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Mercado

Eletrificados batem recorde e já são tratados como motor do mercado brasileiro pela Anfavea

Veículos eletrificados atingiram participação recorde de 18,3% em abril no Brasil, com elétricos puros superando híbridos pela primeira vez segundo a Anfavea.

AutoRodas 18 de maio de 2026 Atualizado em 19 de maio de 2026 4 min de leitura

Participação de veículos eletrificados atingiu 18,3% em abril, com carros 100% elétricos superando híbridos pela primeira vez

Pela primeira vez em um levantamento mensal da Anfavea, os carros 100% elétricos (BEV) lideraram as vendas entre os eletrificados no Brasil. Em abril, foram 17,5 mil unidades emplacadas dessa categoria, superando os 13,2 mil híbridos plug-in (PHEV) e os 12,7 mil híbridos sem recarga externa — grupo que inclui híbridos convencionais e micro-híbridos.

O dado revela uma mudança expressiva no perfil de consumo. Até recentemente, os híbridos eram considerados a principal porta de entrada para a eletrificação no país, especialmente pela carência de infraestrutura de recarga e pelo custo elevado dos modelos puramente elétricos. Porém, a chegada de veículos mais acessíveis, a expansão agressiva das montadoras chinesas e a guerra de preços deflagrada no último ano começaram a reconfigurar essa dinâmica.

Eletrificados ganham protagonismo no discurso da indústria

Na coletiva de maio sobre os resultados do setor automotivo, a Anfavea posicionou os veículos eletrificados entre os principais destaques do mercado nacional. O tema foi colocado lado a lado com dados de produção, emplacamentos gerais e o segmento de pesados — um indicativo claro de que a eletrificação ganhou peso estratégico entre as montadoras tradicionais.

A eletrificação, portanto, deixou de ocupar papel secundário no discurso da indústria automotiva brasileira. Trata-se de um reconhecimento formal de que os números já justificam atenção prioritária.

Recorde de participação e mercado aquecido

Os eletrificados responderam por 18,3% das vendas em abril, a maior participação já registrada pela entidade. Esse resultado foi alcançado em um mês de desempenho robusto para o setor como um todo: foram 248,3 mil autoveículos emplacados, o que representa alta de 19% em relação a abril do ano anterior.

A trajetória de crescimento é consistente. Segundo o material apresentado pela Anfavea, a participação dos eletrificados saiu de pouco mais de 10% do mercado em meados de 2025 para os atuais 18,3%, configurando novo recorde histórico ao longo dos últimos 12 meses.

Critérios de contagem diferem entre entidades

É necessário compreender o que está incluído nos 18,3% divulgados pela Anfavea. Diferentemente de entidades como a ABVE, que desde 2025 deixou de contabilizar os micro-híbridos (MHEV) como eletrificados, a associação das montadoras adota um conceito mais amplo, incorporando modelos mild hybrid no cálculo. Essa diferença metodológica ajuda a explicar parte das discrepâncias entre os levantamentos disponíveis no setor.

Ainda assim, mesmo sob esse critério mais abrangente, a curva de crescimento permanece evidente e incontestável.

Produção nacional em ascensão, mas importações preocupam

Outro ponto ressaltado durante a apresentação foi o avanço da produção local de eletrificados. De acordo com a Anfavea, 40% dos veículos eletrificados comercializados em 2026 já são fabricados no Brasil, reflexo da ampliação da manufatura doméstica e dos novos investimentos direcionados à eletrificação.

Contudo, as preocupações da indústria não desapareceram. A entidade voltou a demonstrar incômodo com o crescimento das importações, que avançaram 12% no acumulado do ano, mesmo com a instalação de novas fábricas no país. A expectativa era de que os veículos importados fossem gradualmente substituídos pela produção local, algo que ainda não se concretizou no ritmo desejado.

Um novo capítulo para o mercado automotivo brasileiro

Embora ainda exista debate sobre a velocidade da transição energética, um aspecto parece cada vez menos questionável: os eletrificados deixaram de ser um nicho estatístico dentro das apresentações da indústria. Os números de abril demonstram que eles já influenciam a dinâmica do mercado brasileiro e, progressivamente, moldam o discurso das próprias montadoras.

A tendência deve se intensificar com a concretização dos investimentos de marcas chinesas como Omoda-Jaecoo e GAC, que ampliam a competitividade e a oferta de modelos eletrificados no país.

Eletrificados batem recorde e já são tratados como motor do mercado brasileiro pela Anfavea