BYD vai instalar 1.000 carregadores ultrarrápidos no Brasil até 2027: conheça o Flash Charging
BYD investirá mais de R$ 1,6 bilhão para instalar 1.000 carregadores Flash Charging no Brasil até 2027, com recarga ultrarrápida de 1.500 kW
Sistema usa bancos de baterias para entregar 1.500 kW sem derrubar a rede elétrica e promete recarga completa em menos de 10 minutos
Imagine recarregar um carro elétrico tão rápido quanto abastecer um veículo a gasolina. É exatamente isso que a BYD pretende viabilizar no mercado brasileiro com o Flash Charging, o carregador ultrarrápido mais potente do planeta. A montadora chinesa prevê a instalação de 1.000 unidades no país até o fim de 2027, num investimento que ultrapassa R$ 1,6 bilhão.
Potência de 1.500 kW: o equivalente ao consumo de um bairro
Cada estação Flash Charging é capaz de entregar até 1.500 kW de potência — ou 1,5 megawatt. Para dimensionar: trata-se do consumo instantâneo equivalente ao de 1.500 residências ao mesmo tempo. Essa potência é 30 vezes superior à que o BYD Dolphin Mini suporta em recarga.
Durante uma demonstração realizada no Festival Interlagos, o Denza Z9GT — único modelo compatível com a tecnologia no Brasil neste momento — teve sua bateria de 100,1 kWh recarregada de 10% a 97% em pouco mais de 9 minutos. O shooting brake de 952 cv custa R$ 670.000, e a marca informa que já possui 40 unidades encomendadas e prestes a serem entregues.
O segredo: bancos de baterias que protegem a rede elétrica
Apesar da potência brutal, o Flash Charging não sobrecarrega o sistema elétrico local. Da perspectiva da rede, cada estação consome apenas 60 kW por meio de alimentação trifásica — o equivalente ao consumo instantâneo de um prédio. Isso significa que praticamente qualquer local que já comporta um carregador rápido convencional pode receber o equipamento.
O funcionamento depende de três módulos. Os dois primeiros são bancos de baterias estacionárias, cada um com capacidade de 190 kWh. Não se trata de baterias reaproveitadas: são as mesmas baterias Blade de segunda geração presentes nos Denza Z9GT, equipadas com sistemas de proteção e mecanismo de dissipação de gás para contenção de incêndios.
Recarga lenta, descarga rápida
Esses bancos são carregados lentamente pela rede elétrica, acumulando energia como uma reserva. Quando um veículo compatível é conectado, as baterias estacionárias liberam os 1.500 kW sem dificuldade. Como são idênticas às do carro, suas capacidades de descarga e recarga são equivalentes — e é justamente isso que diferencia o sistema de outras soluções com armazenamento estacionário.
Com ambos os bancos completamente carregados, é virtualmente possível recarregar quatro Denza Z9GT em 40 minutos. Contudo, a recarga total dos módulos pode levar mais de seis horas, tempo que pode ser reduzido caso a infraestrutura local forneça maior capacidade energética.
O terceiro módulo é o carregador em si, responsável pela gestão da energia entre os bancos de bateria. Ele determina qual módulo será descarregado e controla a velocidade de recarga pela rede. No Brasil, o custo de cada conjunto desses equipamentos supera R$ 1,6 milhão.
10.000 unidades instaladas na China em menos de seis meses
Na China, a BYD acaba de atingir a marca de 10.000 instalações do Flash Charging, distribuídas por 325 cidades — incluindo localidades tão remotas quanto Turpan, próxima da fronteira com a Mongólia. O ritmo de implantação foi de 55 unidades por dia. A meta até o fim do ano é chegar a 20.000 pontos: 18.000 em áreas urbanas e 2.000 em rodovias.
Segundo a fabricante, mais de 1,83 milhão de usuários já estão cadastrados na rede, e mais de um terço deles não possui veículos da BYD. A potência alcançada por carros de outras marcas é inferior à máxima. Um Lynk & Co 10, por exemplo, atingiu 430 kW no sistema. Esse mesmo modelo, porém, suporta até 1.200 kW em carregadores da Geely, controladora da Lynk & Co.
Expansão internacional em 2027
A partir de 2027, a BYD levará o Flash Charging para além das fronteiras chinesas, com um plano de 6.000 instalações em outros países. A Europa receberá 3.000 unidades, enquanto o Brasil ficará com 1.000. Todas as estações brasileiras adotarão o padrão de tomada CCS2, diferente do GB/T utilizado na China.
Na prática, o investimento bilionário visa garantir que os compradores dos modelos mais sofisticados da marca possam recarregar seus veículos em tempo comparável ao de um abastecimento convencional — uma aposta ambiciosa para acelerar a adoção de carros elétricos no mercado nacional.

