10 minutos para recarregar? BYD coloca novo carregador ultrarrápido em operação no Brasil
BYD inaugura carregador ultrarrápido de 1.500 kW em Brasília capaz de recarregar o Denza Z9 GT em menos de dez minutos usando baterias internas
Estação de 1.500 kW começa a funcionar em Brasília e marca o início de um plano ambicioso da montadora chinesa para a infraestrutura de recarga no país
Uma concessionária da marca de luxo Denza, pertencente à BYD, em Brasília (DF), passou a abrigar o carregador mais rápido do Brasil. O equipamento de 1.500 kW é capaz de devolver a carga completa ao cupê Denza Z9 GT em menos de dez minutos — um salto impressionante diante dos carregadores convencionais que operam entre 60 kW e 80 kW nas rodovias brasileiras.
Por que Brasília foi a cidade escolhida
A decisão de estrear a tecnologia na capital federal, a primeira operação comercial desse tipo em todo o continente americano, tem motivação estratégica. Em agosto, Brasília registrou 5.048 emplacamentos de veículos eletrificados, consolidando-se como o segundo maior mercado do segmento no país — atrás apenas de São Paulo.
O crescimento acelerado da frota elétrica brasileira reforça a urgência por infraestrutura de recarga de alto desempenho. Desde 2022, o acumulado de modelos eletrificados já ultrapassou 951.000 unidades no cenário nacional, pressionando cidades e rodovias por soluções mais eficientes.
Baterias internas contornam gargalo da rede elétrica
Instalar pontos de recarga com potência tão elevada esbarra em um obstáculo significativo: a capacidade de fornecimento da rede elétrica local. O sistema da BYD, avaliado em R$ 1,8 milhão, resolve esse problema com um banco interno de baterias estacionárias.
São quatro baterias do tipo Blade, cuja capacidade total equivale à de quatro unidades do Denza Z9 GT. A lógica de funcionamento lembra a de um reservatório de água: ao longo do dia, a estação absorve energia da rede em fluxo contínuo e mais baixo, acumulando eletricidade que será liberada em alta potência no momento em que um veículo é conectado.
Essa arquitetura viabiliza a instalação do sistema em locais onde a infraestrutura convencional seria incapaz de sustentar a demanda de forma contínua.
Limitações no uso consecutivo
Existe, porém, uma restrição prática. A quantidade de recargas ultrarrápidas realizadas em sequência depende do nível de energia armazenado no banco estacionário. Após múltiplos usos, é necessário um intervalo para que o próprio carregador reponha seu estoque interno de eletricidade.
Na demonstração oficial, o Denza Z9 GT recuperou 87% de carga em nove minutos e 29 segundos. Entretanto, a BYD não divulgou o tempo que a estação precisa para reabastecer suas baterias internas depois de sessões consecutivas.
Potência máxima e o padrão brasileiro de conectores
Apesar de a estação suportar até 1.500 kW, a entrega efetiva no Brasil fica restrita a 1.000 kW. O motivo são as limitações físicas dos conectores de padrão europeu CCS2 utilizados no mercado nacional. Mesmo assim, a taxa é de 12 a 17 vezes superior à dos carregadores rápidos convencionais encontrados pelo país.
Até a chegada desse equipamento, as estações mais velozes disponíveis no Brasil eram as de 350 kW, capazes de elevar a carga de 10% a 80% em cerca de 18 minutos.
Compatibilidade restrita ao Denza Z9 GT — por enquanto
No mercado brasileiro, apenas o Denza Z9 GT consegue aproveitar integralmente o fluxo de energia oferecido pela estação. O modelo opera sobre a plataforma e³ e utiliza a segunda geração das baterias Blade integradas ao chassi, projetadas para suportar altas correntes elétricas sem superaquecimento.
Qualquer outro veículo elétrico dotado de tomada CCS2 pode ser conectado ao equipamento sem riscos. A velocidade de recarga, no entanto, ficará limitada ao gerenciamento interno de cada automóvel. A maioria dos modelos elétricos vendidos no Brasil aceita picos de recarga entre 150 kW e 250 kW, o que significa que o tempo de espera permanecerá inalterado para esses carros.
Plano de expansão: 1.000 estações até 2027
A inauguração em Brasília é apenas o ponto de partida de um projeto muito mais amplo. A BYD pretende instalar 1.000 estações ultrarrápidas em território brasileiro até o final de 2027. Na China, a mesma tecnologia já conta com cerca de 10.000 pontos em operação, servindo como alicerce para a adoção de veículos de maior voltagem no mercado chinês.

