede de concessionárias até 2027
Fabricante britânica de superesportivos, marcada pela história com Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna na Fórmula 1, inicia operação oficial em solo brasileiro com quatro modelos
Poucos nomes do automobilismo despertam tanta nostalgia entre os brasileiros quanto a Lotus. Foi pilotando um carro da escuderia inglesa que Ayrton Senna conquistou sua primeira vitória na Fórmula 1, em um épico dilúvio durante o Grande Prêmio de Portugal de 1985. Agora, 40 anos depois, a marca chega oficialmente ao Brasil para vender superesportivos e carros de luxo.
Quem vai operar a Lotus no Brasil
A apresentação oficial aconteceu no fim da semana passada, conduzida pela LTS, representante da marca no país. A LTS é uma divisão do grupo Bamaq, já conhecido no mercado de luxo por operar concessionárias de Mercedes-Benz e Porsche. A empresa vai se dedicar exclusivamente à operação da Lotus em território nacional, confirmando informação trazida por Autoesporte em abril deste ano.
78 anos de história e inovações revolucionárias
Fundada pelo engenheiro Colin Chapman, a Lotus acumula 78 anos de trajetória. Nasceu como equipe garagista na chamada era de ouro da F1, no final dos anos 1950, e rapidamente se tornou sinônimo de criatividade no paddock. Chapman foi o responsável por introduzir inovações que transformaram a categoria: carros com chassi monocoque, aerofólios, radiadores posicionados nas laterais para uma dianteira mais baixa e aerodinâmica e suspensão ativa.
A escuderia também foi a primeira na história da Fórmula 1 a estampar adesivos de patrocinadores em seus carros, prática que se tornaria universal.
Ligação profunda com os ídolos brasileiros
O bicampeão mundial Emerson Fittipaldi conquistou pela Lotus o primeiro título dele e o primeiro do Brasil na categoria, em 1972, a bordo do Lotus 72D.
Já Ayrton Senna obteve pela mesma esquadra as seis primeiras de suas 41 vitórias no campeonato, entre 1985 e 1987. As duas últimas, nos GPs de Mônaco e dos Estados Unidos de 1987, foram também os dois primeiros triunfos de um carro com suspensão ativa na história do certame.
De fabricante britânica a braço chinês
Com todo esse legado nas pistas, a Lotus também se especializou em produzir superesportivos e carros de luxo para as ruas. Por muito tempo, a marca chegou a se dividir em duas operações distintas, o que gerou até uma briga envolvendo familiares de Chapman, falecido em 1982. Nos últimos anos, a gigante chinesa Geely comprou as duas empresas e reunificou a operação. Hoje, portanto, a Lotus é uma marca britânica com um braço chinês e ligações indiretas com Volvo e Zeekr.
Rede de concessionárias e plano de expansão
A primeira concessionária será inaugurada em São Paulo (SP) até julho. Outra unidade vai funcionar no espaço Fazenda Boa Vista, condomínio fechado de alto luxo em Porto Feliz, no interior paulista.
O plano de expansão da LTS prevê a abertura de revendas em Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Curitiba (PR) e Goiânia (GO) até o fim de 2027.
Portfólio e personalização exclusiva
Inicialmente, quatro produtos formarão o catálogo da Lotus no Brasil. No entanto, a ambição da importadora vai além. “Todos os modelos existentes na gama global da marca” é o objetivo declarado pelo CEO no país, Clemente Faria Jr., durante o evento de apresentação.
A LTS estima que 70% das vendas serão feitas por encomenda, com alto índice de personalização. Os clientes terão acesso a três níveis de customização. No primeiro, será possível escolher itens como pintura externa, rodas e detalhes de acabamento interno. No segundo, a marca deve disponibilizar séries limitadas exclusivas para consumidores brasileiros.
Por fim, quem quiser um carro único poderá viajar à sede da marca no Reino Unido com representantes da divisão brasileira para liderar a produção de um veículo personalizado de forma exclusiva. Tudo depende de quanto o comprador está disposto a pagar e se engajar no projeto.
Os carros que a Lotus vai vender no Brasil
A concorrente mais direta no posicionamento é a Porsche, embora alguns modelos rivalizem com superesportivos de Lamborghini e Ferrari. Um detalhe que pode incomodar puristas que lembram da Lotus dos tempos de Emerson Fittipaldi e Ayrton Senna: três dos quatro modelos são elétricos.
Lotus Eletre
Primeiro lançamento programado para agosto, o Lotus Eletre deve ser o modelo mais vendido da marca no mercado brasileiro. É também o primeiro SUV da Lotus, posicionado como uma espécie de rival do Lamborghini Urus.
Chega com motorização elétrica formada por dois motores, um sobre cada eixo, em duas calibrações. O Eletre 600 entrega 612 cv de potência e 72,4 kgfm de torque, completando o 0 a 100 km/h em 4,5 s. O Eletre 900 sobe para 918 cv e 100,4 kgfm, com direito a um câmbio de duas marchas — algo raro para um carro elétrico. Nessa versão, o 0 a 100 km/h ocorre em cerca de 3 s.
Em ambas as configurações, as baterias de 112 kWh, formadas por íons de lítio (NMC), projetam autonomia combinada de 410 km no ciclo europeu WLTP. A arquitetura elétrica de 800 Volts possibilita recargas a até 350 kW de potência (DC), projetando uma recuperação entre 10% e 80% da energia em 20 minutos.
Nas dimensões, o Lotus Eletre mede 5,10 m de comprimento, 3,02 m de entre-eixos e 2,02 m de largura.
No fim do ano, a LTS vai lançar no Brasil o Eletre X, variante híbrida plug-in que combina um motor 2.0 turbo a gasolina dianteiro com outro motor elétrico traseiro, formando 952 cv de potência e 100,4 kgfm de torque combinados, com tração integral e 0 a 100 km/h em 3,3 s. As vendas efetivas dessa versão só serão iniciadas em 2027.
A bateria tem robustos 70 kWh de capacidade, garantindo autonomia elétrica de 350 km (WLTP). A recarga rápida (DC) é de até 150 kW, permitindo recuperar entre 20% e 80% da carga em apenas 9 minutos.
Lotus Emeya
Compartilhando plataforma e conjuntos mecânicos com o Eletre, o Lotus Emeya adota carroceria estilo sedã-coupê. Graças à aerodinâmica mais favorável, a versão de 918 cv — única a ser oferecida no Brasil — vai de 0 a 100 km/h em 2,8 s. Trata-se de rival direto para o Porsche Taycan Turbo GT, o carro mais rápido já testado por Autoesporte. A bateria tem 102 kWh de capacidade e a autonomia chega a 610 km.
Sua chegada ao mercado brasileiro está prevista para agosto, junto com o Eletre.
Lotus Emira
O Lotus Emira é um cupê esportivo de dois lugares e duas portas, equipado exclusivamente com motores a combustão em montagem central-traseira. Virá em duas variantes: manual e automática, entre setembro e outubro.
A versão manual traz um motor V6 3.5 com compressor mecânico (supercharger) de origem Toyota, aliado a um câmbio de seis marchas. Gera 405 cv de potência e 42,8 kgfm de torque, rendendo um 0 a 100 km/h em 4,3 segundos. Já a versão automática conta com um 2.0 turbo.
Lotus Evija: o carro mais potente do Brasil
Em paralelo a toda essa linha, a Lotus do Brasil terá direito a comercializar duas das 130 unidades produzidas do Evija, superesportivo elétrico com mais de 2.000 cv. Ele será o carro mais potente e caro já comercializado no país.
Cronograma de lançamentos
- Agosto: SUV Eletre (600 e 900) e sedã-coupê Emeya
- Setembro/outubro: cupê esportivo Emira (manual e automático)
- Novembro: apresentação do Eletre X (híbrido plug-in), com vendas a partir de 2027