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Mercado

Hyundai i20 Ultimate: tudo sobre a versão topo de linha do novo hatch da marca no Brasil

Hyundai i20 Ultimate foi testado por uma semana e impressiona em tecnologia e consumo, mas peca no acabamento interno e falta de eletrificação

AutoRodas 29 de setembro de 2026 5 min de leitura

De série já vem com painel digital de 12,3 polegadas, partida do motor por botão, chave presencial smart key, piloto automático, direção elétrica e mais

A Hyundai lançou no Brasil o i20, um hatch compacto com configuração exclusiva para o mercado nacional, produzido na fábrica de Piracicaba. A versão Ultimate, a mais equipada da gama, custa R$ 139.990 e foi testada pela imprensa durante uma semana, revelando qualidades na dirigibilidade e tecnologia embarcada, mas também pontos de atenção como a ausência de eletrificação e acabamento interno em plástico.

Análise

Desempenho comercial surpreendente

Desde o início das vendas em julho, o Hyundai i20 já acumula 6.386 unidades emplacadas, número que supera o Peugeot 208, que registrou 3.831 unidades no ano inteiro. Esse resultado demonstra forte aceitação do consumidor brasileiro e valida a estratégia da Hyundai de produzir localmente um hatch competitivo.

Motor e câmbio

O i20 Ultimate é equipado com motor 1.0 turbo de três cilindros que entrega 115 cv e 17,5 kgfm de torque, acoplado a um câmbio automático de 6 velocidades. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em aproximadamente 10 segundos na prática, ligeiramente abaixo do dado oficial de 11,7 segundos. Em consumo urbano, o modelo registrou média de 10 km/l com gasolina, enquanto na estrada alcançou 15,9 km/l em percurso com trechos de serra e cinco ocupantes a bordo.

Equipamentos da versão Ultimate

A versão topo de linha traz uma lista generosa de itens de série:

  • Painel digital e multimídia de 12,3 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Ar-condicionado automático digital
  • Carregador sem fio para smartphone
  • Piloto automático adaptativo (ACC)
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Assistente de permanência em faixa
  • Alerta de ponto cego
  • Farol alto adaptativo
  • Freio a disco nas quatro rodas
  • Sistema Start & Stop
  • Partida por botão e chave presencial smart key

Pontos positivos

Dirigibilidade: O volante apresenta calibração precisa e a suspensão possui acerto mais firme, transmitindo segurança ao motorista. Apesar da altura livre de apenas 16,5 cm, o carro transpõe lombadas e valetas sem dificuldade.

Consumo na estrada: A média de 15,9 km/l com cinco passageiros e trecho de serra é um resultado expressivo para um motor puramente a combustão.

Tecnologia: O pacote de assistentes de direção (ADAS) é completo para a categoria e posiciona o i20 como referência entre os hatches compactos nacionais.

Pontos negativos

Acabamento interno: As portas e o painel são inteiramente revestidos em plástico rígido, sem materiais macios ao toque. Para um carro que custa quase R$ 140 mil, esse aspecto pode desagradar consumidores mais exigentes.

Ausência de eletrificação: O i20 não conta com nenhuma forma de hibridização, nem mesmo um sistema mild hybrid 48V. Num mercado onde concorrentes já oferecem versões híbridas leves, essa lacuna pode limitar o crescimento de vendas a médio prazo.

Carregador por indução sem climatização: O carregador wireless aquece excessivamente o smartphone, problema que poderia ser minimizado com uma saída de ar direcionada à base de carregamento.

Espaço traseiro: Para cinco passageiros, a segunda fileira apresenta limitação lateral nos ombros, o que compromete o conforto em viagens mais longas.

Dimensões

  • Comprimento: 4.130 mm
  • Largura: 1.780 mm
  • Altura: 1.505 mm
  • Entre-eixos: 2.580 mm
  • Porta-malas: 346 litros
  • Tanque: 50 litros

Curiosidades

O volante do Hyundai i20 não exibe a logomarca tradicional da marca. Em seu lugar, há quatro pontos que representam a letra H em código Morse. Além disso, o freio de estacionamento eletrônico é posicionado em local discreto, afastado do console central.

Opinião do Especialista

O Hyundai i20 Ultimate chega ao mercado brasileiro em uma posição estratégica muito bem calculada pela Hyundai. A marca identificou um espaço entre os hatches de entrada e os SUVs compactos e encaixou um produto que, em termos de tecnologia embarcada, rivaliza com modelos de segmentos superiores. Ter piloto automático adaptativo, frenagem autônoma e alerta de ponto cego em um hatch compacto nacional é algo inédito e coloca pressão direta sobre concorrentes como Volkswagen Polo, Fiat Argo e Chevrolet Onix.

O volume de vendas alcançado nos primeiros meses é impressionante e mostra que a Hyundai acertou na fórmula de preço, equipamento e produção local. O fato de já superar o Peugeot 208 em poucos meses de comercialização indica que o consumidor brasileiro valoriza a relação entre tecnologia e custo, mesmo que o acabamento interno não seja o ponto forte do modelo.

No entanto, a ausência total de eletrificação é um risco calculado. A tendência do mercado brasileiro aponta para a adoção crescente de sistemas mild hybrid, que melhoram o consumo e reduzem emissões sem impacto significativo no preço final. Concorrentes como o Fiat Fastback Hybrid e o Toyota Yaris Cross HEV já oferecem algum grau de eletrificação, e a Hyundai pode perder competitividade se demorar a incorporar essa tecnologia ao i20.

O motor 1.0 turbo é adequado para a proposta do carro, mas não empolga. Seus 115 cv são suficientes para o trânsito urbano e viagens rodoviárias, porém ficam aquém do que uma versão esportiva N Line — que pode vir futuramente — poderia oferecer para atrair um público mais jovem e entusiasta.

O preço de R$ 139.990 para a versão Ultimate posiciona o i20 em território perigoso: já se aproxima de SUVs compactos como o Hyundai Creta de entrada e o próprio Volkswagen T-Cross. A Hyundai precisará justificar essa faixa de preço mantendo a lista de equipamentos diferenciada e, idealmente, melhorando o acabamento interno nas próximas atualizações.

Projeção: o i20 deve encerrar 2026 entre os cinco hatches mais vendidos do Brasil, consolidando a estratégia da Hyundai de ampliar sua presença no segmento de entrada. A médio prazo, é esperada a introdução de uma versão com motorização híbrida leve para manter a competitividade frente à concorrência cada vez mais eletrificada. A produção em Piracicaba é um trunfo logístico e fiscal que permite margem para ajustes de preço e versões intermediárias que ampliem o apelo do modelo.