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Elétricos

Geely EX2 será produzido na fábrica da Renault no Paraná até o final de 2026

Geely confirmou produção do EX2 no Brasil na fábrica da Renault no Paraná até o fim de 2026 para reduzir impostos e atender demanda

AutoRodas 3 de junho de 2026 4 min de leitura

Hatchback elétrico chinês ganha produção nacional no Complexo Ayrton Senna para enfrentar aumento de impostos e suprir demanda crescente

O Complexo Ayrton Senna, localizado em São José dos Pinhais (PR), será o berço brasileiro do Geely EX2. A marca chinesa confirmou oficialmente que a montagem do hatchback elétrico no país terá início ainda antes do encerramento de 2026. A decisão atende a dois objetivos simultâneos: blindar o modelo contra a escalada da alíquota do imposto de importação e dar conta de uma demanda que se mostrou consistente desde a chegada do carro ao mercado nacional.

Plataforma dedicada a elétricos e parceria com a Renault

A linha de produção paranaense utilizará a base modular GEA (Global Intelligent Electric Architecture), plataforma concebida exclusivamente para veículos movidos a bateria. Essa arquitetura dispensa adaptações estruturais voltadas a motores a combustão, o que resulta em melhor aproveitamento do espaço interno da cabine.

A fábrica da Renault será compartilhada com a Geely — um arranjo que já tem outro projeto encaminhado. O SUV híbrido Geely EX5 EM-i também será fabricado na mesma planta a partir do segundo semestre deste ano. Para viabilizar a readequação da linha de utilitários, um acordo sindical foi firmado em abril com os metalúrgicos da região.

Estratégia global do Grupo Renault

A iniciativa se insere num movimento mais amplo do Grupo Renault fora da Europa. A montadora francesa tem buscado descentralizar o desenvolvimento de produtos e firmar parcerias com fabricantes asiáticos de alto volume. O objetivo é ganhar escala produtiva e dividir os custos de nacionalização.

Do termômetro de mercado à produção local

O Geely EX2 desembarcou no Brasil como importado em novembro de 2025, servindo como teste para avaliar a receptividade do público. A resposta favorável sustentou a decisão de investir na fabricação local. A ambição da marca é reproduzir por aqui os números expressivos obtidos na Ásia: o modelo encerrou 2025 com 465.775 unidades emplacadas na China.

Com a produção paranaense, o elétrico passa a contar com vantagem logística sobre concorrentes que ainda dependem de importação marítima. A expectativa é que o preço se mantenha na faixa de entrada do segmento, comparável ao valor de um Volkswagen Nivus na versão mais acessível.

Motor, desempenho e tração traseira

Um dos trunfos do hatch no segmento é a tração traseira, solução que evita perda de aderência nas rodas dianteiras durante arrancadas. O propulsor é um motor elétrico síncrono de ímã permanente, capaz de gerar 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque.

Em termos de desempenho, o EX2 cumpre o 0 a 100 km/h em 10,2 segundos. A velocidade máxima é limitada eletronicamente a 130 km/h, embora testes em pista tenham registrado 140 km/h.

Bateria, autonomia e recarga

A energia vem de uma bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) com capacidade de 39,4 kWh, que proporciona autonomia de 289 km segundo homologação do Inmetro.

O sistema de recarga aceita até 70 kW em corrente contínua (DC), levando 21 minutos para saltar de 30% a 80% da carga. Em carregadores de corrente alternada (AC) a 6,6 kW, o tempo para ir de 10% a 100% é de 6,5 horas. Nos testes de consumo, os números ficaram em 8,6 km/kWh na cidade e 8,0 km/kWh em rodovia.

Dimensões e espaço interno

Construído sobre uma plataforma que privilegia o habitáculo, o hatch tem proporções de utilitário compacto: 4,13 m de comprimento, 1,80 m de largura e 1,58 m de altura. O entre-eixos de 2,65 m assegura acomodação adequada para os passageiros traseiros.

O porta-malas comporta 375 litros, volume que sobe para 1.320 litros com os bancos rebatidos. Sob o capô, há um compartimento frontal (frunk) de 70 litros. O peso em ordem de marcha atinge 1.300 kg, e o diâmetro de giro é de 9,9 m.

Apesar de ser externamente mais largo, o EX2 entrega cabine um pouco mais apertada, compensando a diferença com porta-malas mais generoso.

Equipamentos e versões

Versão Pro — R$ 123.800

A configuração de acesso traz rodas de aço de 15 polegadas com calotas, pneus 205/65 e faróis full-LED automáticos. O interior conta com bancos de vinil com ajustes manuais, ar-condicionado digital com saída traseira, partida sem chave, painel digital de 8,8 polegadas e central multimídia de 14,6 polegadas. Essa versão abre mão de rodas de liga leve, alto-falantes traseiros, revestimento macio no console e ajustes elétricos para competir diretamente com o BYD Dolphin Mini.

Versão Max — R$ 136.800

O topo de linha se diferencia pelo visual bicolor com teto preto, rodas de liga leve de 16 polegadas com pneus 205/60, banco do motorista com ajuste elétrico, carregador por indução e sistema de som com seis alto-falantes. O pacote ADAS também integra a configuração, incluindo controle de cruzeiro adaptativo (ACC), alerta de mudança de faixa (LDW), frenagem autônoma de emergência (AEB) e câmera de 540 graus. A versão Max mira rivais como o BYD Dolphin e o GWM Ora 03.

Geely EX2 será produzido na fábrica da Renault no Paraná até o final de 2026