8 novas marcas chinesas que vão desembarcar no Brasil em breve; veja a lista
Baic, DFM, Lynk & Co, IM, Lepas e iCaur estão entre as oito novas marcas chinesas que preparam sua chegada ao mercado brasileiro
De hatches elétricos a SUVs de luxo, empresas da China planejam redes de concessionárias, parcerias industriais e até compra de fábricas no país
O mercado automotivo brasileiro se prepara para receber uma segunda onda de fabricantes chinesas. Após a consolidação de nomes como BYD e GWM — e a chegada mais recente de GAC, Geely, MG Motor, Omoda Jaecoo, Jetour e Leapmotor —, pelo menos oito novas empresas organizam sua entrada no país. O movimento vai muito além da simples importação de veículos: inclui estruturação de concessionárias, acordos para uso compartilhado de fábricas e negociações industriais de grande porte.
Cada marca chega com uma estratégia própria. Algumas já definiram datas e modelos de estreia. Outras ainda testam carros nas estradas brasileiras ou buscam parceiros para viabilizar a montagem local. A diversidade de propostas chama atenção: há desde hatches elétricos urbanos até SUVs híbridos de alto desempenho e sedãs posicionados no segmento de luxo.
DFM: Dongfeng já tem data e modelo de estreia definidos
A Dongfeng escolheu o nome DFM — abreviação de “Dong Feng Motor” — para facilitar o reconhecimento da marca no Brasil. Trata-se de um dos maiores grupos automotivos ligados ao governo central chinês, com parcerias internacionais já consolidadas com Renault, Nissan e Stellantis.
O início das vendas está programado para o Festival Interlagos, evento marcado entre 27 e 30 de agosto de 2026. O primeiro lançamento será o DFM Box, um hatch elétrico que terá como rivais diretos o BYD Dolphin Mini, o Geely EX2, o GAC Aion UT e o MG4 Urban. Para o mercado brasileiro, o Box virá equipado com motor de 95 cv e 16,3 kgfm, além de bateria com capacidade esperada de 42,3 kWh. A autonomia oficial ainda dependerá da homologação do Inmetro.
Apesar dos 4,02 m de comprimento e 2,66 m de entre-eixos, o Box oferece espaço interno competitivo. O porta-malas tem 326 litros, somados a um compartimento dianteiro de 26 litros. Entre os equipamentos previstos estão central multimídia de 12,8 polegadas, câmera de 360°, carregador de celular por indução, banco do motorista com ajustes elétricos, ventilação e aquecimento, controle de cruzeiro adaptativo e assistente de permanência em faixa.
Na sequência do hatch, a DFM planeja trazer o Vigo, um SUV elétrico. Mas o plano mais ambicioso é o industrial. Inicialmente, a empresa avaliava utilizar a fábrica da Nissan em Resende (RJ), aproveitando a parceria entre as duas companhias na China. A Stellantis também entrou em cena nas negociações, e a DFM passou a considerar uma operação vinculada ao grupo dono de Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. Uma das alternativas em discussão é a unidade de Campo Largo (PR), antiga fábrica de motores da Fiat.
Essas conversas indicam que a DFM não pretende se limitar à importação. A montagem nacional está projetada para acontecer até 2028, embora a definição do parceiro industrial ainda esteja em aberto.
Baic: portfólio variado desde elétricos até híbridos aventureiros
Entre as fabricantes mais tradicionais da China, a Baic desenha uma operação abrangente para o Brasil. Segundo o plano apresentado a potenciais concessionários, a marca pretende estrear com pelo menos três veículos: o hatch elétrico Arcfox T1 e os SUVs Beijing X55 e BJ30. O cronograma inicial aponta para o começo das atividades no segundo semestre de 2026, com as primeiras lojas previstas para João Pessoa (PB), Recife (PE) e Natal (RN).
O carro-chefe em volume deve ser o Arcfox T1. Trata-se de um hatch elétrico com 4,34 m de comprimento e 2,77 m de entre-eixos — maior que o BYD Dolphin e próximo dos hatches médios, embora deva concorrer comercialmente com os elétricos compactos. Na China, utiliza motor de 95 cv e bateria de 42,4 kWh, com autonomia declarada de 400 km no ciclo local. Esse número será inferior após a homologação pelo Inmetro.
O X55, por sua vez, é um SUV médio de 4,62 m de comprimento, aproximadamente 20 centímetros maior que um Jeep Compass. Seu motor 1.5 turbo entrega 188 cv e 31,1 kgfm, acoplado a um câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. Já o BJ30 aposta em uma proposta mais robusta, com visual inspirado em veículos fora de estrada e possibilidade de conjunto híbrido. Na versão mais potente disponível no exterior, combina dois motores elétricos ao propulsor a combustão, totalizando 409 cv com tração integral.
Dessa forma, a Baic planeja uma estreia sem depender de um único nicho. O portfólio reúne um elétrico para uso urbano, um SUV convencional a combustão e um modelo híbrido com perfil aventureiro. A principal pendência continua sendo a consolidação da rede de concessionárias e a confirmação das versões que serão importadas.
Lynk & Co: tecnologia Volvo em faixa intermediária de preço
Pertencente ao Grupo Geely, a Lynk & Co surgiu como elo entre a engenharia chinesa e a expertise da Volvo, controlada pela Geely desde 2010. No Brasil, a marca operará dentro da estrutura da Zeekr, sem vínculo direto com a parceria industrial entre Geely e Renault.
Veículos da marca já foram flagrados em testes nas estradas brasileiras. A operação comercial, porém, está planejada apenas para 2027. As vendas ocorrerão dentro das concessionárias da Zeekr, o que reduz o investimento inicial e permite ao grupo posicionar diferentes marcas em faixas complementares: Geely no mercado de maior volume, Lynk & Co em uma categoria intermediária e Zeekr mais próxima das fabricantes premium.
Dois SUVs devem inaugurar a linha. O Lynk & Co 02 é um elétrico construído sobre a mesma arquitetura do Volvo EX30 e do Zeekr X. Com 4,46 m de comprimento e 2,75 m de entre-eixos, oferece motor de 380 cv e 38 kgfm, bateria de 61,5 kWh e aceleração de 0 a 100 km/h em 5,3 segundos na configuração observada no exterior.
O segundo produto, o Lynk & Co 08, é um SUV médio-grande híbrido plug-in com 4,82 m de comprimento. Utiliza a plataforma CMA Evo, que tem relação com projetos da Volvo e também equipa o Renault Koleos apresentado no Brasil. Na versão mais potente, combina motor 1.5 turbo com dois propulsores elétricos para entregar 593 cv e 92,2 kgfm. A bateria de 40 kWh garante autonomia elétrica declarada de até 200 km no ciclo WLTP.
A Lynk & Co pretende ocupar um espaço pouco explorado: veículos de construção sofisticada e alto desempenho, porém posicionados abaixo dos modelos premium tradicionais. O desafio central será diferenciar seus produtos dos carros da própria Zeekr e da Volvo, com os quais compartilha plataformas e componentes.
IM: braço de luxo da MG Motor no mercado brasileiro
A IM será a nova marca de luxo do Grupo SAIC no Brasil. Sua operação ficará vinculada à MG Motor, que já comercializa elétricos no país e prepara uma expansão de portfólio. O posicionamento da IM será superior ao da MG, com foco em tecnologia, desempenho e acabamento para enfrentar concorrentes como Denza e Zeekr.
Lepas e iCaur: novas marcas sob gestão da Omoda Jaecoo
A Lepas confirmou oficialmente quando iniciará suas vendas no Brasil e chegará sob a gestão da Omoda Jaecoo. O mesmo grupo também trará a iCaur, ampliando o leque de opções dentro de sua estrutura de concessionárias.
Estratégias diversificadas marcam a nova fase
As próximas estreantes revelam como a estratégia das fabricantes chinesas se tornou mais sofisticada. A Baic pretende atuar desde hatches elétricos até SUVs médios. A Dongfeng, sob o nome DFM, já negocia uma operação industrial. A Lynk & Co aproveitará a estrutura da Zeekr. A IM será posicionada como divisão de luxo da MG. E tanto a Lepas quanto a iCaur chegarão sob a gestão da Omoda Jaecoo.
Nem todas estão no mesmo estágio de preparação. Enquanto a DFM já definiu o primeiro lançamento e a Lepas confirmou oficialmente o início das vendas, outras marcas ainda testam veículos, selecionam concessionários ou estruturam suas operações. O cenário deixa claro que a presença das marcas chinesas no Brasil entrou em uma fase inédita — mais ampla, mais diversificada e com ambições que vão muito além da importação.





