BYD redesenha híbridos plug-in com nova arquitetura para acomodar baterias maiores
BYD reposiciona sistema de escape nos híbridos plug-in com a plataforma Heyuan, liberando espaço para baterias maiores e mais autonomia elétrica
Plataforma “Heyuan” reposiciona o sistema de escape e libera espaço sob o assoalho, aproximando PHEVs da experiência de carros 100% elétricos
Uma mudança estrutural nos veículos híbridos plug-in da BYD começou a ser implementada na China e pode redefinir o que se espera desse tipo de powertrain. A fabricante chinesa passou a adotar a plataforma chamada “Heyuan”, que reorganiza componentes mecânicos fundamentais — com destaque para o reposicionamento completo do sistema de escape — a fim de abrir espaço para baterias maiores e elevar a autonomia elétrica dos modelos.
Escape migra para a dianteira e libera a traseira
Em híbridos convencionais, escapamento e silencioso ocupam a região traseira sob o assoalho do veículo. A solução encontrada pela BYD consiste em transferir todo esse conjunto para a parte dianteira, integrando-o ao compartimento do motor. O resultado é uma traseira significativamente mais livre, capaz de receber pacotes de baterias com capacidade muito superior à dos projetos anteriores.
A própria BYD afirma que a nova configuração pode suportar conjuntos superiores a 100 kWh em determinadas aplicações — algo impensável nos PHEVs de poucos anos atrás.
Denza D9 estreia a nova plataforma
O primeiro modelo a receber a arquitetura “Heyuan” foi a nova geração do BYD Denza D9. No caso desse veículo, a reorganização do chassi e a redistribuição dos componentes do sistema híbrido resultaram em 126 litros extras de espaço interno destinado a bagagens. A capacidade total do porta-malas chegou a 882 litros.
Híbridos cada vez mais distantes do conceito tradicional
O movimento da BYD evidencia como os híbridos chineses estão se afastando da lógica de um “carro a combustão adaptado”. Em vez de simplesmente adicionar um pequeno motor elétrico e uma bateria compacta a um projeto convencional, as novas arquiteturas priorizam a eletrificação desde a concepção do veículo.
Na China, os híbridos plug-in mais recentes já entregam autonomias elétricas muito superiores à média global, contam com recarga rápida e sistemas eletrônicos mais sofisticados de gerenciamento de energia. Em muitos casos, o motor a combustão atua quase como um extensor de alcance.
Evolução da linha DM e novos softwares
A plataforma “Heyuan” também integra a evolução da linha DM, sigla usada pela BYD em seus sistemas híbridos. Embora a fabricante ainda utilize oficialmente a geração DM 5.0, essa nova arquitetura introduz mudanças estruturais e novos softwares de gerenciamento energético voltados para eficiência e integração entre motor, bateria e recarga.
Impacto no Brasil e em mercados emergentes
Pensando em mercados como o Brasil, enquanto os elétricos avançam gradualmente, os híbridos plug-in seguem crescendo rapidamente por combinar autonomia elevada com menor dependência da infraestrutura de recarga.
Hoje, modelos da própria BYD, como Song Plus, King e Shark, já ajudam a impulsionar essa expansão. A tendência é que futuras gerações desses veículos passem a incorporar soluções semelhantes para aumentar autonomia elétrica, melhorar espaço interno e reduzir compromissos típicos dos híbridos convencionais. A BYD parece estar redesenhando seus híbridos para deixá-los cada vez mais próximos de um elétrico puro.
