Combustível velho em carros híbridos plug-in pode destruir o motor: saiba como evitar
Híbridos plug-in que rodam quase só no modo elétrico correm risco de danos ao motor por causa da gasolina envelhecida no tanque
Proprietários de PHEVs que rodam quase só no modo elétrico correm risco de danos caros ao motor a gasolina por causa da degradação do combustível parado no tanque
Quem possui um carro híbrido plug-in e raramente aciona o motor a combustão pode estar, sem saber, cultivando um problema caro debaixo do capô. A gasolina estocada por longos períodos no tanque perde suas propriedades químicas, e o resultado pode ir de perda de potência até a quebra de componentes vitais do propulsor térmico.
Por que o combustível envelhece mais rápido nos PHEVs
Os veículos PHEV foram projetados para oferecer autonomia elétrica suficiente para os deslocamentos do dia a dia — entre 30 e 120 km sem queimar uma gota de combustível fóssil. Em rotinas urbanas com trajetos curtos, é perfeitamente possível que o motor a gasolina fique inativo por semanas seguidas.
Esse cenário cria a condição perfeita para a deterioração química. Dentro do tanque, o líquido sofre variações de temperatura e fica exposto à umidade do ar. Há ainda o retorno de combustível aquecido das linhas de alimentação toda vez que o sistema é desligado, o que acelera a oxidação. Os hidrocarbonetos mais voláteis evaporam, a octanagem cai e se forma uma base pesada e viscosa.
O papel do etanol na aceleração do problema
No Brasil, a situação ganha um agravante particular. A adição compulsória de até 32% de etanol anidro à gasolina torna o combustível ainda mais suscetível à degradação. O etanol tem a propriedade de atrair umidade externa, o que intensifica a corrosão de peças metálicas do sistema de alimentação.
Com o tempo, a gasolina vencida produz uma espécie de goma espessa capaz de obstruir gradativamente os injetores. O motorista pode notar primeiro uma queda de desempenho. Nos casos mais graves, porém, a bomba de alta pressão — presente em motores com injeção direta — pode simplesmente quebrar.
Mesmo em condições ideais de armazenamento, a gasolina mantém sua eficiência por cerca de seis meses. No reservatório de um veículo, onde as condições são menos controladas, esse prazo tende a ser ainda menor.
Fabricantes adotam estratégias diferentes de proteção
Diante do risco, algumas montadoras desenvolveram mecanismos eletrônicos para proteger o motor. O Volvo XC90, por exemplo, conta com um sistema que monitora a idade do combustível e emite alertas em três estágios progressivos. No primeiro, sugere ao motorista que ligue o motor térmico. Se o aviso for ignorado, o próprio carro assume o controle e queima a gasolina de forma autônoma. Em situação crítica, o veículo exige atendimento técnico.
Essa proteção, no entanto, está longe de ser padrão no mercado. Marcas que dominam as vendas de eletrificados no Brasil, como BYD e GWM, ainda não incluem avisos preditivos sobre o envelhecimento da gasolina em seus painéis. Isso significa que toda a responsabilidade de gerenciar a integridade do combustível fica nas mãos do proprietário.
O que fazer para prevenir danos ao motor
A medida mais simples é alternar entre os modos de condução, ativando periodicamente configurações que forcem o uso do motor a combustão. Outra alternativa é manter o tanque com volume reduzido e renovar o suprimento a cada seis meses, preferencialmente com gasolina premium, que oferece maior estabilidade físico-química.
Cuidado com a pane seca proposital
Deixar o tanque secar de propósito para forçar a renovação do combustível não é uma boa ideia. A reação do veículo a uma pane seca varia conforme a marca. A maioria dos híbridos plug-in passa a operar exclusivamente em modo elétrico até a bateria se esgotar. Porém, modelos como os Toyota Prius, Corolla e Corolla Cross podem travar em modo de segurança. Nessa situação, a central eletrônica exigirá reinicialização em oficina, mesmo que o tanque já tenha sido abastecido novamente.
