Gordon Murray S1 resgata a receita do McLaren F1 com V12, câmbio manual e volante central
Gordon Murray S1 chega com motor V12 aspirado de 681 cv, volante central e câmbio manual, limitado a 64 unidades artesanais
Nova criação do designer do McLaren F1 troca agressividade de pista por refinamento estradeiro, mantendo motor Cosworth V12 e disposição de três assentos
O evento The Quail, realizado nos Estados Unidos como parte da Monterey Car Week, serviu de palco para a revelação do Gordon Murray S1. Derivado do superesportivo de competição S1 LM, o modelo é a mais recente obra do renomado designer sul-africano Gordon Murray — o mesmo engenheiro responsável pelo projeto do McLaren F1, automóvel que ostentou o título de mais rápido do mundo no início da década de 1990.
As semelhanças entre os dois carros não são coincidência. A configuração de três lugares com o motorista ao centro, a tração traseira e o câmbio manual de seis marchas estão presentes no novo modelo. O que muda é a filosofia: onde o S1 LM priorizava desempenho em circuitos, o S1 de rua substitui os apêndices aerodinâmicos agressivos por um comportamento pensado para viagens longas.
Carroceria redesenhada em fibra de carbono
A transformação começa pela carroceria. A enorme asa traseira fixa e os divisores de ar do modelo de pista deram lugar a um desenho inteiramente novo, moldado em fibra de carbono. A fabricante optou por privilegiar o equilíbrio dinâmico e a aderência em velocidades de cruzeiro, abrindo mão da busca por níveis extremos de pressão aerodinâmica.
Na parte traseira, defletores ativos integrados substituem as peças fixas da versão de competição. Esses componentes ajustam sua inclinação automaticamente de acordo com a velocidade, garantindo estabilidade direcional e auxiliando nas frenagens mais intensas.
V12 Cosworth aspirado de 4,2 litros e 681 cv
O coração mecânico desenvolvido pela Cosworth foi preservado, porém com cilindrada ampliada para 4,2 litros. O motor V12 aspirado entrega 681 cv e 51 kgfm de torque, mantendo o corte de giro em impressionantes 12.100 rpm. A curva de potência, contudo, foi recalibrada: mais de 80% do torque já está disponível a partir de 2.500 rpm, facilitando a condução cotidiana.
A transmissão manual de seis marchas recebeu um trambulador retrabalhado, que emprega cabos mais retos para engates mais precisos. A sexta relação foi alongada com o objetivo de reduzir a rotação em velocidade de cruzeiro, contribuindo tanto para o conforto acústico quanto para a autonomia.
Engenharia de competição sob o capô
Componentes internos herdados diretamente do automobilismo foram mantidos no propulsor: bielas e válvulas de titânio, além de pistões com revestimento de carbeto de silício, reduzem a inércia das peças móveis. O isolamento térmico do cofre do motor utiliza chapas folheadas a ouro 24 quilates, enquanto o sistema de escapamento é fabricado em Inconel.
Suspensão e dinâmica adaptadas para a estrada
A suspensão independente passou por uma revisão completa na calibração dos amortecedores. A altura livre do solo foi elevada em 10 mm em relação à variante de pista, buscando filtrar melhor as imperfeições do asfalto sem sacrificar a precisão do conjunto. A direção conta com assistência elétrica ajustável, permitindo adaptação tanto para manobras em baixa velocidade quanto para pilotagem em ritmo mais intenso.
Habitáculo com três lugares e foco no conforto
Dentro do Gordon Murray S1, o motorista ocupa a posição central, flanqueado por dois assentos de passageiros ligeiramente recuados — disposição idêntica à do McLaren F1. O painel reúne um conta-giros analógico central e duas telas digitais configuráveis, sem abrir mão de botões físicos para comandos de climatização e funções essenciais de condução.
Diferentemente do irmão de pista, que utilizava janelas fixas em policarbonato com pequenas aberturas corrediças, o S1 de rua adota portas de abertura diédrica equipadas com vidros convencionais de acionamento elétrico. O vão de abertura foi ampliado para facilitar o acesso dos ocupantes ao habitáculo.
Isolamento e acabamento refinados
Camadas adicionais de isolamento acústico foram incorporadas à cabine. O acabamento combina revestimento em couro e tecidos personalizados, central multimídia atualizada e sistema de som de baixo peso. Apesar de todos esses itens de conforto, a fabricante garante que a meta de peso total em ordem de marcha ficou abaixo dos 986 kg registrados pelo T.50.
Produção limitada a 64 unidades artesanais
A Gordon Murray Special Vehicles restringirá a fabricação do S1 a apenas 64 exemplares, todos montados artesanalmente. Cada unidade será configurada individualmente conforme as exigências do comprador, sem que haja repetição de especificações entre os carros produzidos.
Valores oficiais ainda não foram revelados. No entanto, estimativas de mercado apontam para cifras na faixa dos sete dígitos em libras esterlinas — o que ultrapassa facilmente a marca de R$ 20 milhões em conversão direta, sem considerar taxas de importação. As entregas estão previstas para acontecer em escala global ao longo dos próximos anos.





