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Mercedes-Benz pode ser banida dos EUA por lei que mira vínculos com a China

Projeto de lei americano anti-China pode atingir a Mercedes-Benz devido à participação de 19,7% de acionistas chineses na montadora alemã

AutoRodas 2 de junho de 2026 3 min de leitura

Participação acionária de grupos chineses na montadora alemã coloca em risco suas operações no maior mercado ocidental

Dois grandes grupos chineses — BAIC e Geely — detêm juntos cerca de 19,7% do capital da Mercedes-Benz. Esse dado, que até pouco tempo não gerava consequências práticas, agora pode determinar se a fabricante alemã continuará vendendo veículos nos Estados Unidos. A razão: um projeto de lei em tramitação no Congresso americano que visa restringir a atuação de empresas com laços de propriedade ligados a governos estrangeiros classificados como adversários.

O que prevê o projeto de lei

Batizada de Modernização de Veículos Motorizados, a proposta legislativa tem como objetivo central limitar a presença de companhias vinculadas a nações consideradas hostis por Washington. A China figura entre os países abrangidos pela medida. O texto contempla exceções para montadoras que já fabricam veículos em solo americano há anos, mas inclui uma cláusula que pode anular esse benefício caso a empresa tenha participação direta ou indireta associada aos governos listados.

É exatamente essa brecha interpretativa que lança dúvidas sobre o futuro da Mercedes-Benz no país.

Acionistas chineses na estrutura da Mercedes

A BAIC controla pouco menos de 10% das ações da montadora alemã. Li Shufu, fundador da Geely, possui participação semelhante. A soma das duas fatias chega a aproximadamente 19,7% do capital social da empresa. Embora a Mercedes-Benz não seja uma montadora chinesa, essa composição acionária a coloca no radar da legislação em discussão.

Forte presença industrial nos EUA

A questão não envolve a capacidade produtiva da fabricante em território americano. Há décadas, a Mercedes-Benz mantém fábricas no Alabama e na Carolina do Sul, empregando cerca de 10 mil pessoas no país. Recentemente, a empresa celebrou a marca de 5 milhões de veículos produzidos nos EUA e anunciou a transferência da fabricação do SUV GLC para uma unidade americana.

No ano passado, a montadora comercializou mais de 300 mil automóveis de passeio no país, que representa seu segundo maior mercado global. Esse volume reforça a importância estratégica da operação americana para a marca.

Posição oficial da Mercedes-Benz

A fabricante não demonstra alarme público diante do cenário. Ola Källenius, CEO da marca, afirmou que a empresa acompanha as discussões e acredita ser possível solucionar eventuais questionamentos sobre a estrutura societária. Paralelamente, a Mercedes-Benz mantém conversas com parlamentares americanos para compreender o alcance real da proposta.

Tramitação ainda incerta

O projeto de lei está distante de uma aprovação definitiva e pode sofrer alterações significativas ao longo de sua tramitação no Congresso. Ainda assim, o debate já levanta preocupações no setor automotivo sobre os efeitos colaterais de medidas protecionistas que podem atingir montadoras tradicionais com décadas de operação nos Estados Unidos.

Mercedes-Benz pode ser banida dos EUA por lei que mira vínculos com a China
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