Geely EX2: filas de espera voltam e prazo pode alcançar 90 dias em todo o Brasil
Geely EX2 enfrenta nova fila de espera de até 90 dias com estoques zerados em concessionárias de diversas cidades brasileiras
Estoques esgotados em concessionárias de diversas cidades fazem clientes enfrentarem longas esperas pelo hatch elétrico mais procurado do país
O fenômeno que marcou o início de 2026 se repete. O Geely EX2, hatch elétrico que virou sensação no mercado brasileiro desde seu lançamento em novembro de 2025, voltou a registrar estoques zerados em lojas de diferentes estados. O resultado é uma nova onda de filas de espera que, dependendo da região e da versão desejada, pode chegar a 90 dias.
Cenário nas concessionárias pelo Brasil
Em Salvador (BA), a concessionária Eurovia comunicou que o prazo de espera é de 90 dias, independentemente da versão escolhida. A explicação é simples: o próximo lote de importação já está inteiramente reservado. Quem fizer a compra agora terá que aguardar a chegada de um segundo carregamento.
Na Grande São Paulo, a situação não é muito diferente. Em Alphaville (SP), na concessionária do grupo Amazonas, a versão topo de linha — EX2 Max — tem prazo estimado de 90 dias. Uma vendedora do estabelecimento mencionou a possibilidade de o período cair para 60 dias, caso as unidades importadas desembarquem antes do previsto. Ainda assim, a orientação geral é alertar o consumidor de que a espera pode alcançar três meses. Já a versão de entrada, chamada Pro, demanda entre 30 e 40 dias.
Na Zona Sul da capital paulista, a loja Geely Sinal Adolfo Pinheiro trabalha com prazos de 45 a 60 dias para a Max. Para a Pro, restam poucas unidades em estoque. A situação é semelhante na unidade consultada em São Bernardo do Campo (SP).
Rio de Janeiro e Brasília também enfrentam atrasos
No Rio de Janeiro, a concessionária Geely Azzurra, na Barra da Tijuca, precisa de pelo menos 30 dias para entregar a versão Pro. Se o cliente optar pela Max, mais equipada, o prazo sobe para 60 dias.
Em Brasília (DF), na concessionária Saga, quem adquirir o EX2 Max só receberá o veículo em agosto. A versão mais acessível, que concorre diretamente com o BYD Dolphin Mini, ainda conta com algumas unidades para pronta entrega, mas o estoque está no limite — e, ao acabar, o tempo de espera também será longo.
Um sucesso que surpreendeu até a própria marca
Nem a Geely antecipava a dimensão da procura pelo hatch elétrico. Lançado em novembro de 2025, o modelo já acumulava 90 dias de fila em fevereiro de 2026, porque o lote inicial importado era muito inferior à demanda dos consumidores brasileiros. Na época, os clientes que reservaram o carro só foram atendidos nos meses seguintes, quando cerca de 7 mil unidades desembarcaram no Brasil, em março, impulsionando os emplacamentos. Somente em abril, o Geely EX2 somou 3.602 emplacamentos.
Em nota oficial, a marca declarou: “O EX2 é um produto de grande sucesso no mercado brasileiro. Temos a importação regular do modelo para atender a crescente demanda de mercado, seguindo a ordem de pedidos em nossa rede de concessionárias”.
Ficha técnica: o que há sob a carroceria
Ambas as versões do Geely EX2 — Pro e Max — compartilham a mesma mecânica. O motor elétrico, posicionado no eixo traseiro, desenvolve 116 cv de potência e 15,3 kgfm de torque. A bateria, idêntica nas duas configurações, tem capacidade de 39,4 kWh. De acordo com as medições do Inmetro, a autonomia é de 289 km. O modelo ainda conta com compartimento para bagagens sob o capô.
Corrida contra o tempo: nacionalização e imposto de importação
O aumento no Imposto de Importação para veículos elétricos — que saltará de 25% para 35% a partir de julho — pressiona a Geely a antecipar a chegada de novos lotes cada vez maiores ao Brasil. A alta na tributação pode comprometer a margem da empresa ou forçar um reajuste significativo na tabela de preços do modelo.
Diante desse cenário, a marca chinesa decidiu nacionalizar a produção do EX2, uma medida que não fazia parte da estratégia original, mas que se tornou necessária após o sucesso inesperado. Conforme divulgado pela Autoesporte, o hatch elétrico será fabricado na planta de São José dos Pinhais (PR), que a Geely compartilha com a Renault no Brasil, após adquirir 26,4% da operação da companhia francesa no país.
Operação de guerra na fábrica paranaense
A preparação da linha de produção já está em andamento e a Geely pretende concluí-la ainda em 2026, com o objetivo de começar a vender o EX2 nacional no último trimestre do ano. Para acelerar o processo, a empresa promoveu uma verdadeira “operação de guerra” na fábrica. Entre março e abril, centenas de engenheiros e outros profissionais vindos da China estiveram no local por pouco mais de um mês. Algumas dezenas deles continuam no Brasil até hoje, ajustando os detalhes pendentes.
Ainda não há definição oficial sobre o regime de produção, mas a expectativa é que a Geely siga o caminho adotado por Caoa Changan e GWM: montagem inicial no esquema peça a peça, com todos os componentes importados, aproveitando a infraestrutura que São José dos Pinhais já oferece para etapas como solda e pintura. Esse método facilita a nacionalização gradual de peças. Como a Renault já realiza no Brasil atividades de estamparia e até usinagem de blocos de motor, a nova sócia deve se beneficiar dessa expertise em breve.